Nuda per Satana (1974)

4.8
(4)

Original:Nuda per Satana
Ano:1974•País:Itália
Direção:Luigi Batzella
Roteiro:Luigi Batzella
Produção:Luigi Batzella
Elenco:Rita Calderoni, Stelio Candelli, James Harris, Renato Lupi, Iolanda Mascitti, Luigi Antonio Guerra, Barbara Lay, Augusto Boscardini, Alfredo Pasti

Quando o terror se mostrou rentável, os realizadores passaram a usar seus principais elementos para atrair público. O exploitation nada mais é do que a representação do sensacionalismo, trazendo ao espectador exatamente o que ele quer ver. Sangue em profusão e nudez, sustos estampados em cartazes chamativos, trailers exagerados…foram as principais ferramentas do estilo, que acabou se dividindo em categorias menores para públicos específicos. Com a fórmula em mãos, o enredo era o que menos importava, como se você estivesse vendo um filme pornô, ou uma espécie de show apelativo para a concretização dos mais variados fetiches. O italiano Nuda per Satana é um exemplo curioso disso tudo: é um filme pornô com história… ou seria um filme de terror com pornografia?

Dizer que tem história é acrescentar virtudes que essa produção não possui. Tem seus méritos para os amantes do eurotrash e das bagaceiras italianas, realizadas com o mínimo de recurso e divertindo com seus defeitos. Ela foi dirigida pelo ator, editor, roteirista e diretor Luigi Batzella, creditado como Paolo Solvay, de O Castelo de Drácula (1973). Batzella, falecido em 2008 pelo Mal de Parkinson, teve apenas quinze créditos como diretor, mas sempre demonstrou uma afeição pela mistura de gêneros, seja horror com comédia, western com ação, thriller com guerra e musical com pornô.

Nuda per Satana já justifica o título na cena inicial, com a bela Rita Calderoni (The Reincarnation of Isabel, 1973), em um papel duplo, correndo nua por uma floresta iluminada, sem esconder detalhes de seu belo corpo. Ao mesmo tempo, conduzindo um fusca, cujo capô exibe os créditos, está o Dr. William Benson (Stelio Candelli, também com dois papéis), que está perdido na madrugada para atender um socorro. Ao avistar a mulher nua de branco, ele perde o controle do carro e quase o destrói numa batida. Ele a procura na estrada escura, mas não encontra sinais da assombração, retornando para seu veículo. Antes que ele consiga ligar o motor, um outro carro também perde o controle nas proximidades, e ele aproveita para usar sua “experiência” como médico para ajudar a motorista (também Rita Calderoni), tirando-a do veículo sem verificar se há alguma fratura.

Ele então a coloca no banco do passageiro, e sai em busca de ajuda, sendo orientado por um misterioso morador a procurar abrigo num castelo próximo. Sem estranhar tantas coincidências estranhas, ele a deixa no carro (!!!) e entra na morada antiga, cuja porta se abriu com a sua chegada no velho clichê do fantasma cavalheiro. O Dr. William Benson adentra o recinto sombrio e bem iluminado, até encontrar uma porta pelo caminho. Destoando completamente do tom proposto inicialmente, ele vê duas mulheres e um homem numa orgia particular, com direito a sexo oral e penetração. O estranhamento do médico dura o tempo necessário para que o ato seja exibido quase que completo, para então ele exibir um semblante de “nojo” ou “espanto” e fechar a porta.

Logo depois ele se assusta com um quadro, com um rosto conhecido, em um efeito de videoclipe da década de 70, e encontra Evelyn (a mesma que viu na estrada e que sofreu o acidente), com roupas de uma época distante. A estranha está feliz por reencontrar seu amor, chamando o doutor de Peter, tentando seduzi-lo para algum plano maligno. O mesmo acontece com a acidentada Susan Smith, que desperta abandonada no carro e passeia pelo castelo até encontrar o doutor com roupas antigas, se denominando Peter, e acusando-a de ser seu amor. Nessa bagunça, alternada com cenas de sexo explícito e pesadelos repetitivos (e dublês de corpo), eis que surge Satã (James Harris), rodeado por belas mulheres – nuas por ele -, provocando a dupla para a concretização de um ritual.

É claro que Nuda per Satana teve uma versão censurada, com as cenas de sexo cortadas para exibição na TV em canais eróticos. E os cortes devem ser adequados, pois as cenas de sexo não combinam com o clima gótico, com serviçais sinistras e o ritual macabro. Ainda que simbolizem as orgias infernais já aproveitadas em várias produções de horror até mesmo pelo velho Mojica Marins, essas cenas poderiam ser descartadas e ainda assim o filme seria ruim. Diferente de Jess Franco e outros cineastas especialistas em bagaceiras do período, o longa de Luigi Batzella só tem como atrativo mesmo as mulheres nuas e a presença de Satã, mesmo que estereotipado. Há quem associe algumas referências a produções como The Rocky Horror Picture Show, mas é preciso muito esforço para encontrar alguma inspiração relacionada. Ao final, é apenas um filme apelativo e sem destaque na carreira do cineasta italiano como O Castelo de Drácula.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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