O Convento das Taras Proibidas (1979)

4.8
(8)

O Convento das Taras Proibidas
Original:Immagini di un convento
Ano:1979•País:Itália
Direção:Joe D'Amato
Roteiro:Joe D'Amato,
Produção:
Elenco:Paola Senatore, Angelo Arquilla, Paola Maiolini, Giovanna Mainardi, Marina Hedman, Maria Rosaria Riuzzi, Nana Aslanoglu, Donald O'Brien

Dentre os subgêneros do exploitation, cinema sensacionalista que teve seu auge na década de 70, o mais polêmico e ousado é o nunsploitation. Ele vai além da violência, do sadismo, da nudez e da exploração do corpo, mas envolve críticas ácidas à Igreja Católica, aos votos de castidade e à intolerância religiosa. Já nasce proibido, e, por isso, é bastante cultuado pelos fãs de horror, tendo em clássicos como The Devils (71), de Ken Russell, Satánico Pandemonium (75), de Gilberto Martínez Solares, e Alucarda (75), de Juan López Moctezuma, seus maiores exemplos. Quem soube aproveitar bastante do estilo foi o cineasta Joe D’Amato (1936-1999), mais lembrado pela contribuição ao ciclo dos canibais com Emanuelle e os Últimos Canibais (77) e Antropophagus (80). D´Amato abraçou o erotismo e a pornografia por toda a sua biografia, mas nunca foi um diretor de destaque, evidenciando algumas deficiências técnicas em seus trabalhos na mesma proporção em que divertem.

Em 1979, D´Amato fez O Convento das Taras Proibidas (Immagini di un convento), inspirado no subgênero já mencionado e também no clássico O Exorcista. Pintou e bordou na orgia desenfreada, nas cenas de sexo softcore e na felação, sem deixar de lado o tom satânico. Em um convento, a aparição de uma estátua do Diabo – ou, como eles dizem, de “deus desconhecido” – coincide com a chegada de Isabella (a bela Paola Senatore, de Os Vivos Serão Devorados, 1980), fugida de uma relação incestuosa com o tio. Sabendo da personalidade complicada da garota, ainda assim a Madre Superiora (Aïché Nana) exige que ela use o hábito enquanto estiver entre as irmãs. Mas a sua chegada atiça a libido das demais freiras, sem mesmo que precise fazer muito esforço.

Logo na primeira noite, enquanto está tendo um sonho erótico com o tio, ela recebe a visita de uma freira, que acaba fazendo sexo oral nela. Ao sair do quarto e ser flagrada pela Madre nos corredores com os seios de fora, ela é conduzida a um local para sofrer a penitência, mas acaba em mais um ato sexual. A situação se complica quando um homem ferido é resgatado no jardim, e levado para um quartinho nos fundos. Guido Bencio (Angelo Arquilla) diz ter sido atacado por ladrões, mas a direção de D´Amato sempre cria rimas entre seu rosto e a estátua, como se ele fosse uma personificação do Mal.

Ele também transará com algumas freiras, e mexerá com os brios das demais, levando o Convento a um antro de sacanagem. Para tentar salvar o local, a Madre envia uma freira (Marina Ambrosini) à cidade para convocar um padre exorcista. No entanto, no caminho ela é surpreendida por dois criminosos, que querem mais do que um simples assalto: ela é estuprada pelos dois e ainda sofre uma felação explícita, sendo resgatada posteriormente pelo próprio Exorcista (Donald O’Brien), que a leva de volta ao convento e tenta fazer uma limpeza no ambiente de luxúria. E é durante o ritual de exorcismo que tudo se perderá de vez, restando a – pasmem! – Isabella uma ação para evitar o declínio do lugar.

Todas as cenas praticamente trazem freiras sem roupas e/ou fazendo sexo. Uma delas chega a ser penetrada por um dildo onscreen, enquanto as outras se beijam e se acariciam. A estátua do Diabo chega a verter sangue pela boca, e até mesmo a ocupar o lugar da cruz na capela para simbolizar a possessão de todas as presentes. Talvez, por Isabella já ser promíscua, o Mal não chega a atingi-la, mas causa um efeito devastador nas demais. D’Amato usa e abusa dos closes e da exibição dos corpos, sabendo explorar o proibido e o excitante, a partir das belíssimas mulheres do local. O lado sombrio de um convento dominado por uma presença satânica é apenas uma desculpa para o desvio das freiras e criticar a castidade católica.

O Convento das Taras Proibidas vale como curiosidade do subgênero e da presença de mulheres voluptuosas, mas não vai além disso, não figurando como destaque do nunsploitation.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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