
![]() Amsterdamned - Caçada no Canal da Morte
Original:Amsterdamned
Ano:1988•País:Países Baixos, Holanda Direção:Dick Maas Roteiro:Dick Maas Produção:Dick Maas Elenco:Huub Stapel, Monique van de Ven, Serge-Henri Valcke, Hidde Maas, Wim Zomer, Tanneke Hartzuiker, Lou Landré, Tatum Dagelet, Pieter Lutz, Door van Boeckel, Koos van der Knaap, Paul van Soest |
Uma dica boa e diferente disponível no Darkflix+ é o ótimo Amsterdamned – Caçada no Canal da Morte. Construído como um competente thriller policial, o longa, o terceiro do cineasta holandês Dick Maas, possui elementos slasher suficientes para justificar a conferida dos amantes do horror.
A cena de abertura já é um arraso: apoiados em um plano subjetivo, acompanhamos uma figura misteriosa que emerge dos canais holandeses, e segue à procura de algo. Enquanto isso, uma prostituta passa por uma situação de violência e é jogada para fora de um táxi no caminho para casa. Antes que pudesse se recompor, a garota topa com uma figura escondida sob um traje de mergulho saída dos canais, que a esfaqueia rapidamente repetidas vezes. A construção inteira da cena é primorosa, com doses de suspense e trilha incidental adequadas, num crescendo que é esperado mas que funciona muito bem.
A partir daí, a trama entra nos moldes dos thrillers policiais clássicos, e passamos a acompanhar o detetive Eric Visser (Huub Stapel), escalado para capturar o assassino, que em pouco tempo passa a deixar um rastro de corpos pelos canais de toda a cidade.
Apesar de, no terceiro ato, as motivações o enquadrarem entre os filmes medianos da categoria, Amsterdamned impressiona por outras características que o colocam como um slasher “diferente” do que se estava habituado em 1988. A começar pelo roteiro “limpo”, sem excessos e sem bobagens. Os personagens são bem elaborados, e as tensões inerentes entre eles, que poderiam ser utilizadas de forma desnecessária, aqui nem ganham espaço – por exemplo, uma antiga rivalidade entre os dois parceiros policiais e que poderia render muita tolice e decisões erradas em outros filmes. Aqui não. A tensão é pontuada apenas para esclarecer o tipo de interação que há entre eles. O mesmo vale para as dinâmicas românticas, que aqui são apresentadas de forma adulta e amadurecida, algo bem distante do que costumamos ver nos slashers americanos do período. O foco é outro.
O assassino, também, possui seu “espírito” original e único, como em todo slasher que se preze, mas aqui ele não é o protagonista da aventura. Mesmo com um traje que o destaca e ferramentas (armas) associadas à temática (mergulho), ele é um vilão, e como deveria ser, não é carismático, e o espectador torce para que seja pego.
E é nessa caçada que Amsterdamned brilha. À moda dos melhores filmes policiais das décadas de 1960 e 1970, o diretor Dick Mass nos presenteia com ALTAS cenas de perseguição, algo de fazer o espírito de Steve McQueen brilhar de orgulho. O terceiro ato do filme, inclusive, é marcado por uma longa cena de perseguição fluvial, algo difícil de ver por aí. Realista, poucos cortes, provavelmente com poucos artifícios, enfim, pauleira.
Outro ponto positivo é o uso de Amsterdam como personagem. Além do uso eficiente das panorâmicas, as disposições gerais da cidade – os canais, as ruas, o trânsito, os hábitos do povo local e etc – contribuem ativamente e até definem o desenrolar dos acontecimentos em cena.
Uma curiosidade é que Amsterdamned é o terceiro longa de Dick Maas. Seu primeiro longa é o curioso e interessante O Elevador Assassino, filme excêntrico sobre um elevador “sobrenatural” que mata seus usuários, também disponível no Darkflix+. Enfim, taí uma dica legal, ou duas, para a turma dos slashers, especialmente aqueles que garimpam produções mais sérias (ou menos farofa) da década de 1980.




