
![]() O Som da Morte
Original:Whistle
Ano:2025•País:Canadá, Irlanda Direção:Corin Hardy Roteiro:Owen Egerton Produção:Whitney Brown, David Gross, Macdara Kelleher Elenco:Dafne Keen, Sophie Nélisse, Sky Yang, Jhaleil Swaby, Ali Skovbye, Percy Hynes White, Mika Amonsen, Michelle Fairley, Stephen Kalyn, Nick Frost, Conrad Coates |
“Jovens envolvidos com objetos amaldiçoados” já é um subgênero dos mais incômodos. Basicamente todos os clichês rondam por esse conceito envolto em bocejos, substituindo os rostos, os objetos e as ameaças. Lembra da caixinha de 7 Desejos (Wish Upon, 2017), da mãozinha de Fale Comigo (Talk to Me, 2022) e da tábua circular de Witchboard (2024)? Sem mencionar as tradicionais tábuas ouijas, esses artefatos geralmente têm letras miúdas para explicar seu modo de uso, mas como as ideias se repetem à exaustão até se justifica a falta de interesse em lê-las ou saber mais a respeito. O troço da vez é um crânio simpático com dizeres astecas e que tem uma cano na parte de trás com uma entrada que você terá toda a curiosidade do mundo para colocar a boca, mesmo não conhecendo a procedência.
Depois que Mason ‘Horse’ Raymore (Stephen Kalyn) fez a cesta perfeita numa competição de basquete na Pellington High School, ele é visitado por uma entidade em chamas que insistiu em provocar sua morte, mesmo depois de ele ter quebrado o objeto em pedacinhos. Após essa tradicional cena de morte, é apresentada a protagonista de O Som da Morte, a insossa Chrys Willet (Dafne Keen), definida no diálogo roteirizado com seu primo Rel Taylor (Sky Yang) e no acréscimo do amigo de Mason, Dean (Jhaleil Swaby), que ela teve tem problemas com drogas, algo que ocasionou uma tragédia com o pai. Em menos de dez minutos, você até já sabe que o rapaz trabalha numa siderúrgica, que Chrys terá interesse na diabética Ellie (Sophie Nélisse, de Yellowjackets) e o pastor traficante Noah (Percy Hynes White) será o vilão ocasional. Faltou apenas uma senhora que sabe de tudo… ou não!
Chrys encontra o objeto em seu armário, identificado com o nome “Horse” — mais óbvio que isso, impossível. Mas ele não foi destruído pelo rapaz? Não se sabe a razão, mas ele se reconstruiu e apareceu magicalmente no armário do garoto morto. É claro que Chrys irá guardar na bolsa, assim como também não será difícil para ela colocar na carteira da sala de detenção para chamar a atenção dos colegas e do professor Craven (Nick Frost atuando sério) — Wes deve ter gostado da homenagem póstuma —, que confisca a caveirinha por imaginar que possa vendê-la na internet, não sem dar uma assopradinha antes.
Ao ouvir um som estranho, o professor se ausentará da sala, somente para Rel retornar ao local para buscar sua revistinha do Vingador e roubar a caveirinha para a festa na piscina. É lá que Grace (Ali Skovbye) não conseguirá conter sua vontade de assoprar a caveirinha, amaldiçoando todo o grupo. Eles percebem o risco quando descobrem que Craven morreu e estão prestando uma homenagem no auditório, que terá importância na cena no meio dos créditos. Só não saberão ainda que ele havia encontrado uma assombração em estado terminal de câncer, que pressionou seus pulmões até levá-lo à condição do algoz. É claro que até esse momento a câmera de Corin Hardy (de A Freira, 2018) terá flagrado uma caixa de charutos e mostrado o professor sempre com um cigarro em mãos.
Não se sabe porque não houve estranhamento no modo como o corpo fora encontrado — embora Mason ter morrido em chamas no chuveiro também não tenha despertado nenhuma investigação, sendo relacionada a vazamento de gás. Sem muita dificuldade, Chrys e Ellie terão acesso aos registros médicos da morte de Horse, criando um suspense vazio em que um médico quase flagra as meninas olhando a ficha do rapaz para descobrir que a dentição aponta alguém em idade avançada. E cadê os investigadores e familiares tentando entender esse mistério?
Ao tentar devolver a caveirinha à família de Mason, sua avó Ivy (Michelle Fairley), nos estágios finais de câncer, ajuda a entender o que está acontecendo, explicando que conseguiu o objeto em um mercado clandestino da Guatemala. Certo, mas por que as moças não fizeram o serviço completo e perguntaram sobre como impedir que aquilo aconteça, necessitando de uma nova visita? Nem é preciso dizer que as duas terão fácil acesso à moradia e até alcançarão o museu particular da senhorinha, com todos os itens que mostram seu interesse por objetos malditos!
Além desse excesso de facilidades, o roteiro de Owen Egerton também faz referências diretas à franquia Premonição, desde o “enganar a morte” para o “ninguém morre duas vezes“. O conceito é até interessante, ainda que não inovador — vide Jessabelle (2014) —, e o longa até reserva alguns momentos divertidos como a da Festa da Colheita, e tem algumas mortes digitais sangrentas. Infelizmente, não são suficientes para que esse terror teen com um Nick Frost sem graça valha a recomendação.




