Fear the Walking Dead – 8ª Temporada (2023) (Episódios Finais)

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Fear the Walking Dead - 8ª Temporada
Original:Fear the Walking Dead - Season 8
Ano:2023•País:EUA
Direção:Michael E. Satrazemis, Danay Garcia, SJ Main Muñoz, Phillip J. McLaughlin, James Armstrong, Haifaa Al-Mansour
Roteiro:Andrew Chambliss, Ian Goldberg, David Johnson, Calaya Michelle Stallworth
Produção:Nick Bernardone, Colman Domingo, Frank Hildebrand, David Johnson, Calaya Michelle Stallworth, Jen Wall
Elenco:Kim Dickens, Colman Domingo, Danay Garcia, Austin Amelio, Christine Evangelista, Daniel Sharman, Jenna Elfman, Rubén Blades, Isha Blaaker, Jayla Walton, Antonella Rose, Daniel Rashid

Aquilo que se esperava não aconteceu. Os seis primeiros episódios (veja análise na página 2) realmente encerraram a participação de Morgan Jones (Lennie James) na série, somente dando indicação de que ele estaria retornando a Alexandria. Não se sabe se ele chegou ao destino ou se futuramente haverá algum spin-off contando sua trajetória ao ponto de origem. A partir do dia 23 de outubro a parte final da temporada foi ao ar com o episódio “Anton“, dirigido por Danay García, mostrando o que aconteceu com Victor Strand (Colman Domingo) depois da queda da torre em que comandava. Agora ele é conhecido como Anton e lidera um grupo de estrangeiros, tendo como marido Frank (Isha Blaaker) e adotado como filho o jovem Klaus (Julian Grey).

Madison (Kim Dickens) chega ao local para confrontá-lo, após seu desaparecimento com a destruição do estádio. Seu retorno também coincide com o de outro personagem, Troy Otto (Daniel Sharman), dado como morto no Texas após receber uma martelada de Madison que o deixou cego de um olho. Ele revela que encontrou Alicia e a matou, tendo como prova o braço mecânico da garota, e agora tem a intenção de, como vingança, cortar os braços dos zumbis para atormentar Madison e tomar o local conhecido como PADRE. Strand e Madison são resgatados por Daniel (Rubén Blades), June (Jenna Elfman) e Sherry (Christine Evangelista).

Outra personagem “morta” que retorna à temporada é Charlie (Alexa Nisenson), que, mesmo tendo sendo vista com câncer em estado avançado, milagrosamente foi curada da doença e agora vive em apoio a Luciana (Danay Garcia), refinando petróleo para o PADRE. A volta da garota traz velhas feridas, como o fato dela ter sido a responsável pela morte de Nick, filho de Madison. Com o peso da consciência do confronto e tendo a ameaça próxima de Troy, ela se arriscará numa ação para por um fim nas investidas dos rebeldes.

Por falar em retorno, o nono episódio, intitulado “Santuário“, dirigido por Phil McLaughlin, traz um abalado Dwight (Austin Amelio) retornando ao local onde ficavam os capangas de Negan (Jeffrey Dean Morgan) para resgatar a insulina de Jay (Jack Mikesell). Ainda há alguns reminiscentes no armazém, confrontando o rapaz, além de Sherry, uma ferida e sem confiança June precisando realizar uma cirurgia para extrair a bala de Dove (Jayla Walton), uma das jovens resgatadas pelo PADRE. Com o espaço próximo de ruir, o passado retorna para atormentar Dwight e Sherry que pensam na possibilidade de morrerem ali, enquanto Strand volta a agir com sua personalidade agressiva ao sequestrar a filha de Troy, Tracy (Antonella Rose), para usar como defesa.

