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A Árvore da Maldição
Original:The Guardian
Ano:1990•País:EUA
Direção:William Friedkin
Roteiro:Dan Greenburg, Stephen Volk, William Friedkin
Produção:Joe Wizan
Elenco:Jenny Seagrove, Dwier Brown, Carey Lowell, Brad Hall, Miguel Ferrer, Natalija Nogulich, Pamela Brull, Gary Swanson, Frank Noon, Theresa Randle, Xander Berkeley

“Por milhares de anos, uma ordem religiosa conhecida como druidas adorou árvores, às vezes até sacrificando seres humanos a elas. Para esses adoradores, cada árvore tem seu espírito guardião. A maioria está alinhada com a bondade e a vida, mas algumas incorporam poderes das trevas e do mal.”

Desde A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1982), as árvores podem representar muito mais do que um cenário natural em um filme de terror. Sabendo como explorá-las, pela atmosfera claustrofóbica que as envolve, elas se portam como um grande elemento para a construção do medo. Filmes como Poltergeist, o Fenômeno (Poltergeist, 1982), na que quase engole Robbie Freeling, ou o labirinto proposto pelA Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), e até mesmo o cadáver flutuante de O Dom da Premonição (The Gift, 2000), também de Sam Raimi, são alguns dos bons exemplares de sua capacidade assustadora, propiciando uma sensação sempre incômoda de desolação, frieza e insegurança.

Elas também devem ter sido a grande inspiração para a volta de William Friedkin ao terror, depois do clássico O Exorcista (The Exorcist, 1973). Baseado no romance The Nanny, de Dan Greenburg, sobre uma babá que rouba crianças, A Árvore da Maldição foi um filme bastante complicado em seu processo de produção. Inicialmente foi idealizado como um thriller, enquanto ainda havia o envolvimento de Sam Raimi, mas passou por diversas transformações já durante as filmagens. O roteirista Stephen Volk planejava um argumento sobre o demônio Lilith, da mitologia judaica, mas Friedkin não gostou da ideia, pedindo uma narrativa mais “pé no chão“, como um thriller de sequestro. A Universal Pictures insistiu no uso de elementos sobrenaturais, aproveitando a fama do diretor, o que levou Volk a um colapso nervoso e afastamento completo da produção.

The Guardian passou ao conceito de uma entidade mítica quando a atriz Jenny Seagrove, que faz a terrível Camila no filme, visitou Friedkin em Los Angeles e ele falou sobre seus estudos referentes à mitologia druida. “Páginas estavam voando em nós […] e então de repente surgiu essa ideia desse tipo estranho de árvore, e de repente minha personagem não era apenas uma babá, mas ela era uma personagem druida que se transformou em uma parte da árvore, e ela teve que alimentar a árvore – as coisas estavam evoluindo o tempo todo.” As mudanças não foram muito bem aceitas pela atriz, que preferia um suspense sobre uma babá sequestradora, mas ouviu da própria Universal sobre a preferência do público por temática sobrenatural. “Acho que você está completamente errado. Este filme é uma fantasia total, e é simplesmente horrível.”, reforçou a atriz. Dois anos depois, seria lançado o sucesso A Mão que Balança o Berço (The Hand That Rocks the Cradle, 1992). Seagrove telefonou novamente para o conhecido dela da Universal e ele finalmente concordou: “Não. Nem me fale sobre isso, você estava certa“.

Mesmo com esses bastidores conturbados, A Árvore da Maldição não pode ser considerado um filme ruim. Arrecadando pouco mais de US$17 milhões nas bilheterias e recebendo muitas críticas negativas injustas, a verdade é que ali até tem uma trama interessante, com uma árvore de aspecto assustador, com rostos de bebês talhados, circundada por lobos vorazes, sob o comando de uma entidade bela e perversa. É claro que há muitos clichês ali, além de algumas obviedades do enredo, mas traz momentos tenebrosos, boas atuações e excelentes aspectos técnicos.

Começa com o modus operandi da inimiga sobrenatural: o casal Molly (Natalija Nogulich) e Allan Sheridan (Gary Swanson) deixam seu bebê sob os cuidados da babá Diana Julian, sem imaginar que se trata de um ser conhecido como “Hamadryad“, uma espécie de ninfa da mitologia grega. Quando a mãe percebe, já é tarde: o pequeno serviu de alimento a uma árvore, com galhos grossos e visual distorcido. Três meses depois, o casal de protagonista é apresentado: Phil (Dwier Brown) e Kate Sterling (Carey Lowell) acabam de se mudar para Los Angeles, onde ela anuncia estar grávida.

Kate dá à luz o pequeno Jake, precisando contratar uma babá para ajudar nos cuidados. Algumas entrevistas até que a escolhida é Arlene (Theresa Randle), que morre em um acidente com sua bicicleta. A segunda opção é Camila (Seagrove), que aparenta ter muito cuidado e atenção nos procedimentos de entretenimento, criação e proteção, principalmente contra três punks que aparecem na mata, somente para que possamos vê-la se vingando com seus poderes de uso da árvore como defesa e seus lobos. Outro que logo terá um destino parecido será o rapaz responsável pela projeção da casa, Ned Runcie (Brad Hall), que irá se interessar pela beleza de Camila, mas verá algo na floresta que o deixará bastante perturbado.

Phil irá perceber algo de estranho na babá, a partir de seus pesadelos e pelo contato de Molly sobre a tal ladra de bebês Diana. O problema é que o próximo ciclo se aproxima, quando o bebê passa a ter sangue puro, e Camila já está prestes a levar Jake como sacrifício à árvore maldita. Cabe a Phil pedir ajuda à polícia, investigar por conta própria e até partir como um Ash para enfrentar o mal que circunda sua família.

A Árvore da Maldição é bem simples como produção do gênero. Toda a linha narrativa é facilmente antecipada pelo espectador, ainda que bem realizada. Em um dos melhores momentos, Camila irá atormentar o casal duplamente, com seus lobos no encalço de Kate, enquanto a vilã flutua no bosque atrás de Phil. A boa atuação de Jenny Seagrove contribui significativamente para o desempenho da produção, mesclando olhares de carinho e frieza pela família, com uma boa distância de Rebecca De Mornay, é importante ressaltar.

Sem sustos – mesmo os tradicionais jumpscares -, o filme segue o padrão VHS dos anos 90. Quando exibida na TV, apresentou um final alternativo bem ruinzinho e sem impacto, tanto que o diretor até pediu que seu nome fosse retirado dos créditos e substituído por “Alan von Smithee” (pseudônimo de diretor que não quer assumir projetos). Em sua biografia, ele nem sequer menciona o trabalho, como se fosse realmente uma bomba ou tão horrível quanto acredita Seagrove. Não é, tanto que o longa também alcançou status de cult ao longo dos anos. E ir além de sua proposta também seria pedir muito: A Árvore da Maldição é um bom terror sobrenatural, longe de ser assustador, e até impossível de figurá-lo entre as boas produções envolvendo árvores perversas.

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