4.3
(3)

Mother of Flies
Original:Mother of Flies
Ano:2025•País:EUA
Direção:John Adams, Zelda Adams, Toby Poser
Roteiro:John Adams, Zelda Adams, Toby Poser
Produção:Toby Poser
Elenco:John Adams, Zelda Adams, Toby Poser, Lulu Adams, Trey Lindsay, Noble Eiden-Wilson, Jessica Beveridge

A Família Adams está de volta — sim, com apenas um D e sem relação alguma com a criação de Charles Addam de 1938. Quem acompanhou minha análise sobre Hellbender (2021) deve se lembrar dessa família faz-tudo, em que os três membros — John Adams, sua esposa Toby Poser e a filha Zelda Adams — dividem todas as funções na realização de filmes de horror independentes, contando ainda com a irmã mais nova de Zelda, Lulu Adams, em algumas pontas. Eles dirigem, fazem o roteiro, editam, compõem as músicas, produzem e, claro, atuam em suas produções, resultando em trabalhos caseiros, mas muito bem realizados, destacando a trilha sonora, os efeitos sangrentos e a atmosfera. A boa confecção de suas obras chamou a atenção da Shudder, que começou a distribuir os filmes em vários países, disponibilizando-os em sua plataforma de streaming.

Mother of Flies é mais um bom exemplar folk horror, com elementos sobrenaturais de bruxaria, com a dedicação absoluta dos Adams. É uma produção “slow burn“, com um ritmo lento, mas que não poupa o infernauta de cenas grotescas de exposição de cadáveres e rituais estranhos. Talvez pelo ritmo cadenciado, o longa pode não agradar a todos os públicos, principalmente os acostumados a cortes rápidos e edição de clipe. Mas, se o próprio cult A Bruxa (The Witch, 2015) segue esse formato e se saiu bem, por que não dar uma chance a “mãe das moscas“?

Após se recuperar de um câncer, a jovem Mickey (Zelda Adams) percebe que a doença retornou com mais força no abdômen, sem possibilidade de cirurgia, com uma perspectiva de vida de no máximo seis meses. Seguindo um sonho, ela resolve procurar a curandeira Solveig (Toby Poser), residente numa floresta, como última alternativa, levando consigo seu pai cético Jake (John Adams). Ao encontrá-la no local esperado, ela anuncia que terá que passar três dias em companhia de Solveig para um tratamento que exige rituais estranhos como envenenar o pai, quebrar ovos de cobra no abdômen e transferir um exemplar entre as duas pela boca.

Ao mesmo tempo flashbacks mostram um passado distante de Solveig, quando ela precisou ressuscitar um bebê natimorto, mas foi impossibilitada de ficar com ele, o que ocasionou a maldição de sua morte. Parece que Mickey é a pessoa ideal para que ela dê continuidade às suas intenções, ainda que a jovem seja estéril. A convivência da filha traz o desconforto do pai por achar que aquela fantasia é uma perda de tempo, um teatro que não trará resultados.

Por ser uma produção de recursos limitados, nota-se algumas camufladas da produção para disfarçar possíveis dificuldades técnicas. Basicamente não há cenas noturnas, o close da câmera durante as falas das personagens serve para esconder microfones, além de serem ditas como um roteiro decorado, ainda que as atuações sejam até aceitáveis. Mesmo assim, Mother of Flies explora o título da produção, traz sequências sangrentas em efeitos práticos convincentes e há uma boa atmosfera de incerteza. As músicas, com letras condizentes com o que está sendo visto em cena, e a falas rimadas da bruxa mostram um bom trato na construção da narrativa, contribuindo para os aspectos artísticos da produção.

Sem surpresas, permitindo que os caminhos até o desfecho sejam óbvios, vale a pena conhecer o trabalho multifuncional dessa família que todo fã de horror gostaria de fazer parte.

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