Em Carne Viva (2003)

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Em Carne Viva
Original:In the Cut
Ano:2003•País:UK, França, Austrália, EUA
Direção:Jane Campion
Roteiro:Jane Campion, Susanna Moore, Stavros Kazantzidis
Produção:Nicole Kidman, Laurie Parker
Elenco:Meg Ryan, Mark Ruffalo, Jennifer Jason Leigh, Michael Nuccio, Allison Nega, Dominick Aries, Nick Damici, Heather Litteer, Yaani King Mondschein

O filme que destruiu a careira de Meg Ryan! Esse é o principal e único atributo reconhecido com o passar dos anos do filme Em Carne Viva, dirigido pela oscarizada Jane Campion, do recente Ataque dos Cães (2021).

Para quem não conhece a história dos bastidores do filme, Meg Ryan ficou conhecida no final da década de 1980 e durante todos aos anos 90 como a “namoradinha” da América, tal foi o seu sucesso em comédias românticas como Harry e Sally Feitos um para o Outro (1989), Sintonia de Amor (1993) e Cidade dos Anjos (1998), somente para citar alguns de seus filmes. Entre uma e outra comédia, ela tentou diversificar com alguns dramas e suspenses, sem empolgar mas também sem perder sua credibilidade.

Contudo, no início dos anos 2000 ela tentou uma reviravolta na carreira quando a personagem Frannie Avery, de Em Carne Viva, caiu em seu colo, após a desistência de Nicole Kidman (que permaneceu no projeto como produtora). Meg viu a oportunidade de trabalhar com uma diretora talentosa, num roteiro com personagens críveis e cenas de sexo/nudez realistas empacotados num thriller cru, sujo e violento de serial killer.

A atriz se empolgou com a personagem e com a possibilidade de provar que também era uma boa intérprete para projetos mais diversificados. Parecia na época a estratégia perfeita, exceto pelo fato de não terem perguntado ao público e fãs de Meg Ryan se eles estavam preparados para vê-la em outra persona. A resposta foi um NÃO em letras maiúsculas mesmo, já que o filme foi um fracasso que marcou negativamente a carreira de todos os envolvidos, principalmente de Meg, que nunca mais conseguiu retornar ao panteão das estrelas hollywoodianas.

E quanto ao filme? Ora, a trama de mistério realmente é um nada, já que o assassino orbita entre os poucos personagens em torno da protagonista. Contudo, o que salta aos olhos é a direção inventiva e a minúcia do roteiro na dinâmica da personagem principal em relação ao policial que investiga o caso (Mark Ruffalo). Ao longo da projeção já não importava mais descobrir quem era o assassino, mas sim acompanhar e entender esses dois complexos personagens.

Meg Ryan realmente está muito bem e se desnudou (literal e psicologicamente) para o papel. Foi uma jogada corajosa que poderia render bons dividendos para qualquer outra atriz, menos para ela. Analisando sob a ótica atual, como representante na época da mulher liberal e autônoma, mas ainda romântica, representativa de uma parte da cultura conservadora americana, ela não percebeu que seu público não estava ainda disposto a bancar uma guinada tão brusca na descaracterização desse modelo. O que hoje é tão comum na carreira de diversos atores e atrizes infelizmente ceifou o estrelato de Meg Ryan.

O filme está disponível na Netflix e vale a pena dar uma chance se o leitor estiver de bobeira, sem maiores pretensões.

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Ricardo Gazolla

Formado em Direito e trabalhando no setor privado, apaixonado por cinema desde a infância quando assistiu Os Goonies (1985) na tela grande. Sua predileção pelo horror começou um pouco depois ao conhecer em VHS A Hora do Pesadelo (1984), Renascido do Inferno (1987) e A morte do demônio (1981). Desde então o cinema se tornou um hobby, um vício socialmente aceito, um objeto de estudo, um prazer público e, agora, no site Boca do Inferno, uma forma de comunicação com as pessoas.

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