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O Armário do Diabo
Original:Cameron's Closet
Ano:1988•País:EUA, UK
Direção:Armand Mastroianni
Roteiro:Gary Brandner
Produção:Luigi Cingolani
Elenco:Cotter Smith, Mel Harris, Scott Curtis, Chuck McCann, Leigh McCloskey, Kim Lankford, Gary Hudson, Tab Hunter, Dort Clark

Mais uma das produções que habitam a memória afetiva de quem vivenciou a época das locadoras entre os anos 80 e 90, O Armário do Diabo (Cameron’s Closet, 1988) ainda me traz um gosto especial. Vi pela primeira vez com treze anos na casa do meu primo, juntamente com meu irmão: fizemos uma sessão de horror na Rua Álvaro do Vale, na Vila Carioca, enquanto os pais dele estavam ausentes. Morávamos numa casa com uma distância de um quarteirão e meio da do meu primo, e precisamos ir embora pouco depois da uma hora da manhã. O percurso não trouxe maiores incidentes, mas a imaginação fértil produziu sons estranhos, olhares desconfiados e a presença de fantasmas.

Não quer dizer que o longa de Armand Mastroianni (de Trilha de Corpos, 1980) seja extremamente assustador. Visto hoje, nota-se que se trata de uma produção com efeitos especiais datados, mas que mantém aquela gostosa atmosfera de gelo seco oitentista. O roteiro foi escrito por Gary Brandner, responsável pela trilogia de livros que deram origem aos três primeiros filmes da série Grito de Horror. Já os efeitos ficaram a cargo do experiente Carlo Rambaldi, de Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, 1979), King Kong (1976), Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e até Duna (1984). Aqui ele não faz um trabalho de destaque até mesmo na concepção do demônio, com uma aparência que remete ao Pazuzu.

No enredo, o garoto Cameron Lansing (Scott Curtis), de dez anos, poderia ter sido criado por Stephen King: ele possui habilidades psíquicas que intrigam seu pai, Owen (Tab Hunter), e o cientista Ben Majors (Chuck McCann), em gravações de testes psicológicos com o objetivo de explorar a capacidade da mente humana. Depois que o garoto adquiri um boneco de um demônio no laboratório, ele passa a ter diálogos com a entidade que reside em seu guarda-roupa, resultando na trágica morte de seu pai, decapitado por um facão. Cameron passa a morar com a mãe, Dory (Kim Lankford) e seu namorado, o ator intragável Bob Froelich (Gary Hudson) em Los Angeles. Aliás, em menos de cinco minutos em cena, é impossível não torcer para a morte rápida de Bob, que faz de tudo para irritar o garoto.

E ela felizmente não demora a acontecer. Em mais um episódio de contato do garoto com o monstro do armário, Bob é lançado pela janela e acerta exatamente o teto de seu prestigiado veículo. O incidente chama a atenção do sargento Sam Taliaferro (Cotter Smith), da Divisão de Homicídios, que é assombrado por pesadelos recorrentes em que precisa matar o colega Pete Groom (Leigh McCloskey). Ele e a psiquiatra Dra. Nora Haley (Mel Harris) se interessam pelo caso de Cameron e começam a investigar o passado de estudos científicos e as descobertas de Owen e Ben, que temiam que o garoto estivesse usando suas habilidades para despertar uma entidade que, se fortalecida, pode trazer o Inferno à terra.

Aos fãs de monstros, o interesse se concentra na criatura, ainda que não fique inicialmente claro se seria ela a responsável pelas mortes ou o próprio garoto. Também não se explica essa conexão psicológica que se estabelece entre Cameron e Sam, além da afetiva, como se ambos fossem dotados de poderes e tivessem a capacidade de se encontrar em pesadelos e até visitar a dimensão demoníaca. Mas o que importa são as mortes violentas, como o personagem que é derretido vivo e outro atacado no banheiro, além dos mortos que reaparecem em aspectos monstruosos.

O Armário do Diabo exala anos 80 em cada cena: nos mullets, nos brinquedos de Cameron como os bonequinhos pouco articulados, na neblina que cobre a floresta, nos efeitos animatrônicos de movimentação da criatura, nas maquiagens demoníacas e na trilha sonora. É um filme que, lançado hoje, seria considerado simples e até risível pela suas limitações, mas que diverte como um horror nostálgico que traz boas lembranças da época dos tijolões das locadoras, quando você buscava na seção Terror produções de monstros e demônios.

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