A Mansão da Caveira (1974)

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A Mansão da Caveira
Original:The House on the Skull Mountain
Ano:1974•País:EUA
Direção:Ron Honthaner
Roteiro:Mildred Pares
Produção:Ray Storey
Elenco:Victor French, Janee Michelle, Jean Durand, Mike Evans, Lloyd Nelson, Mary J. Todd McKenzie

Após a morte da sacerdotisa vodu Pauline Christophe, os últimos remanescentes de sua família são convocados à sua mansão, localizada na chamada Montanha da Caveira, para acompanhar a leitura do testamento e a divisão da herança. Forçados a passar uma semana no local, os quatro últimos membros da família Christophe devem lutar para sobreviver a estranhos eventos que começam a ocorrer.

Com essa premissa, A Mansão da Caveira, ou The House on the Skull Mountain, no original, é uma produção considerada como parte do movimento blaxploitation, lançada em 1974, época em que o estilo estava na “crista da onda”, por assim dizer. Neste trabalho, o diretor Ron Honthaner (do qual eu não encontrei nenhuma outra referência como realizador) tenta nos desfiar uma trama de mistério que remete aos clássicos sobre casas assombradas, mas usando o vodu haitiano como pano de fundo.

Esse uso do vodu, por sinal, já garante alguns pontos para o filme, por ser este um elemento pouco explorado no horror (quando comparado com outros, como múmias, vampiros, lobisomens, bruxas, por exemplo), e que costuma render boas histórias – A Maldição dos Mortos Vivos (1988), de Wes Craven, parece ser o melhor expoente desse segmento dentro do cinema hollywoodiano. O diretor Ron Honthaner, no entanto, faz um trabalho apenas razoável sobre o roteiro de Mildred Pares: nada ousado ou suficientemente capaz de prender nosso interesse – e repleto de clichês.

Há um grande problema na realização do filme como um todo, sendo um pouco mais direto. Existem brechas no roteiro que não são explicadas, coisas que poderiam fazer diferença no aprofundamento da narrativa e nosso entendimento (como a história pregressa dos netos de Pauline, por exemplo). Há também erros de continuidade gritantes, além de cenas dispensáveis que tornaram o ritmo da trama enfadonho, cansativo. As poucas cenas boas que percebi pouco ou nada acrescentam à história principal.

O gênero blaxploitation geralmente é considerado parte de um movimento social, com o fim de alavancar as produções de artistas negros no cinema hollywoodiano, e, ainda que a forma como o blaxploitation faça isso seja controversa (visto que há muita caricatura e superficialidade nessa ‘exploração’), A Mansão da Caveira não abre mão de resgatar elementos importantes da história do povo negro.

A família Christophe, por exemplo, descende de Henri Christophe, escravo que liderou a revolução haitiana contra a França em fins do século XVIII, mas mesmo essa referência brilhante é utilizada de forma pouco profunda e nada crítica, além de não sustentar os acontecimentos que seguem. Some isso à escolha do único personagem branco do filme para herói e sobrevivente da aventura – uma escolha, mais uma vez, controversa (pra não dizer incoerente) para um produto blaxploitation.

A Mansão da Caveira é o tipo de filme que “poderia ser, mas não é”. O tempo todo fica a sensação de que está faltando algo, como se a grande quantidade de pequenos erros ou omissões enfraquecesse o todo. Num primeiro olhar, tudo parece cenográfico demais, até infantil. Desde a panorâmica da paisagem nos apresentando a tal Montanha da Caveira (que sequer sabemos onde fica), até a composição de alguns personagens (sem falar no próprio enredo), tudo nos leva a pensar em um grande episódio do Scooby Doo, com o diferencial de uma classificação indicativa de idade um pouco maior.

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Pedro Emmanuel

Cearense, jornalista, quase geógrafo (ainda cursando), meio praieiro e ligeiramente antissocial. Minha viagem é aprender o máximo possível sobre a vida e sobre a morte, e assim ir assimilando alguns mistérios da existência. Vivo como se fosse um detetive, mas minha mente vagueia muito. Sou fã de Star Trek, Jefferson Airplane, e do Massacre da Serra Elétrica original.

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