Krampus: O Demônio das Sombras (2016)

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Krampus: O Demônio das Sombras
Original:Krampus Unleashed
Ano:2016•País:EUA
Direção:Robert Conway
Roteiro:Robert Conway
Produção:Robert Conway
Elenco:Amelia Brantley, Bryson Holl, Caroline Lassetter, Daniel Link, Michael Harrelson, Linda Cushma, Juliet Rose Serrato, Dujhan Brown

Sem a menininha capeta do filme anterior, Krampus: O Acordo, Robert Conway resolveu fazer uma outra produção sobre o mito de terror natalino. Não tem relação alguma com o primeiro, além dos créditos apontarem para a mesma direção e roteiro. Uma história nova sobre a criatura, sem os horrendos efeitos digitais, é um bom convite para uma conferida, mas os créditos realmente antecipam que boa coisa não virá. E já pode começar a desconfiar quando, devido ao baixo orçamento, o longa começa com um letreiro enorme, compondo sete telas para explicar o que não poderá ser visto nas ações do criminoso alemão Eric Klaus – percebeu o sobrenome criativo?

Klaus cometeu crimes diversos durante seus dez anos de desserviço à segurança pública, mas já era uma pessoa muito procurada e sentiu o bafo da justiça no cangote. Ele então resolveu enterrar seu tesouro em um local, deixando também uma maldição sobre quem tentasse procurá-lo. Fim do letreiro. Um grupo de caçadores de tesouro parece ter achado o local correto, com o apoio de um guia alemão. Ao cavar rasamente na terra, encontram uma caixa de metal com roupas velhas e uma grande pedra negra, forjada em carvão, e que teria sido usada por São Nicolau no combate aos inimigos. A pedra reage com o fogo de um lampião derrubado, liberando o tal monstro do título, deixando apenas vivo um jovem chamado Coop, antes da pedra rolar rio abaixo.

As ações saltam para o presente, quando Will (Tim Sauer) e Amber (Emily Lynne Aiken) estão levando sua filha adolescente Fiona (Caroline Lassetter) e Tommy (Bryson Holl) para visitar os pais de Amber, Alice (Linda Cushma) e Dale Henderson (Michael Harrelson), no Natal. Também irão participar da união familiar o irmão de Amber, Dave (Daniel Link), sua esposa Vivian (Tori Glawe Osborn) e o intragável adolescente Troy (Taylor Buckley), que, em um posto de combustível, resolve irritar dois caçadores do Pé Grande, Terry (Owen Conway, irmão do diretor) e Rodger (Eric Lettman).

Sem ter como entreter as crianças, Dave convida os jovens para garimpar ouro na região – deve ser divertido peneirar nos riachos -, e Tommy encontra a tal pedra da invocação e a leva para casa. Quando Troy deixa um cigarro aceso próximo da pedra, Krampus desperta mais uma vez para perseguir a todos, isso depois de quase cinquenta minutos em que nada de importante aconteceu, o que explica o subtítulo nacional, O Demônio das Sombras. Além de todos os familiares que terão que encontrar meios de enfrentar uma entidade aparentemente imortal, o roteiro encontra motivos para mostrar alguma nudez, no caso, a da vizinha Bonnie (Amelia Brantley) com o namorado James (Jeffrey Aguilar Jr.), que logo terá o corpo partido por Krampus em um terrível efeito digital.

Na correria para fugir do monstro, com direito a batida de carro mal filmada e atitudes idiotas dos personagens, como saírem sozinhos para procurar pessoas desaparecidas, os sobreviventes chegam a Coop (Kerry Keepers), agora idoso, residente em um trailer, e que tem dinamites guardadas (!!!) e um plano de prender a criatura em uma mina desativada, em outro cenário pessimamente construído. E pensar que entre eles está Troy, o chatão, que parece resistir a tudo, além de gostar de filmar a prima, mas não tem muito fôlego para correr. Será que o grupo conseguirá prender o monstro ou precisará de um sacrifício? Não paguem para ver, como eu fiz. Quando aparecer o bebê Krampus, você já terá amaldiçoado o diretor por uma realização tão ruim.

Os defeitos técnicos continuam evidentes, principalmente na captação de som e enquadramento dos personagens que estão falando. Se melhorou na caracterização de Krampus, manteve a escolha equivocada de um elenco pouco expressivo e em excesso. Para distrair a atenção do espectador, cria-se múltiplos plots, como o do policial Dan (Dujhan Brown), ex-namorado de Bonnie, e com espaço até para a atendente da polícia desperdiçar boa parte dos 75 intermináveis minutos para auxiliar a garota, enquanto não consegue enviar qualquer ajuda. Quem precisa dessa paciência toda é o espectador.

Krampus: O Demônio das Sombras mantém a ruindade da série, sem justificar a realização de um terceiro filme com o monstro, desta vez apenas com o roteiro de Robert Conway. Dirigido por Joseph Mbah, Krampus Origins mostra uma outra caracterização e história para a criatura invocada no Natal, ambientada em uma escola de educação religiosa. Feito apenas para os pouco exigentes, dispostos a encarar mais uma produção bagaceira e mal realizada em algum Natal tedioso.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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