V/H/S/94 (2021)

4.5
(13)

V/H/S/94
Original:V/H/S/94
Ano:2021•País:EUA, Indonésia
Direção:Simon Barrett, Steven Kostanski, Chloe Okuno, Ryan Prows, Jennifer Reeder, Timo Tjahjanto
Roteiro:Jennifer Reeder, Chloe Okuno, Simon Barrett, Timo Tjahjanto, Ryan Prows, David Bruckner, Brad Miska
Produção:William Chandra, Josh Goldbloom, Kurtis David Harder, Brad Miska
Elenco:Anna Hopkins, Christian Potenza, Brian Paul, Tim Campbell, Gina Louise Phillips, Sean Sullivan, Sophia Machula, Sean Patrick Dolan, Kyle Durack, Kyal Legend, Daniel Matmor, David Reale, Christian Lloyd, Thomas Mitchell Barnet, Steven McCarthy

Produzido pela plataforma Shudder, com o apoio de produtores como o site Bloody Disgusting, V/H/S/94 é mais uma antologia no formato found footage, que, como o nome sugere, é ambientada durante a febre das fitas VHS da década de 90, precisamente no ano de 1994. É o quarto filme da franquia, iniciada em 2012 com V/H/S, seguido por V/H/S 2 (2013) e V/H/S Viral (2014), e que trouxeram histórias bem interessantes como a que serviu de inspiração para o longa Sereia Predadora (Siren, 2016). Como quase uma regra entre as antologias, elas sempre contêm enredos bons e criativos como também ideias envoltas em clichês e mal realizadas.

Como conceito de David Bruckner (de O Ritual e A Casa Sombria), a proposta envolveria um ano único para a construção de suas narrativas macabras, estabelecendo uma composição que se associa pela época – embora, neste caso em particular, as histórias não abordem situações ocorridas especificamente em 1994 – se fosse V/H/S92 alguém iria notar a diferença? A trama condutora das demais, intitulada Holy Hell, tem a direção de Jennifer Reeder e traz uma equipe da SWAT – Slater (Dru Viergever), Oursler (Dax Ravina), Sprayberry (Thomas Mitchell), Spivey (Rodrigo Fernandez-Stoll), Petro (Kimmy Choi) e Nash (Nicolette Pearse) – invadindo um ambiente denunciado pelo tráfico de drogas, apenas para encontrar boa parte dos presentes, membros de um estranho culto, mortos e sem os olhos, diante de televisores, onde serão exibidas as demais quatro histórias.

A primeira delas é Storm Drain, de Chloe Okuno, que envolve a repórter Holly Marciano (Anna Hopkins) e seu cameraman Jeff (Christian Potenza) investigando a lenda do Homem Rato numa entrada para o esgoto, onde ele teria sido visto. Depois de acompanhar alguns testemunhos e uma reportagem sobre o mistério, a dupla acompanha movimentos pelos túneis, encontra um morador local vivendo em situação aterradora e que pronuncia Raatma, até a oportunidade de finalmente conhecer a verdade. Boa história, centrada em uma lenda urbana – sempre funcional e a raiz das produções found footage -, o episódio diverte pela estrutura dinâmica e pela atmosfera inquietante. Talvez o final meio apocalíptico tenha sido um pouco exagerado, algo comum em boa parte dos curtas dessa franquia.

Em The Wake, de Simon Barrett (Você é o Próximo), a agente funerária Hailey (Kyal Legend) prepara o velório de Andrew Edwards, orientado pela família pela necessidade do registro filmado de todo o evento. Enquanto aguarda a chegada de outros familiares, numa noite atípica de forte tempestade e ocorrências na cidade, ela começa a ter evidências de um despertar sinistro, principalmente quando escuta batidas de dentro de caixão do defunto. Outro ótimo segmento, com uma trama simples, mas bastante interessante pela promoção de sequências assustadoras, remetendo ao final de REC. Traz arrepios quando você se imagina no lugar da pobre funcionária em um momento de claustrofobia e incômodo.

Até então com segmentos interessantes em narrativas macabras, V/H/S/94 começa a perder fôlego a partir do terceiro conto. Dirigido por Timo Tjahjanto (de Fortuna Maldita), The Subject se alonga demais, embora apresente boas doses de sangue e criaturas estranhas. O cientista louco Dr. James Suhendra (Budi Ross) está desenvolvendo experiências que envolvem a conexão entre tecidos orgânicos com partes cibernéticas. Ao estilo Dr. Frankenstein, ele cria uma criatura híbrida de mulher com câmeras – a tal justificativa para a filmagem constante -, além de uma que possui lâminas nas mãos, como o protótipo de um elemento bélico. Contudo, a polícia invade o local, também com o apoio de um cameraman para promover o resgate e dar um fim ao show de horrores. Em dado momento, um policial invasor sugere que a câmera fique ligada o tempo todo, mas mata uma pessoa desarmada e pede que aquilo fique entre eles (!?). Com a presença dos oficiais, logo o caos toma conta do prédio, com a visão subjetiva do monstro na eliminação dos intrusos, lembrando em alguns momentos jogos como Doom. Apesar da ambientação interessante e a presença de monstros como ameaça, o segmento não evolui e determina seus méritos apenas pelas doses de violência.

