0
(0)

O Retorno do Duende
Original:Leprechaun 2
Ano:1994•País:EUA
Direção:Rodman Flender
Roteiro:Turi Meyer, Alfredo Septién
Produção:Donald P. Borchers
Elenco:Warwick Davis, Charlie Heath, Shevonne Durkin, Sandy Baron, Adam Biesk, James Lancaster, Linda Hopkins, Arturo Gil, Kimmy Robertson, Clint Howard, Andrew Craig, Billy Beck

Apesar dos esforços de Warwick Davis na construção de um personagem interessante dentre os monstros contemporâneos, principalmente os nascidos nos anos 80, é inexplicável a sobrevida de uma franquia tão ruim como a do Duende. Lançado em 1993, O Duende, de Mark Jones, já se mostrava irritante, mesmo com a participação de uma novinha Jennifer Aniston. Piadas infantis e uma ameaça pouca assustadora, nem mesmo a atmosfera rural e a boa interpretação do vilão foram capazes de justificar uma sequência. Ainda mais oito. E tanto o primeiro quanto o segundo, O Retorno do Duende (Leprechaun 2, 1994), incrivelmente foram lançados nos cinemas, como se o público fosse se interessar por uma produção repleta de equívocos cujas continuações ignoravam sua própria mitologia.

O segundo filme começa em 994, na Irlanda, no Dia de São Patrício, nas comemorações do milésimo aniversário do Duende. Ele planeja se casar com a filha de seu escravo William O’Day (James Lancaster), desnecessariamente explicando a ele como isso poderia acontecer: a garota (a limitadíssima Shevonne Durkin) deveria espirrar três vezes, sem que ninguém diga “Deus te abençoe” — é sério! Se isso acontecer, ela passará a ser sua noiva, mesmo a contragosto. Quando a jovem espirra pela terceira vez, o pai diz o que nem precisava saber — por que, raios, o Duende precisou contar pra ele? — e a liberta da maldição, sendo morto pela criatura, que ainda avisa que tentará com uma descendente dela em seu próximo milésimo aniversário.

The Oscar goes to…

Mil anos depois, com o nome Bridget — e ainda interpretando mal — ela namora o jovem Cody (Charlie Heath), que conduz uma atração em Los Angeles de passeio por lugares assustadores com o seu tio Morty (Sandy Baron). Com o tio constantemente bêbado, é o rapaz que faz a tour, levando no passeio turistas ilustres como Clint Howard e Kimmy Robertson, enquanto deixa a namorada para sair com um outro, um tal Ian (Adam Biesk), um óbvio candidato a cadáver. Ao passarem em um dos locais, um mendigo assusta os passageiros, somente para depois ter o dente de ouro arrancado pelo Duende. Ele depois será visto na mesma delegacia em que Cody estará preso por atravessar um semáforo vermelho (oi?), numa facilidade do roteiro para ajudá-lo futuramente a saber onde reside o vilão. Logo o Duende começará a se aproximar de Bridget, obrigando Cody e seu tio a tentarem protegê-la, descobrindo em livros sua fraqueza no toque a ferros fundidos — não era um trevo de quatro folhas? — e a obrigação de atender a três pedidos, algo que irá mudar a cada filme. Diferente de sua ascendente, Bridget irá espirrar três vezes e ficará sob os domínios do Duende em sua moradia no interior da árvore, uma ambientação que poderia fazer parte de Xuxa e os Duendes.

As ideias ruins se espalham por toda a narrativa, no roteiro convencional de Turi Meyer e Alfredo Septién. Aqui o Duende deixa de lado a obrigação de limpar os sapatos e não teme trevos, mas mantém sua fala rimada quando lhe é conveniente, e aparece com seu veículo personalizado mais uma vez. O interesse na manutenção de seu pote de ouro continua, assim como adquirir mais como no dente do mendigo, estranhamente mantido vivo. Cody, inclusive, utiliza uma moeda encontrada como chantagem em dado momento; e Morty, movido pela ganância, acerta ao deixá-lo bêbado em um bar, frequentado por anões que comemoravam o Dia de São Patrício — destacando a presença do ator e produtor Tony Cox —, mas erra posteriormente ao fazer um pedido mortal, quando o Duende estava preso em um cofre. A criatura utiliza de sua capacidade ilusória para enganar os personagens como Ian, que tem o rosto mutilado por um cortador de grama, sem grafismo, ainda que esqueça desse poder em momentos oportunos.

Só assim para encarar…

Dirigido por Rodman Flender sem inspiração e sem saber se faz uma comédia ou um horror, O Retorno do Duende é uma continuação ruim de um filme que já não era grande coisa. Depois deste, todas as continuações seriam lançadas diretamente em vídeo iriam manter o nível ou melhorar levemente como o terceiro, O Duende Assassino (Leprechaun 3, 1995). Vieram sem qualquer necessidade: O Duende 4: No Espaço (Leprechaun 4: In Space, 1996), O Duende 5 (Leprechaun in the Hood, 2000) e O Duende Perverso (Leprechaun 6: Back 2 Tha Hood, 2003) — todos com Warwick Davis bem caracterizado, mas desperdiçado em roteiros ruins. Por fim, ainda foram realizados mais exemplares: O Duende: As Origens (Leprechaun: Origins, 2014), com o monstrinho sendo interpretado por Dylan Postl, O Retorno do Duende (Leprechaun Returns, 2018), , tendo Linden Porco como antagonista, e Leprechaun: The Beginning (2025), lançado ano passado. Aliás, Linden Porco também esteve no curta Leprechaun Revenge, de Jason e Michael Leavy (produtores de Terrifier 3), que seria uma continuação de Leprechaun Returns. Conseguiu acompanhar?

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *