Zona Mortal (2017)

4.6
(8)

Zona Mortal
Original:Radius
Ano:2017•País:Canadá
Direção:Caroline Labrèche, Steeve Léonard
Roteiro:Caroline Labrèche, Steeve Léonard
Produção:Benoit Beaulieu, Jean Du Toit, Anne-Marie Gélinas
Elenco:Diego Klattenhoff, Charlotte Sullivan, Brett Donahue, Bradley Sawatzky, Andrea del Campo, Kristen Sawatzky

Quando li a premissa do thriller de ficção científica canadense Zona Mortal (Radius, 2017), co-dirigido por Caroline Labrèche e Steeve Léonard, imaginei que não haveria meios que pudessem fazê-lo render mais do que um curta-metragem. Parecia um episódio da série Além da Imaginação, envolvendo um evento isolado e bastante intrigante, mas sem possibilidade de ir além de seu enredo básico; uma vez revelado o que acontece, como a trama iria se estender em uma metragem suficiente para torná-lo um longa? Pois o roteiro soube não apenas explorar conflitos pela condição do protagonista, como criar situações de tensão e suspense, reservando uma interessante surpresa no terceiro ato.

A história é bem divertida: após um capotamento, Liam (Diego Klattenhoff) acorda fora do veículo nas proximidades de uma estrada, sem memória. Ao pedir ajuda a uma motorista na estrada, ele se surpreende ao vê-la morta na direção, com os olhos brancos. Desesperado para pedir ajuda, ainda mais para relatar a morte da moça, ele chega a uma cidade próxima e entra em um pequeno restaurante apenas para encontrar todas as pessoas mortas, em uma situação que acabara de acontecer. Imaginando que possa ser algo no ar – e com a sugestão no rádio de um possível ataque terrorista -, aos poucos Liam descobre que o problema é ele mesmo. Qualquer ser vivo que tenta se aproximar dele, tem o mesmo fim.

Logo a polícia irá descobrir a identidade do motorista capotado, e acreditará em seu envolvimento com as estranhas mortes súbitas. Mas, quando uma estranha mulher se aproxima, a quem ele a chama de Jane (Charlotte Sullivan) – um derivado de John Doe -, nada acontece, assim como qualquer criatura viva que chegue próximo dos dois quando estão próximos não é afetada. Com as descobertas surgindo a conta-gotas, Liam e Jane precisam descobrir o que está acontecendo e como podem se livrar dessa maldição de terem que ficar próximos para que ninguém mais seja vítima da condição do rapaz. Mas por que os dois? Qual a relação entre eles? Como se conheceram e se envolveram com o acidente? É o que eles terão que descobrir, antes que a polícia os separe.

Poderia ser uma bela história de amor com metáforas sobre a necessidade de ficar ao lado de quem ama. No entanto, a premissa de Caroline e Steeve não reserva tempo para romance e ainda traz um nó bastante sombrio. Ao mesmo tempo em que buscam as pistas para a solução do mistério, novas peças surgem como o marido de Jane, Sam (Brett Donahue), que não parece muito interessado em deixá-la o tempo todo com aquele estranho. Além desses obstáculos, o longa ainda traz cenas tensas como as que acontecem durante um exame, no hospital, na loja de Sam e principalmente no elevador. Tudo caminha para que uma única atitude seja a correta, mas a natureza de um determinado personagem ainda não foi completamente revelada.

Funcionando como thriller de mistério e investigação tanto quanto de suspense com doses discretas de ficção científica, Zona Mortal é um daquelas joias do cinema que precisam ser descobertas. Um filme que talvez muitas pessoas ainda não se aproximaram o suficiente para se envolver em uma trama curiosa e cheia de possibilidades. Se encontrá-la por aí, vá ao encontro dela!

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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