Post Mortem (2020)

4.9
(10)

Post Mortem
Original:Post Mortem
Ano:2020•País:Hungria
Direção:Péter Bergendy
Roteiro:Piros Zánkay, Gábor Hellebrandt, Péter Bergendy
Produção:Ábel Köves, Tamás Lajos
Elenco:Viktor Klem, Fruzsina Hais, Judit Schell, Andrea Ladányi, Zsolt Anger, Gábor Reviczky, Gabriella Hámori, András Balogh, Diána Magdolna Kiss

Dentre todas as produções que foram abrigadas no 11º CineFantasy, Post Mortem sem dúvida foi a detentora dos principais arrepios. Mesmo não tendo recebido nenhum prêmio na edição, o que causa uma certa estranheza, esse longa da Hungria fez por merecer estar na programação de um dos principais eventos de cinema fantástico do Brasil. Trata-se de uma história de fantasmas ousada e criativa, principalmente tendo em vista uma imensa bagagem de obras do estilo que já foram realizadas na história do Cinema de Horror que, ainda que possam soar interessantes, são reconstruções e reciclagens da temática. Quando se imagina que todos os sustos já foram promovidos e que já está calejado nesse subgênero, Péter Bergendy desperta novos calafrios!

Especialista em produções de época, Bergendy foi o diretor dos dramas históricos A vizsga (2011) e Trezor (2018), ambos ambientados na década de 50, com muitas críticas que elogiam o cenário proposto e a completa imersão aos períodos. Post Mortem se passa em 1918, logo após a Primeira Guerra Mundial, tendo como contexto o avanço da Gripe Espanhola, uma coincidência trágica com os dias atuais. Na cena inicial, o soldado Tomás (Viktor Klem) é ferido gravemente após ser atingido pelos estilhaços da explosão de uma granada. Considerado morto e deixado numa pilha de corpos, ele é descoberto vivo por um homem que, não somente o resgata, como utiliza sua experiência como atração de um circo de bizarrices.

Tomás agora é um fotógrafo de cadáveres. Ele produz fotos do pós-morte, naquele formato que foi levemente explorado em outras produções como Os Outros e A Noiva, e que traz uma sensação desconfortável no espectador por simplesmente não acreditar que antigamente era comum familiares posarem com falecidos, incluindo crianças e bebês. Durante uma de suas apresentações, ele recebe a visita da órfã Anna (Fruzsina Hais), que pede que ele a acompanhe até um vilarejo muito afetado pela doença, precisando de seus serviços de fotografia. Ele somente aceita o desafio pelo fato de tê-la já visto em sua experiência de quase-morte, buscando explicações para a estranha visão que teve.

Assim que chega à comunidade, envolto em uma atmosfera de medo e incertezas, com pessoas vestindo sacos na cabeça e olhares sinistros, Tomás se hospeda na casa da professora Marcsa (Judit Schell), e já inicia seu trabalho de registro de cadáveres, sem perceber a presença de sombras que parecem observá-lo atentamente acompanhando-o em sua função. Sons de passos no sótão, movimentos estranhos e a aparição de vultos sombrios nas fotografias o fazem perceber que há algo sobrenatural em evidência ali, e que foi ampliado com a sua chegada à região. Com a ajuda de Anna, ele inicia uma investigação sobre os incidentes que possam ter relação com aquelas estranhas presenças, cada vez mais próximas, agressivas e dispostas a se comunicar com ele.

Há muitos elementos ali que contribuem para os arrepios do público. Se a produção das fotos já não fosse capaz de fazer isso, há as aparições nas fotografias, a psicofonia e até possessão de cadáveres. O argumento de Gábor Hellebrandt e do próprio Bergendy, que deu luz ao roteiro escrito por Piros Zánkay, é muito bom e atmosférico. Em seu terceiro ato, conduz os fantasmas do vilarejo a uma manifestação absoluta, seja para erguer e arrastar pessoas, seja utilizar os corpos do celeiro como manequins de sua mensagem. E é interessante por não transformar Tomás em um herói em absoluto, uma pessoa corajosa e destemida a combater o mal, mas fazê-lo de maneira progressiva e convincente.

Pesam a favor de uma avaliação satisfatória a ambientação, os aspectos técnicos como Direção de Arte e Fotografia, e principalmente o elenco. Se todos estão bem como personagens envolvidos em uma cidade amaldiçoada, o grande destaque fica por conta da jovem e talentosa Fruzsina Hais, que constrói sua Anna em uma mistura de ingenuidade e inteligência, como um verdadeiro apoio a Tomás, sem se esquivar da doçura de sua tenra idade. São tantas qualidades envolvidas em Post Mortem que o público até ignora o final ao estilo Sobrenatural apenas na torcida para que algo ali aconteça.

Bem realizado e abastecido por diversos elementos de horror, o filme é a primeira produção de excelência de 2021, uma amostra de que ainda pode se encontrar criatividade nas narrativas de além-túmulo!

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Média da classificação 4.9 / 5. Número de votos: 10

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

6 thoughts on “Post Mortem (2020)

  • 03/07/2021 em 11:38
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    Bom dia. Estou à procura do filme, mas não consigo encontrá-lo. Alguma sugestão ? Abraços.

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    • 05/07/2021 em 11:46
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      Tairo, esse filme ainda está passando em festivais. Por enquanto não está disponível de outras formas.

      Resposta
  • 30/05/2021 em 03:14
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    Poxa, amigos, fiquei bem interessado!! Bom, vou se encontro este filme e o vejo!! Abraços e obrigado pela dica, Marcelo Milici!!! 😎👍🙏🙏🙏😉😁👊😊✌

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  • 23/05/2021 em 19:21
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    Ótimo filme. Comecei a assistir já esperando elementos tradicionais e repetitivos, mas fui positivamente surpreendida por uma uma história diferente do que se está acostumado a ver.

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  • 23/05/2021 em 18:51
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    Alguma dica sobre onde encontrar o filme?

    Não consigo achar em lugar algum.

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  • 16/05/2021 em 10:46
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    Ótima crítica! Cara, eu simplesmente adorei esse filme. Também assisti no CineFantasy e além de trazer uma boa dose de originalidade, o filme dá uma “requentada” muito esperta em sequências e sustos que já poderíamos ter visto em algum outro lugar (como nos citados ‘Os Outros’ e ‘Sobrenatural’). Filmaço, que merece ser bastante reconhecido.

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