Primitives (1978)

4.5
(2)

Primitives
Original:Primitif
Ano:1978•País:Indonésia
Direção:Sisworo Gautama Putra
Roteiro:Imam Tantowi
Produção:Sabirin Kasdani
Elenco:Enny Haryono, Barry Prima, Johann Mardjono, Rukman Herman, Jafarpree York, Novita Rully, Youstine Rais, Michael Kelly

Alguns estudantes se embrenham numa floresta para estudos de uma cultura primitiva mas, desejosos de se aventurar ainda mais, resolvem descer um rio para explorar locais ainda mais remotos e esquecidos. Acabam se acidentando, perdendo seu líder e se separando, sendo que dois deles vão parar numa tribo de canibais carniceiros. Lá, vivem o diabo por alguns dias, até que são resgatados pelos outros sobreviventes.

Raríssimo e obscuro filme indonésio dirigido por Sismoro Gautama Putra, surgido no mesmo ano em que Ruggero Deodato lançou seu sensacional O Último Mundo Canibal, ideia inicial para o famoso ciclo de canibalismo gore produzido na Itália na virada da década de 70 para 80, destacando-se o clássico maior do gênero Canibal Holocausto (1980), do próprio Deodato. Primitives tem o mesmo clima doentio e a mesma despreocupação narrativa dos italianos, só que mais centrada nos momentos gore e de extrema violência contra humanos e animais, que, definitivamente, não têm sorte neste gênero de filmes.

Por outro lado, pega muito mais leve e é muito mais ingênuo que os filmes do Deodato. Há, por exemplo, muito mais atenção aos costumes rituais escrotos da tribo do que na carnificina dos capturados (que sequer se dão mal); como as sequências de estripação animal (um jacaré e um macaco, que são esfolados vivos) e as batalhas entre animais (cobra contra lagarto & crocodilo contra tigre). O que não significa que não haja sequências memoráveis: uma garota índia que dá à luz no meio da floresta para em seguida lamber o bebê recém nascido cheio de sangue e comer as podreiras que vieram com ele, como a placenta e restos do cordão umbilical. Costume nojento, aliás compartilhado pelos demais habitantes da tribo, o tempo todo mastigando tripas de animais e outras iguarias peculiares. Também a comovente sequência em que um canibal desobedece às ordens da tribo e tem os bagos amassados por uma marreta de pedra: embora não seja explícito, é ver e se contorcer. E no meio dessa salada gore bastante indigesta, ainda há espaço para o riso: um dos canibais atira uma machadinha em direção a um dos invasores mas este se abaixa e a machadinha, num efeito bumerangue, retorna e lhe acerta bem no meio da testa.

Apenas uma mostra, porém, do vastíssimo terror hardcore produzido lá do outro lado do mundo e que, infelizmente, conhecemos muito pouco.

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E R Corrêa

"No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!" (Cioran)

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