Morte Às Seis da Tarde (2018)

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Morte às Seis da Tarde
Original:Plagi Breslau
Ano:2018•País:Polônia
Direção:Patryk Vega
Roteiro:Sylwia Koperska-Mrozinska, Patryk Vega
Produção:Jerzy Dziegielewski, Grzegorz Esz, Maciej Sojka
Elenco:Malgorzata Kozuchowska, Daria Widawska, Katarzyna Bujakiewicz, Andrzej Grabowski, Maria Dejmek, Ewa Kasprzyk, Jacek Beler

Quando o assunto são os thrillers de investigação com detetives em busca de um serial killer com motivações grandiosas, a primeira referência é, sem dúvida, ao soberbo Seven – Os Sete Crimes Capitais. Não é a obra que moldou o estilo, até porque traz a base de muitos gialli e atmosfera de filmes noir, porém o modo como ela conduz o mistério na descoberta grotesca das vítimas e o surpreendente e ousado final fizeram toda a diferença ao ponto de permitir que você a estabeleça como um divisor de águas. O longa polonês Morte Às Seis da Tarde (Plagi Breslau, 2018) bebe muito dessa mesma fonte, incluindo a definição do criminoso e uma surpresa final também envolvendo uma cabeça decepada. A realização é que deixa a desejar.

Com um passado mal digerido, a policial Helena Rus (Malgorzata Kozuchowska), sempre mal humorada e impaciente, seja no modo como se refere ao parceiro brincalhão Jarek (Tomasz Oswiecinski) ou simplesmente se irrita com as investidas da repórter, chega a uma feira, onde o corpo de um homem fora encontrado na carcaça de uma vaca. Enquanto investiga pistas que possam identificar o criminoso, uma nova vítima é encontrada, fazendo com que a polícia perceba que as mortes sempre acontecem às seis da tarde e envolvem uma forma de tortura e assassinato do século XVIII comuns na própria cidade de Wroclaw, anteriormente conhecida como Breslau. Quando a situação foge do controle como cavalos assustados – a sequência chega a ser hilária pelo modo como as pessoas parecem se jogar na frente dos animais; e depois é repetida com um tonel -, a agente federal Iwona Bogacka (Daria Widawska) surge para ajudar nas investigações.

Ela facilmente identifica o modus operandi do assassino e ainda ajuda na recuperação do ferido Jarek, mesmo depois de considerado um caso perdido, surpreendendo Helena. Novos crimes continuarão acontecendo até que a pessoa responsável finalmente resolva assumir os crimes cometidos, tal qual John Doe, apresentando sua motivação e fatos que podem determinar a conclusão de sua tarefa. A polícia terá que se mostrar bastante eficiente para evitar que novas mortes aconteçam no fim da tarde.

Realizado todo à luz do dia – sem o acinzentado e chuvoso clima de Seven, que ainda ajudou na configuração de um cenário de incerteza -, Morte Às Seis da Tarde peca em seus aspectos técnicos como direção e o roteiro conveniente, ambas as funções de Patryk Vega, sendo que o argumento teve o apoio de Sylwia Koperska-Mrozinska. Muito do que acontece depende de algumas coincidências, principalmente quando se espera que as mortes aconteçam em público no horário exato. E há algumas bobagens como a investigação de dado ambiente acontecer bem próximo das 18h, somente para a protagonista olhar no relógio e perceber que precisa correr para evitar a próxima.  Mas sem saber para onde correr, momentos depois é vista parada dentro do carro esperando que algo aconteça.

Há sangue e corpos digitalmente destroçados, mas que não trazem ascos para quem já está acostumado com o estilo. Ao final, é apenas mais um filme de mistério que se curva à absoluta obra-prima de David Fincher. Nem mesmo a cabeça encontrada terá o mesmo impacto.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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