Terror” tem a direção confusa de Ryan Prows. Mostra uma milícia chamada Movimento dos Primeiros Patriotas no desenvolvimento de treinamentos numa área desértica de Detroit, Michigan, para eliminar o mal que incomoda a América. O líder Greg (Christian Lloyd) seu parceiro Chuck (Cameron Kneteman) invadem uma instalação e acabam tendo que confrontar uma criatura imortal. Ainda que o monstro seja bem realizado – assim como boa parte dos efeitos das demais histórias -, até o seu ótimo final é preciso ter paciência para ver os tais patriotas sorrindo, explodindo coisas e repetidamente atirando na cabeça de um homem a cada soar da campainha. Se no começo a câmera até que se justifica pelo registro dos feitos, depois não há razão para que uma pessoa resolva mantê-la ligada no confronto com o inimigo sobrenatural, principalmente quando este ameaça sua vida.

Por fim, temos o encerramento da antologia com o retorno à linha narrativa principal e uma conexão com o episódio anterior. Nada que empolgue ou traga um desfecho assustador ou interessante. Quando surgem os créditos de V/H/S/94, nota-se que a produção teve boas inspirações nos momentos REC – ainda tenho arrepios com a tal Menina Medeiros -, e resolveu apostar seus enredos em monstros diversos. Homem-Rato, zumbi grotesco, ciborgues assassinos, uma espécie de vampiro e uma estranha seita são os principais elementos que alimentam as histórias, mas distantes de levarem o longa como um todo a uma recomendação absoluta. Talvez pelos bons efeitos especiais os fãs de found footage e da franquia possam se empolgar com a proposta, se tiverem consciência (e paciência) do que irão ver.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “V/H/S/94 (2021)

  • 14/01/2022 em 03:33
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    É meio complicado falar da franquia V/H/S, por se basear em vários curtas de diretores diferentes, é difícil manter o padrão entre os curtas e entre os filmes.
    Mas em todos os filmes, tem algum curta que vale a pena a ser conferido.

    Eu não esperava muito do 94 (até porque só soube da existência dele quando estava fazendo download de um filme e apareceu ele na sessão de novidades), mas mesmo me senti um pouco decepcionado com ele.

    Longe de ser o pior da franquia (esse ainda fica para o Viral), mas o segundo filme ainda é o melhor (logo em seguida vem o primeiro). A história que conecta todos os filmes é a mais fraca de todas. Se nos outros filmes ainda existia uma tensão (no primeiro filme tem o velho, no segundo tem aquele cara e no viral tem a cena do carro), nesse não tem uma só cena marcante.

    Os curtas em si, concordo bastante com a crítica, o primeiro foi muito bom (e o formato reportagem lembra bastante Bruxa de Blair), por mais que a ideia do ratman seja “boba”, não posso negar que fiquei impressionado com a criatura. (Aliás, a maquiagem de todas as criaturas nesse filme estão muito bem feitas. Parabéns para a equipe de maquiagem).

    O segundo curta é o disparado o melhor de todos, pode ser um pouquinho lento, mas a atmosfera criada é muito boa. Se for para se por no lugar da mulher, senta e chora (mas sem fazer barulho).

    O 3° curta é o que mais me deixou decepcionado, tem até uma história legal (embora não seja fã da temática “médico louco”) mas tem vários momentos nela que pensei: “pô, já dá para acabar aí, né ?”. Ela acaba se estendendo muito, e por ser apenas um curta, chega a ser cansativo. Mas a decepção maior está em saber que o diretor desse curta é o mesmo que fez o melhor curta da franquia: o do culto no v/h/s 2.
    Eu até gostaria de ver um mais do mesmo vindo desse cara, mas entendo que ele queira fazer algo diferentão. Mas como a temática não me interessa e o curta é cansativo, não foi dessa vez que ele me conquistou.

    Já o terceiro e último curta, tem uma história fraquíssima (na qual só vi como uma forma de criticar a galerinha apoiadora do Trump), personagens que não tem como se importar (muito pelo contrário, você torce para o monstro), não tem realmente uma construção do suspense e o motivo por tudo dar ruim, faz você pensar “tem que se fuder todo mundo mesmo”.

    Diferente de Viral, na qual se tem apenas 1 curta bom, esse se sai bem por ter 2 (ironicamente, o 1 e o 2 filmes também só tem 2 curtas bons, fora a história que conecta todos os filmes). Talvez esse filme marque mais pelas maquiagens das criaturas, dá para se divertir com ele. Mas depois de tanto tempo, é legal ver a franquia V/H/S novamente e espero que venha novos filmes pela frente. Afinal, com vários curtas tão diferentes entre si, não tem como enjoar com essas historinhas.

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