Marvel Terror – Volume 1 (2010)

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Marvel Terror - Volume 1
Original:Marvel Terror - Volume 1
Ano:2010•País:EUA
Páginas:148• Autor:Duane Swierczynski, Mico Suayan, Mike Carey, Greg Land, Ted McKeever, Chris Chuckry, •Editora: Panini

Foi o mais sanguinolento massacre da cidade de Wisconsin. Um Fato muito impressionante, levando-se em conta que Ed Gein residiu neste estado.”– Dead of Night, Werewolf by Night

Em pleno ano de 2010 não deixava de ser uma aposta das empresas investirem em material não digitalizado para divulgação de obras com foco em público tão segmentado como o de filmes tipo slashers e VHS. Certo? Errado!

O público existe e não é difícil de encontrar os reboots e remakes de diversos títulos slashers das décadas de 70 a 90 para novas audiências, então nada mais natural que reproduzam um segmento em ascensão em determinado meio/mídia. Marvel Terror faz isso.

A primeira edição do encadernado de 148 páginas reúne 4 histórias originalmente publicadas sob o selo estadunidense MAX da Marvel – quando a editora decidiu quebrar a submissão dos trabalhos ao selo da Comics Code Authority, declarando assim que daria mais liberdades aos seus artistas, mas muito se comenta que não é um óbvio movimento para concorrer no mercado com revistas para o público adulto lançadas selo Vertigo da DC. Apesar de não ser uma regra, as histórias da MAX podem estar ligadas aos títulos sequenciais da editora, a exemplo do Motoqueiro Fantasma lançado mais à frente. Originalmente planejada para ser lançada no mês de outubro, a revista acabou atrasada para novembro, em formato americano (17 x 26), capa cartão lombada quadrada, papel LWC e com distribuição nacional.

No Brasil o selo era publicado pela própria Panini como Marvel MAX, mas acabou sendo descontinuada em junho de 2010 e então sendo anunciada que seriam lançadas em especiais, como esta edição sobre a qual falamos.

Apesar da falta de um editorial – o que seria uma excelente oportunidade de contato com o leitor e introdução à série Marvel Terror –, acabamos sendo jogados direto ao ponto. Há um índice também, os números estão no centro das páginas, e há o pesar pela visualização prejudicada nas que possuem fundo escuro. Felizmente, como é de natureza dos encadernados, as histórias procedem por suas capas dando uma noção de rápida consulta para cada capitulo/história a partir da própria lateral, o que é uma boa característica.

O lobisomem – Está No Sangue
Roteiro: Duane Swierczynski
Arte: Mico Suayan
Cores: Ian Hannin
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, Warren Simons
Publicada originalmente em: Dead of Night: Werewolf By Night (2009) n° 1/2009, n° 2 /2009, n° 3 /2009, n° 4 /2009 – Marvel Comics

A mais longa dentre as histórias, que se estendeu por 4 volumes originalmente, foi escrita por Duane Swierczynski, responsável também pela Cable (X-Men), e também pela história one shot de “Force of Nature” para O Justiceiro (Punisher), e ainda os direitos de Severance Package, comprados pela LionsGate para adaptação de filme.

O traço ficou por conta de Mico Suayan, que também já trabalhou com Duane e Jason Aaron em revistas como a The Immortal Iron Fist e na própria Cavaleiro da Lua (Moon Knight), de onde o personagem principal da primeira história do encadernado, Jack Russell (Jacob Russoff), passou de coadjuvante para herói. Inclusive a nova fase de Cavaleiro da Lua estava sendo publicada nos mix Marvel Action pela Panini em janeiro de 2007, mas descontinuada em outubro de 2009.

(Re)Conta a história de Jack Russell, que carrega a cruz e o segredo negro de ser um lobisomem que, em noites de Lua Cheia, toma o controle de seu corpo e o faz cometer crimes hediondos. Jack, então futuro pai de família, pretende lutar com todas as forças afim de controlar a besta dentro de si, mas diversos elementos obscuros de seu passado dão sinais de que as cousas não serão tão fáceis assim.

