4.2
(5)

Wishcraft: Feitiço Macabro
Original:Wishcraft
Ano:2002•País:EUA
Direção:Danny Graves, Richard Wenk
Roteiro:Larry Katz, Jeanne Van Cott, Norm Waitt, Dara Weintraub
Produção:Christian Becker, Kristina Hejduková, Benjamin Munz, Mark Nolting, Oliver Nommsen, Edita Sramotova, Junior
Elenco:Michael Weston, Alexandra Holden, Huntley Ritter, Austin Pendleton, A.J. Buckley, Meat Loaf, Gregory Cooke, Sam McMurray, Allyce Beasley, Scott Caudill, Charlie Talbert, Alexandra Breckenridge, Sara Downing, Evan Jones, Zelda Rubinstein

Os slashers, em uma definição pra lá de informal, são aquelas produções de terror nas quais um assassino em série persegue suas vítimas com facões, motosserras ou qualquer outro instrumento (de preferência, cortante) que possa ser usado como arma. Este subgênero viveu pelo menos duas ondas importantes que valem a pena comentar: a primeira, iniciada pelo clássico Halloween (de John Carpenter) em 1978 e consolidada pouco depois por Sexta-feira 13 (de Sean Cunninghan, 1980), durou pelo menos uma década, em partes graças às incontáveis sequências destes mesmos filmes; a segunda, uma forte retomada, aconteceu na metade final dos anos 90 e teve como partida o impressionante sucesso de Pânico (1996), escrito por Kevin Williamson e dirigido por Wes Craven.

É claro que ambos os momentos trouxeram produções que se tornaram cultuadas com o passar do tempo e outras que não tiveram a mesma sorte, que acabaram esquecidas e hoje são pouco ou nada comentadas – é neste último grupo que se encontra Wishcraft: Feitiço Macabro, longa-metragem de 2002 que tenta se beneficiar da tonalidade mais teen e limpa dada aos slashers por Craven.

Wishcraft: Feitiço Macabro é dirigido pela dupla de cineastas americanos Danny Graves e Richard Wenk. Dos dois, o mais conhecido é Wenk, que escreveu alguns roteiros de razoável sucesso, como Vamp, A Noite dos Vampiros (1986) e os mais recentes Os Mercenários 2 (2012) e O Protetor (2014). Curiosamente, o roteiro de Wishcraft é de outra autoria, a do desconhecido Larry Katz – cuja curta carreira no cinema se resume a produções que não alcançaram de fato o mainstream.

Ainda que a trama não seja uma grande novidade, Wishcraft arrisca extrapolar levemente o gênero slasher, inserindo uma tímida camada sobrenatural (a realização inexplicável dos desejos). No enredo, o jovem introvertido Brett Bumpers (interpretado por Michael Weston) recebe pelo correio um presente um tanto suspeito: um amuleto que, segundo um bilhete que o acompanha, concede ao portador a realização de três desejos. Brett usa o totem para fazer com que uma das garotas mais populares da escola, Samantha (Alexandra Holden), se apaixone por ele. Enquanto isso, um misterioso assassino mascarado inicia uma matança que coloca Brett na mira da investigação policial. Não que seja o caso de Wishcraft, mas argumentos similares renderam outros filmes de terror relevantes, como O Portão (1987) ou O Mestre dos Desejos (1997). Aliás, todos estes seguem a ideia apresentada em A Pata do Macaco, conto escrito por W. W. Jacobs em 1902. Nesta fábula de horror clássica, um pai usa um talismã (a tal pata do macaco) e deseja a volta do filho morto. É claro que o resultado não é exatamente o que ele esperava. Voltando a Wishcraft: Feitiço Macabro, a construção do roteiro é um tanto convencional, o que traz certa facilidade para que a trama funcione sem muitos problemas, ainda que o resultado final não chegue a impressionar. É possível que o fã mais hardcore também se incomode com a falta de sangue e com as cenas de morte em off-screen, além do desfecho, que carrega uma dose desnecessária de ingenuidade. Uma última curiosidade em relação ao enredo: o totem, o pequeno amuleto com poderes de conceder desejos a quem possuí-lo, é, na verdade, um antigo pênis de um touro indócil que teria matado diversas pessoas no passado.

Já em relação ao elenco, o casal de jovens protagonistas (Michael Weston e Alexandra Holden) entrega, digamos, o mínimo. Curiosamente, chamam a atenção as rápidas participações da icônica Zelda Rubinstein (a pequena e inesquecível parapsicóloga Tangina Barrons, de Poltergeist) como a médica legista, e do músico Meat Loaf vivendo o detetive responsável pela investigação da série de violentos assassinatos.

A estreia de Wishcraft aconteceu em 23 de março de 2002, no BIFFF – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas. A crítica internacional recebeu o filme com desprezo, se limitando a compará-lo a Pânico, ressaltando que a fórmula slasher teen demonstrava sinais sérios de desgaste. O orçamento do longa foi calculado em torno de US$ 5 milhões, considerado baixo para os padrões americanos, valor certamente recuperado, não exatamente pela bilheteria dos cinemas, mas pela ampla distribuição no mercado de DVDs. Para o leitor curioso que hoje queira conferir, enquanto este texto é escrito, Wishcraft: Feitiço Macabro está disponível no Brasil na plataforma de streaming Looke.

Resumindo, Wishcraft: Feitiço Macabro segue, de maneira genérica, as regras e convenções popularizadas por Wes Craven e Kevin Williamson em Pânico. Mesmo não sendo um bom filme, não é uma produção totalmente descartável e pode até funcionar como um passatempo satisfatório. O certo é que vai desencadear alguma saudade dos já longínquos anos 90 e da safra de slashers adolescentes que predominava nas prateleiras do gênero horror nas frequentadas vídeo locadoras do bairro.

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3 Comentários

  1. João Pires Neto, também conhecido como o Kaos, do saudoso e extinto Fórum Boca do Inferno, correto?

    1. Sim Pedro, eu mesmo! Com menos cabelo, mais peso, mas ainda grande fã de cinema de horror. Bons tempos!

      1. Bons tempos mesmo… quanto a ter menos cabelo, mais peso e ainda ser grande fã do terror, estamos no mesmo barco, hehehe…

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