Em “Keeping Her Alive“, de Tiago Armstrong, Madison nutre uma esperança de encontrar Alicia mesmo zumbizada a partir de orientações de Tracy e Troy, ao passo que o grupo de Luciana é atacado pelo vilão, dividindo os personagens entre os que querem matar o rapaz e salvar PADRE e a busca pelo cadáver ambulante de Alicia. Troy resolve usar seu conhecimento de comando dos mortos-vivos para enviar um exército para PADRE, como fizera com o estádio, algo que se desenvolve no penúltimo episódio, “Fighting Like You“, comandado por Haifaa al-Mansour.

Por fim, a série encontra seu final com o décimo segundo episódio, “The Road Ahead“, de Michael E. Satrazemis, exibido em 19 de novembro. Um episódio bem estranho porque um personagem que encontra redenção é morto, outro que foi baleado à queima-roupa conseguiu sobreviver, há a informação de que Tracy pode ser filha de Alicia, mas depois é dito que não é, além de um provável reencontro. Em busca de um final feliz, a série parte para o nonsense, com poucas situações fazendo sentido. No começo do episódio, Daniel diz que não vai perdoar Strand pelo que ele fez, mas acaba fazendo as pazes; e ainda reencontra seu gato Skidmark, desaparecido há várias temporadas. São tantos absurdos juntos, típicos de um final de novela, que ficou faltando apenas um casamento.

Como também aconteceu com outras séries, como The Walking Dead e até Supernatural, os criadores, temerosos por um final aberto que possa comprometer o resultado, optaram por amarrar todas as pontas, trazendo um alento a todos os personagens sobreviventes. Esqueceram até da necessidade constante de Madison usar oxigênio, para um final Jack Bauer no final de 24 Horas.

É claro que esse último suspiro da série Fear the Walking Dead não apaga os bons momentos mostrados nas várias temporadas, com suas constantes mudanças narrativas e sequências ousadas de mortes de personagens importantes e reviravoltas. Mas, merecia algo melhor. Se tivesse se encerrado no sexto episódio, sem mostrar o que aconteceu com Strand e nem resgatar vários mortos, somente para criar conflitos (oh, Troy é responsável pela morte de Ofélia, filha de Daniel, então esse reencontro precisa acontecer), Fear the Walking Dead teria uma despedida menos melancólica e mais condizente com o universo apresentado. De qualquer forma, é bom saber que chegou ao seu fim, ainda que mortos ainda estejam caminhando e os sobreviventes ainda terão problemas em suas jornadas pessoais, podendo retornar em novas séries, HQs ou ficar apenas na imaginação dos fãs. Torço por esse último.

Seis primeiros episódios da última temporada

Fear the Walking Dead - 8ª Temporada
Original:Fear the Walking Dead - Season 8
Ano:2023•País:EUA
Direção:Michael E. Satrazemis, Heather Cappiello, Kenneth Requa, Ron Underwood
Roteiro:Andrew Chambliss, Ian Goldberg, David Johnson, Calaya Michelle Stallworth
Produção:Nick Bernardone, Colman Domingo, Frank Hildebrand, David Johnson, Calaya Michelle Stallworth, Jen Wall
Elenco:Lennie James, Kim Dickens, Danay Garcia, Austin Amelio, Christine Evangelista, Jenna Elfman, Rubén Blades, Maya Eshet, Michael B. Silver, Zoey Merchant, Jayla Walton, Daniel Rashid, Gavin Warren, Keisha Tillis, Triston Dye, Jennifer Christa Palmer

A primeira parte da última temporada de Fear the Walking Dead foi ao ar no dia 14 de maio, consistindo em seis episódios, preparando o terreno para os momentos finais. Na verdade, esse “começo do fim” podia muito bem ser o fim sem a necessidade de mais episódios, uma vez que boa parte do que precisava ser resolvido teve uma conclusão satisfatória – à exceção, é claro, da epidemia envolvendo zumbis comedores de carne humana. O único pesar ficou por conta da ausência absoluta de Alycia Debnam-Carey, a principal identificação da série. Como eu não havia lido notícias a respeito, não imaginava que o final da temporada anterior havia apresentado sua última passagem pelos campos mortos desse spinoff.

