Mothra, a Deusa Selvagem (1961)

4.4
(7)

Mothra, a Deusa Selvagem
Original:Mosura
Ano:1961•País:Japão
Direção:Ishirô Honda
Roteiro:Shin'ichi Sekizawa, Shin'ichirô Nakamura, Takehiko Fukunaga, Yoshie Hotta
Produção:Tomoyuki Tanaka
Elenco:Furankî Sakai, Hiroshi Koizumi, Kyôko Kagawa, Yumi Itô, Ken Uehara, Takashi Shimura, Seizaburô Kawazu, Yoshifumi Tajima, Akihiko Hirata, Kenji Sahara

Em 1961, surgiu a primeira grande ameaça para Godzilla, uma criatura alada que o incomodaria algumas vezes por conta de suas asas poderosas. Mas, antes, precisou ser apresentada para o público: Mothra, a Deusa Selvagem (Mosura), tem a direção do experiente Ishirô Honda, que era uma das grandes mentes criativas da época, tendo despertado o próprio Godzilla, em 1954, e outra criatura alada em Varan, o Monstro do Oriente (Daikaijû Baran, 1958), e enredo de Shin’ichi Sekizawa, na adaptação do romance de Shin’ichirô Nakamura, Takehiko Fukunaga e Yoshie Hotta.

Trata-se de mais uma fantástica aventura do subgênero “kaiju”, envolvendo monstros gigantes japoneses (Godzilla, Gamera, Rodan, King Ghidora, Mothra…), como consequência da radiação, herdeira do período pós-Segunda Guerra Mundial. No enredo, após um tufão levar uma embarcação ao naufrágio, quatro sobreviventes são avistados na famosa Ilha Infant, próxima de onde foram realizados testes nucleares. Assim que são resgatados e não apresentam sinais de radiação, o Dr.Harada (Ken Uehara) organiza uma expedição ao local, tendo apoio militar do governo Rolisikan, e a presença do repórter divertido Fukuda (Furankî Sakai), do antropólogo Shin’ichi Chûjô (Hiroshi Koizumi), além do arrogante Kurâruku Neruson (Jerry Itô), pensando apenas nos investimentos associados às descobertas.

Na ilha, Chûjô é atacado por plantas carnívoras, descobre uma inscrição antiga numa caverna com fungos gigantes a respeito de uma deusa conhecida como Mothra, e encontra duas mulheres pequenas, gêmeas, com apenas 30 cm de comprimento. Ao tentar pegá-las, Neruson atrai um grupo de nativos e é convencido a deixá-las em seu habitat. Com o fim da expedição e o retorno do grupo para Tóquio, Neruson secretamente organiza outra viagem para a Ilha, e sequestra as mulheres – agora, já apresentadas como fadas – com o intento de lucrar com apresentações musicais. Os nativos entoam um canto, apoiado pelas fadas, e evocam a deusa Mothra.

Primeiramente, surge como um ovo gigantesco, nas ruínas do templo. Depois, nasce uma larva monstruosa que caminha lentamente para o Japão, atravessando o oceano sem que os soldados consigam derrubá-la. Apoio aéreo, tanques, raios atômicos, nada é suficiente para impedir a criatura de chegar ao solo japonês e iniciar uma onda de pânico e destruição. Na Torre de Tóquio, a larva se transforma num imenso casulo, de onde surgirá a famosa mariposa gigante, cujo bater de asas tem o poder de varrer as cidades como um furacão.

Os mistérios em torno da aparência de Mothra foi mantido em sigilo absoluto pelos realizadores, como pode ser visto até mesmo no trailer original, com a revelação apenas no terceiro ato do filme. E também nota-se semelhanças entre essa produção e o clássico King Kong (1933), sobre as intenções de conduzir algo selvagem para a cidade grande para lucrar em apresentações sensacionalistas. Drama, humor característico de Ishirô Honda, bons efeitos especiais de miniaturização e sobreposição de imagens são as principais fórmulas desse sensacional clássico japonês, bastante homenageado, e que despertou Mothra para a galeria dos monstros gigantes. Depois ela seria vista em mais 14 produções, muitas delas envolvendo o rival Godzilla como nos confrontos diretos principalmente em 1964 e 1992.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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