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Os Estranhos: Capítulo Final
Original:The Strangers: Chapter 3
Ano:2026•País:EUA, Espanha
Direção:Renny Harlin
Roteiro:Alan R. Cohen, Alan Freedland
Produção:Alastair Burlingham, Mark Canton, Charlie Dombek, Christopher Milburn, Gary Raskin, Courtney Solomon
Elenco:Hannah Galway, Ema Horvath, Krystal Ellsworth, Gabriel Basso, Madelaine Petsch, Richard Brake, Jake Cogman, Nola Wallace, Janis Ahern, Pedro Leandro, George Young, Rachel Shenton, Ben Cartwright

Renny Harlin e David Gordon Green podem ser convidados para a mesma festa, a dos que maltratam filmes transformando-os em trilogias desnecessárias. Se Halloween tinha pelo menos um apelo populista, por envolver um ícone de horror e a proposta de uma parte 2 bastarda, por outro lado, não é possível entender o que Harlin tinha em mente quando achou que o horror claustrofóbico Os Estranhos (The Strangers, 2008) poderia se transformar em três filmes. Ainda que o longa de Bryan Bertino tenha méritos, não havia necessidade de expandir esse universo para uma cidade maldita e estabelecer uma conexão religiosa, como se os três mascarados fossem entidades que mantivessem a lavoura bem abastecida. E o terceiro filme apresentou exatamente os argumentos que contrariam uma ideia aparentemente apocalíptica.

O primeiro capítulo foi focado no casal de namorados Maya (Madelaine Petsch) e Ryan (Froy Gutierrez) nas comemorações de cinco anos de união, tendo que passar a noite em um airbnb na sonolenta e hostil cidade de Vênus, em Oregon. No restaurante local, conhecem brevemente um casal e o xerife Rotter (Richard Brake), antes de serem aterrorizados na mesma noite pelos assassinos Scarecrow, Dollface e Pin-Up Girl. Ryan é morto no local, enquanto Maya resiste ao ataque, sendo levada ao hospital com ferimentos que exigiriam um bom tempo de atestado.

 

Ali, conforme visto no capítulo dois, ela conheceu a enfermeira Danica (Brooke Lena Johnson), que posteriormente lhe apresentou três amigos, o ex-amigo militar Chris (Florian Clare), e os colegas de moradia Wayne (Milo Callaghan) e o bebum Gregory (Gabriel Basso). Outros encontros envolveram a fazendeira Shar (Lily Knight) e o investigador Billy Buford (Joplin Sibtain), além de um paramédico que pretendia levá-la a Portland e um javali raivoso. Nomes que nem importam muito quando você é a final girl de uma franquia: basicamente todos ali terão encontros com os “estranhos“, restando apenas Maya e alguém que terá importância neste último filme. Ao final, ela consegue cravar uma tesoura no pescoço da Pin-Up Girl, matando-a para o lamento do “espantalho” e da “cara de boneca“. Flashbacks mostraram o primeiro assassinato de Scarecrow e Pin-Up Girl: uma garotinha chamada Tamara.

O último capítulo tem início com o assassinato de uma jovem, Claire (Hannah Galway), três anos antes, somente para o filme apresentar algo além dos créditos — uma cena que deve ter sido gravada e inserida apenas pela metragem, uma vez que não tem importância alguma. Um letreiro em tela preta traz a definição do que seria um “serial killer“, algo que todo mundo já sabe, mas que serve para deixar a entender que os mascarados são na verdade vítimas e não os vilões! Maya então segue solitária na estrada, dando algumas mancadinhas para lembrar que já apanhou muito nos outros filmes, e vai até uma igreja, onde acontece a “surpreendente” revelação de quem seria o Scarecrow: nem precisava, se você levar em consideração o extermínio de quase todo o elenco restante no filme anterior.

A intenção dos mascarados é fazê-la ocupar o emprego da falecida Pin-Up Girl, colocando-a frente a frente com um casal para que ela tenha a sua formatura. Cenas em flahsbacks mostram o julgamento das versões pré-adolescente dos assassinos de Tamara e a promessa ao juiz que irão se comportar. Como não conseguem evitar o gosto por sangue, a dupla é ajudada por alguém que apenas pede que eles nunca matem pessoas da cidade de Vênus. Assim, apesar das falas constantes de um pastor (Eric Hathern) pelo rádio, não existe um culto religioso, mas uma cidade que acoberta os desaparecimentos e apenas isso. Como Maya é a heroína da franquia, claro que ela resistirá aos incentivos sangrentos de Dollface e Scarecrow, enfrentando-os em seu esconderijo clichê: não faltou o santuário com registros do passado e até mensagens escritas nas paredes como “Matar“, “Caçar“, “Morrer“, para compor o cafofo dos assassinos.

Apesar dos três filmes terem sido rodados juntos, a partir do roteiro co-escrito pelas mesmas pessoas, Alan R. Cohen e Alan Freedland, é impressionante o quanto eles pouco dialogam entre si. Por exemplo, é claro que os mascarados gostam de brincar com suas vítimas, como aconteceu com Maya e Ryan, em um jogo de tortura psicológica até a execução. No entanto, esse jogo só aconteceu com eles pois a partir de então o que se segue são ataques ágeis, com portas de papelão sendo destruídas e as vítimas tendo um encontro com as machadadas de Scarecrow. Desse modo, a brincadeira do “Tamara está?” não faz o menor sentido, se eles apenas matam de maneira rápida e com satisfação.

Chegam a Vênus a irmã de Maya, Debbie (Rachel Shenton), seu marido Howard (George Young) e o segurança Marcus (Miles Yekinni) para buscar informações da desaparecida. Notando que o xerife Rotter tem um comportamento suspeito — basicamente arrastando um corpo em um saco preto em plena luz do dia —, eles resolvem segui-lo. Apesar da cidade ser minúscula, como a Maya já mostrou em suas andanças e fugas, eles só chegam ao destino à noite, apenas para coincidentemente se depararem com mais uma aula de assassinato com o professor Scarecrow.

Os Estranhos: Capítulo Final não reserva nem sequer um clímax adequado. Basicamente tudo é previsível como se imagina, e Maya nem precisa se esforçar para se tornar um anjo vingativo que agora parou de mancar, sem luta corporal ou qualquer tensão. Com apenas 80 minutos, a única boa notícia sobre este terceiro longa de Renny Harlin é que, diferente de Sexta-Feira 13 – Parte 4: O Capítulo Final (1984) e Jogos Mortais: O Final (2010), este realmente não trará mais filmes.

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