Não para menos que a história possua uma ritmo de narrativa semelhante a um conto policial, dado a experiência das publicações de Duane como em Secret Dead Man e o traço de Mico Suayan, obviamente já acostumado ao personagem nas HQs do Moon Kinght, o que de vez por outra me lembra aqui e ali o traço estilo IMAGE, um pouco mais “sujo” em alguns momentos e em outros polido até demais. O gore dá a pitada de seriedade no tom do conto, e a relação entre a besta e Russell deveria ter um universo próprio mais significativo, apesar de que em muitos momentos o peso da relação está expressa na forma noir.

Para muitos o estilo de narração que tem “dois pés” nos flashbacks, um pé no presente e meio pé na angústia do futuro, pode ser moroso demais; mas é vital que os pontos interliguem para compreendemos a extensão do dano na psique de Jack sem que a revista se perca só na violência gratuita. Um único ponto negativo que tenho de concordar com alguns leitores críticos é a falta de coesão no aparecimento e morte de alguns coadjuvantes sem maiores explicações que os ligariam ao plot principal.

A narração está de acordo com o proposto por Duane, sem grandes reviravoltas ou inovações, fazendo o arroz com feijão do terror.

As capas estão estranhamente com os créditos errados, segue aqui a correção:

Capas: Edição 1: Patrick Zircher | Edição 2: Mico Suayan  | Edição 3:  Mico Suayan | Edição 4: Rafael Grampá.

Garota do Interior – Um Conto do Lobisomem
Roteiro: Mike Carey
Desenho: Greg Land
Arte-Final: Jay Leisten
Cores: Justin Ponsor
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em: Legion of Monsters: Werewolf By Night (2007) n° 1/2007 – Marvel Comics

Escrita por Mike Carey, que, dentre outros trabalhos, está o indicado ao Eisner Lucifer (publicado no Brasil pela Brainstore) e outros fora do eixo com bandas de metal como Pantera e uma biografia em forma de HQ do Ozzy Osbourne. Aqui um conto de treze páginas em um ritmo acelerado sobre Rhona, uma jovem licantropa – de toda uma família – que optou por uma vida isolada e de contenção a sua natureza. Não o suficiente viver em um estado de eterna negação, Rhona ainda tem de lidar com o preconceito violento da cidade com ares de racismo – típicos de um pensamento provincial e atrasado. Este por sua vez ilustrado pelo polêmico Greg Land (Birds of Prey, Quarteto Fantástico), que por vezes dá razão aos seus detratores com certas expressões faciais esquisitas para o momento – a exemplo de Rhona cercada no meio do bar.

Spoilers –

Pela natureza rápida do conto, fica algo meio incômodo como a personagem vai do ponto A de total introspecção a “aceito minha natureza” na garupa de um lobisomem desconhecido. Será que não é o famigerado sentimento de familiaridade entre a raça dos licantropos? Infelizmente a história era curta demais para explicar esse aspecto. E qualquer crítica nesse sentido seria fruto de especulação.

Amor Fúnebre
Roteiro e Arte: Ted McKeever
Cores: Chris Chuckry
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em: Legion of Monsters Man-Thing n° 1/2007 – Marvel Comics

Sabe a grata surpresa independente? É essa! E com os dizeres acertados do subtítulo: “Uma história de Simon Garth: O Zumbi”. Conta a história de Simon, obviamente, um zumbi que é retirado dos escombros de uma explosão. Até então o traço de Ted McKeever já dá o tom de um mundo “torto” e caricato. Mas, ao invés de desbocar no estranho e animalesco/carnavalesco semiótico, o roteiro imprime os dois pés na crônica com marcas já estabelecidas por este artista com renome e experiência – vide a série Eddy Current, um humor negro e ácido com a poesia intrínseca e honesta sem forçar a barra ou parecer sintética demais. Ted McKeever nos deu um brinde de treze páginas com um maldito sabor de quero mais.