O principal desafio aos personagens da temporada foi o tal PADRE, e como essa comunidade iria afetar com suas próprias regras de sequestro e treinamento infantil. Assim, o episódio “Remember What They Took from You“, de Michael E. Satrazemis, apresenta um salto temporal de sete anos para apresentar Mo, a menina que Morgan (Lennie James) adotou como filha juntamente com Grace (Karen David), na pré-adolescência, interpretada por Zoey Merchant, mantida no local, também com Madison (Kim Dickens), sendo que esta é prisioneira.

Após umas tentativas de suicídio e conhecendo Mo, com o nome Wren, Madison encontra meios de fugir dali. Reencontram Morgan, a serviço de PADRE, assim como Grace, e tentam levar a garota a uma cabana flutuante em um pântano para resgatar seu passado. Entre idas e vindas para que a garota decida se fica ou se desiste de PADRE, o segundo episódio parte para outros núcleos, mostrando June (Jenna Elfman) como uma rebelde contra a comunidade, caçando os soldados para cortar seus dedos de gatilho, e decidindo ajudar Dwight (Austin Amelio), Sherry (Christine Evangelista) e seu filho, também crescido, Finch (Gavin Warren), sofrendo de apendicite. A excursão conduz o grupo até um vagão, onde são feitos experimentos com radiação e uma sugestão de cura à doença que transforma pessoas mordidas em zumbis.

No terceiro episódio, “Odessa“, PADRE terá seu começo apresentado e os vilões da temporada, o irmãos Shrike (Maya Eshet) e Ben (Daniel Rashid), cujo pai, Krennick (Michael B. Silver), como parte do Exército Americano, doze anos antes, criou o projeto, com separação de recursos e apoio, além de preparação para jovens sobreviventes. Morto por zumbis, os filhos resolveram fingir que ele ainda estaria vivo e desenvolver a comunidade PADRE. Além de June, Daniel (Rubén Blades), que encontrou meios de evitar a confusão mental, lidera um grupo de rebeldes dispostos a invadir a ilha e destruir o local.

Em “King County“, Morgan decide voltar para sua terra natal, King County, em busca de seu filho zumbi Duane, transformado por sua esposa falecida. Essa jornada, com Grace e Mo, com a perseguição de Dwight e Sherry, resulta em um retorno a um local conhecido de The Walking Dead, além de uma mordida sofrida por Grace, obrigando, no episódio seguinte, “More Time Than You Know“, de Heather Cappiello, um confronto com os soldados de PADRE e uma tentativa de usar o experimento de June para evitar a transformação de Grace. Aparentemente, Alicia e Finch conseguiram se curar com a exposição à radiação. Aparentemente…

A meia-temporada termina com “All I See Is Red“, concluindo os confrontos com PADRE e despertando uma versão surtada de Morgan. Devido ao elevado estresse pelas perdas, Morgan desenvolveu um “modo insano“, em que enxerga vermelho e perde a noção da realidade, o que pode servir tanto como ajuda em momentos críticos como algo perigoso à manutenção de seus conhecidos. Tal condição permite algumas sequências de suspense ao mesmo tempo que seu uso excessivo passa a deixar o espectador desnorteado, perdendo momentos importantes, sem saber como as coisas aconteceram.

Fear the Walking Dead conclui-se levemente interessante, sem uma grande ameaça. Posiciona alguns personagens para os episódios finais, principalmente no que envolve Morgan e seu desejo de retornar a Alexandria. Será que voltaremos a ver o local principal de The Walking Dead ou algo impedirá sua ida até lá? Pode ser que a temporada resgate outros personagens da série-mãe e mostre como eles estão atualmente, algo que seria bastante interessante para os fãs de toda essa jornada de mortos, perdas e conflitos, iniciada há 13 anos. A partir do dia 22 de outubro, saberemos a resposta…

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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