Parada Cardíaca (1980)

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Parada Cardíaca
Original:Cardiac Arrest
Ano:1980•País:EUA
Direção:Murray Mintz
Roteiro:Murray Mintz
Produção:Richard Helzberg
Elenco:Garry Goodrow, Michael Paul Chan, Max Gail, Susan O'Connell, Ray Reinhardt, Robert Behling, Fred Ward.

Uma série de assassinatos ocorre em São Francisco, em comum a todos eles: o coração das vítimas foi arrancado. Os detetives Higgins e Wong são os investigadores responsáveis pelo caso e não conseguem entender a motivação dos crimes. Eles consideram as hipóteses desde cultos exóticos ao canibalismo, mas nada parece fazer sentido. Enquanto isso novos cadáveres aparecem pela cidade sem seus corações.

Dizem que o inferno está cheio, mas de cara vai um conselho bem útil: não se leve pela arte instigante da capa (um cirurgião segurando com as duas mãos um coração, como se o oferecesse ao espectador). A imagem pode sugerir erroneamente um slasher ou a presença mínima de cenas, digamos, explícitas nos momentos mais violentos. Infelizmente, passados poucos minutos de exibição descobrimos a que veio Parada Cardíaca: o longa é um drama criminal investigativo com alguns toques de mistério. Talvez com muita boa vontade e fazendo algumas concessões, identifiquemos uma dose reduzida de horror.

Apesar de atrativa, a imagem da capa é também um tremendo de um spoiler, reforçado ainda mais pela tagline: medical science needs donors, dead ones; no bom e velho português, a ciência médica precisa de doadores, mortos. Sim, o filme trata do mercado negro de doação – ou melhor, roubo – de órgãos.

Há também uma tentativa fracassada de inserir humor em algumas passagens (o protagonista, por exemplo, não pode ver cadáveres que passa mal). Aliás, o protagonista Garry Goodrow não está mal como o detetive excêntrico, mas algo nele incomoda bastante (e Goodrow não tem culpa nenhuma): o ator fisicamente lembra muito o comediante brasileiro Renato Aragão. Some a este fato uma irritante trilha sonora que mistura ruídos com melodias que remetem diretamente às produções made for TV que povoaram os saudosos anos 70 e 80.

O roteiro é mediano (e talvez o maior trunfo do filme seja o desafio de descobrir quem seria o assassino) e tenta algumas pequenas reviravoltas, mas no fim das contas o resultado é uma espécie de episódio prolongado de série policial.

Como curiosidade, há um diálogo em que os investigadores consideram que o assassinato possa ter sido cometido por uma seita ou tribo antropófaga de Bornéu (uma referência “desproposital” às produções de horror então contemporâneas rodadas na Itália, que se passavam, na grande maioria, nas florestas tropicais do sudeste asiático).
Como sugestão, caso o leitor não conheça, há outro filme produzido uma década depois (1990), com um plot bem similar ao de Parada Cardíaca, porém com um desenrolar bem mais inventivo e violento: A Ambulância, de Larry Cohen.

Parada Cardíaca foi distribuído Brasil pela extinta PoleVídeo no também extinto formato VHS, ainda nos idos dos anos 80. Com o passar dos anos acabou esquecido e se tornou uma raridade, sendo pouco comentado e quase ignorado pelos fãs do gênero. Este ar obscuro pode aguçar a curiosidade de apreciadores incautos ou de gosto duvidoso, como este autor que vos escreve.

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João Pires Neto

Apenas mais um rapaz latino americano vindo do interior. Ateu não praticante, vegetariano, viciado em Literatura, Rock and Roll e Cinema. Antifascista, antiespecista, feminista e pai de uma menina linda, de 3 cachorros e 1 gata preta. Formado em Letras e Literatura. Colaborador desde 2005.

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