A Promessa (2001)

4.7
(7)

A Promessa
Original:The Pledge
Ano:2001•País:EUA, Canadá
Direção:Sean Penn
Roteiro:Jerzy Kromolowski, Mary Olson-Kromolowski, Friedrich Dürrenmatt
Produção:Michael Fitzgerald, Sean Penn, Elie Samaha
Elenco:Jack Nicholson, Benicio Del Toro, Patricia Clarkson, Beau Daniels, Dale Dickey, Adrien Dorval, Aaron Eckhart, Nels Lennarson

Já disse aqui antes que o catálogo da HBO Max vem surpreendendo e, procurando algo diferente do usual para assistir, resolvi rever este A Promessa, que lembrava vagamente ter gostado muito quando assisti em home vídeo muitos anos atrás. Lembro de na época ter visto um filme direto, seco e impactante. Revisto e novamente aprovado, além das qualidades já indicadas, desta vez percebi o viés trágico do longa, as interpretações primorosas de todo o imenso e estrelado elenco (com destaque, claro, para Jack Nicholson) e a direção eficiente de Sean Penn.

Vou fazer um aparte aqui para falar rapidamente de Sean Penn. De jovem ator problemático nos anos 80 a intérprete renomado, ele tem uma extensa carreira em frente e atrás das câmeras. Se vocês não viram, vale a pena assisti-lo ainda jovem em Colors – As Cores da Violência (1988), no estiloso Reviravolta (1997) e no premiado Sobre Meninos e Lobos (2003), apenas para citar alguns… Contudo, não são todos que conhecem a sua filmografia na direção, seletiva, mas extremamente interessante, como Acerto Final (1995), com o mesmo Jack Nicholson numa trama de vingança, e o mais famoso Na Natureza Selvagem (2007), em que um jovem decide largar tudo para viver em meio à natureza do Alasca.

A Promessa inicia com a aposentadoria do policial Jerry Black (Nicholson), que, no seu último dia de trabalho, se depara com o assassinato brutal de uma criança. Policial tarimbado, mas tocado pela crueldade do crime e pela velhice sem perspectivas que tem pela frente, ele acaba fazendo uma promessa para a mãe da menina morta de encontrar o assassino custe o que custar. Essa é a trajetória de um sujeito que se coloca numa empreitada acima de tudo e de todos, até dele mesmo.

É um filme difícil de assistir, pois qualquer vislumbre de felicidade que se possa ter é eclipsado pela tenacidade feroz do policial. Trata-se aqui de um mundo sem esperança, onde redenção ou pelo menos um alívio da carga acumulada não terão vez e o destino, esse sim, cruel na medida, parece se divertir às custas dos personagens.

Há momentos memoráveis, como uma tensa cena de interrogatório no início do longa (com um Benicio del Toro irreconhecível) e o delicado relacionamento do protagonista com uma garçonete (interpretada por Robin Wright, na época esposa do diretor) com uma filha pequena e um ex-marido violento. Contudo, é o final que deixa um gosto amargo na boca, que foge das soluções fáceis e explora o mecanismo do desgoverno em nossas vidas.

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Média da classificação 4.7 / 5. Número de votos: 7

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Ricardo Gazolla

Formado em Direito e trabalhando no setor privado, apaixonado por cinema desde a infância quando assistiu Os Goonies (1985) na tela grande. Sua predileção pelo horror começou um pouco depois ao conhecer em VHS A Hora do Pesadelo (1984), Renascido do Inferno (1987) e A morte do demônio (1981). Desde então o cinema se tornou um hobby, um vício socialmente aceito, um objeto de estudo, um prazer público e, agora, no site Boca do Inferno, uma forma de comunicação com as pessoas.

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