A história serve como uma introdução do personagem aos moldes que faziam com personagens desconhecidos ao público em títulos já estabelecidos. Mas, como Simon não é um herói tradicional – ou não tem necessidades de tal – focado em um público adulto, seria um excelente personagem para as mais diversas histórias sem sequências muito longas.

Para ser um monstro
Roteiro e Arte: Skottie Young
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em: Legion of Monsters: Werewolf By Night (2007) n° 1/2007 – Marvel Comics

Outro conto na linha Universal Monsters, apoderando-se do plot de Frankenstein (Mary Shelley) para passar um outro conceito poetizado. Ou seja, um conto-conceito. Talvez um protótipo, ou um ensaio para a criação de uma obra realmente autoral. Tanto que Skottie Young consegue alcançar nas treze páginas da HQ uma estrutura hermética suficiente para alcançar os pontos chaves da história e passar isso ao leitor. Claro que o tema poderia ter sido explorado mais amplamente se fosse uma história mais longa para permitir a nossa simpatia com o monstro em si ou ojeriza suficiente.

O traço de Skottie Young já é conhecido por ser mais infantil e puxado para o cômico, como foi e deveria ser em obras como na série The Wonderful Wizard of Oz Marvel Classics com textos de Frank Baum, mas ele fez um honesto esforço rumo ao terror e o resultado foi uma história bastante comportada e polida – apesar da aparente briga de sombras e silhuetas.

No geral o conto parece mais um spinoff de Van Helsing aos olhos dos monstros, ou uma crônica dos assuntos internos da Igreja Católica medieval.  Um plot twist e uma conclusão na sintonia do conto anterior, ou seja, seguiu o ritmo no editorial.

Considerações Finais

Capa por Rafael Grampá

Problemas apresentados são da natureza do próprio desafio aos encadernados, como histórias seguintes dedicando quadros e páginas a recapitulação da anterior: obviamente porque originalmente foram publicadas separadas como uma orientação ao leitor que porventura tenha saltado um número. Porém mesmo isso é algo quase imperceptível e em alguns dos volumes nem mesmo se faz presença. Ou seja, não é um REAL problema, apenas um detalhe.

A tradução fora por completa feita por Fernando Bertacchini, integrante da Mythos Editora e que também foi editor das revistas e volta do Conan às bancas. Sem dúvida um excelente trabalho, já que não forçou nem um maneirismo de linguagem a fim de adaptar-se à “nova” audiência. Deixando ainda mais próximo do português direto dos 80’s.

Um outro detalhe que vale ressaltar é que no quarto número da revista publicada nos Estados Unidos a capa foi criada por Rafael Grampá, desenhista premiado com o Eisner pela HQ Mesmo Delivery. Muitos queriam que essa fosse a capa principal do encadernado na edição brasileira – acabou sendo escolhida a da própria primeira edição desenhada por Patrick Zircher; mas ela está presente sim dentro da revista junto com as demais capas separando – como dito anteriormente – as edições dentro da própria revista – e estranhamente os créditos das capas estão errados(?) – corrigindo-as coloquei-as acima de acordo com o site CBR. Infelizmente a capa traseira da HQ recebeu as duas criaturas mais famosas – estilo Universal Monsters – e merecia a adição do personagem Simon Garth com certeza.

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Ed "Toy" Facundo

Cearense nascido e criado na capital, apaixonado pela ideia de dar vidas aos seus brinquedos ou resolver intrigantes configurações do lamento - talvez esteja em um copo de cerveja - e vocalista da banda de death/thrash metal Human Heritage. Veio à Newcastle (Upon Tyne) em busca daquilo que traumatizou Constantine e sobrando tempo para exercer sua profissão de desenvolvedor de jogos.

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