![]() O Duende 4: No Espaço
Original:Leprechaun 4: In Space
Ano:1996•País:EUA Direção:Brian Trenchard-Smith Roteiro:Dennis A. Pratt Produção:Jeff Geoffray, Walter Josten Elenco:Warwick Davis, Brent Jasmer, Jessica Collins, Guy Siner, Gary Grossman, Rebecca Carlton, Tim Colceri, Miguel A. Núñez Jr., Debbe Dunning, Mike Cannizzo, Rick Peters, Geoff Meed, Ladd York |
O evento anual de lançamento de produções da franquia O Duende continuou com o quarto e péssimo filme O Duende 4: No Espaço (Leprechaun 4: In Space, 1996). Figurando facilmente na lista dos piores filmes de todos os tempos, o quarto foi além da série que se mostrava bastante equivocada desde o longa original, transportando a ameaça de uma entidade mitológica para um futuro distante, sem sequer utilizar o termo “duende” em qualquer momento na produção ou dar indícios de uma continuação. Passa a impressão que o roteiro de Dennis A. Pratt (de Kickboxer 3: A Arte da Guerra, 1992) foi escrito para um horror qualquer, sobre uma criatura alienígena numa nave — haja criatividade! — e alguém achou que poderia compor a franquia, enchendo-o de piadas sem graça e destruindo a base frágil que fora construída nos três primeiros filmes.
Foi o terceiro filme a abordar algum personagem conhecido no espaço. Em 1992, as Criaturas estiveram por lá em Criaturas 4; depois foi a vez de Emanuelle in Space (1994), seguida pelo próprio Duende e Pinhead (Hellraiser 4: A Herança Maldita, 1996) para depois abrir caminhos para Jason Voorhees (Jason X, 2001), Drácula (Drácula 3000, 2004) e até a casa maldita de Amityville (Amityville in Space, 2022). Não sei exatamente a razão do interesse de propor algo assim, principalmente quando não se tem os recursos adequados para apresentar uma produção futurista, evidenciando a época de sua realização.
Ambientado em 2096, em um planeta qualquer e que poderia ser qualquer caverna de qualquer lugar, o Duende (Warwick Davis) está se dedicando ao cortejo da Princesa Zarina (a limitadíssima Rebecca Carlton), com intenções de se casar e tornar-se rei por lá. Convencendo-a através de suas joias, eles não imaginam que uma equipe de fuzileiros espaciais está se aproximando para uma missão de destruição de uma ameaça alienígena ao processo de mineração, liderados pelo Sargento “Metal Head” Hooker (Tim Colceri), que acaba de apresentar a contragosto do grupo a bióloga Dra. Tina Reeves (Jessica Collins), seguindo as ordens do comandante ciborgue Dr. Mittenhand (Guy Siner), usando uma televisão pequena como instrumento de comunicação.
No confronto com o Duende, que não usa seus poderes e atira nos soldados, e ainda porta até mesmo um sabre de luz, uma granada é solta e, antes de ferir Zarina, explode a criatura. Um dos fuzileiros, Kowalski (Geoff Meed), urina nos restos mortais do Duende apenas para que ele use o acesso ao corpo do soldado pelo pênis — sim, olha o nível do roteiro. Posteriormente, na nave, enquanto o grupo festeja numa boate com música dos anos 90, Kowalski tenta transar com a oficial Delores (Debbe Dunning), liberando a criatura, que emerge de seu órgão genital. Interessado em resgatar a Princesa, que está servindo de estudo para o cientista Harold (Gary Grossman) visando regeneração, o Duende ficará rondando o local, atacando aqueles que cruzam seu caminho.
O Duende 4: No Espaço é excessivamente ruim. Difícil encontrar palavras para descrever o quanto o filme de Brian Trenchard-Smith (diretor do terceiro, O Duende Assassino, e A Noite dos Demônios 2) é irritante e desagradável. Nem mesmo Tina e seu affair com o soldado Books (Brent Jasmer) é suficiente para você se importar com o destino deles. Aqui a mitologia é completamente ignorada: sem trevo de quatro folhas (O Duende), sem ferro fundido (O Retorno do Duende), sem espirros visando o casamento (O Retorno do Duende), sem três desejos (O Retorno do Duende) ou cada ouro representando um (O Duende Assassino), sem personagens se transformando na criatura (O Duende Assassino) e até mesmo sem a fala rimada do vilão. O pote de ouro dele é transformado nas joias que usou para agradar a princesa, sem as tradicionais moedas vistas anteriormente.
Warwick Davis tem realmente o carisma da franquia, mas aqui está sem graça até em suas piadinhas. E as tentativas de humor são vexatórias: Harold leva um golpe de uma forma circular na face e fica com o rosto como o objeto, o Duende cresce de maneira descomunal e olha para ver se seu pênis cresceu; Hooker se transforma em drag queen e se perde um tempo precioso com a apresentação estereotipada do ator. Mesmo com poderes ilusórios — a cena em que ele finge ser Tina tem uma interpretação da moça de chorar —, o combate do Duende é físico ou com armas de fogo, sem criatividade. E os efeitos fazem jus ao nível ruim da produção, até mesmo nas viagens da nave espacial, aparentemente realizados com recursos de computador MSX.
Poderia ser divertido, mesmo com suas falhas, mas só se mostrou incômodo, arrastado e mal realizado. É inexplicável até mesmo para fãs de bagaceiras que algo nesse nível tenha sido feito, que alguém investiu recursos nesse filme e nas próximas duas continuações, O Duende 5 (Leprechaun in the Hood, 2000) e O Duende Perverso (Leprechaun: Back 2 tha Hood, 2003), todas não honrando a criação de um personagem que merecia roteiros e realizações melhores.






