A genialidade de Cubo e sua influência no terror atual

4.9
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Lembro que fiquei fascinado quando vi, há mais ou menos duas décadas, na sessão de terror de uma locadora, uma capa de VHS que mostrava uma representação completamente imagética de um homem cercado por paredes de metal estranhas. Não vou mentir que me lembro do que li na sinopse dele, mas sei que fui convencido a levar o filme para casa e depois disso o loquei por pelo menos cinco vezes, tão endoidecido que fiquei pelo que assisti.

Muitos anos mais tarde, estava assistindo ao segundo filme de uma franquia que seria de muito sucesso. Nesse filme um maníaco colocava pessoas aleatórias para sobreviver em uma casa cheia de armadilhas sanguinárias. Foi depois que terminei de assisti-lo que pensei que essa trama era muito parecida com o filme antigo que vi quando criança. Essa mesma sensação foi se repetindo ano após ano com diferentes filmes, até que hoje, já adulto, consigo perceber que na arte nada é por acaso.

Trata-se de Cubo, que em 1997 trouxe a história de um grupo de desconhecidos que acorda em uma espécie de sala quadrada com escotilhas em cada um de seus lados, que quando abertas revelam outras salas de mesmos tamanhos e cores diferentes. Porém em alguns desses espaços existem armadilhas mortais, que vão desde incineradores, ácidos corrosivos e milhares de lanças afiadas que saem do chão e do teto ativadas pelo som.

Já a tal continuação é Jogos Mortais 2, de 2005, que tem a mesma ideia de um grupo de desconhecidos que tenta sobreviver em uma casa repleta de armadilhas.

Não posso afirmar que James Wan usou como inspiração o filme de Vicenzo Natali, mas pontuo que essa ideia de terror grupal com armadilhas iniciou-se de maneira mais polida por ali. Os outros exemplos posteriores que me deram essa sensação de deja vu foram o Colecionador de corpos, Escape Room e até mesmo Jogos Vorazes. Deixo então a coincidência de lado para trazer a constatação mais palpável da influência.

A genialidade de Vicenzo não se deu apenas pela ideia tensa de juntar desconhecidos por sobrevivência, mas também pela criação de um cenário sci-fi, que é, ao mesmo tempo, simplista e complexo, possuindo regras ainda mais específicas de funcionamento.

Assistindo ao filme hoje ainda noto que pelo menos o primeiro Cubo passa pelo teste do tempo, não sendo um filme datado e trazendo até hoje sua sensação claustrofóbica e niilista.

Caso você não tenha visto esse clássico da ficção cientifica/terror, vou te dar mais um motivo para vê-lo o quanto antes. Nesse ano ele terá um remake japonês e, pelo pouco que já foi apresentado em teasers, a tensão e a claustrofobia continuam presentes.

Contudo não se esqueça que, se você decidir aceitar minha dica, uma vez dentro do cubo dificilmente se encontra uma saída.

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Diego Ferraz

Perdido na escuridão universitária vaga um escritor amante do obscuro, apaixonado pelo oculto e que possui um apetite voraz pelo terror. Sua biblioteca aterrorizante inspira sua vida e seus vídeos, que você pode acompanhar em seu canal Cripteca no Youtube.

One thought on “A genialidade de Cubo e sua influência no terror atual

  • 01/02/2022 em 18:00
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    ADORO CUBO!!!

    Quando assisti o amado ROUND 6, lembrei imediatamente de Cubo, Jogos Mortais e Battle Royale. Sendo os dois ultimos fortemente inspirados pelo primeiro, podemos dizer que Cubo é, talvez, o filme de terror mais influente da atualidade (muita gente diz que é o battle royale, mas cubo definitivamente estabeleceu a ideia antes dele).

    dito isso, achei uma pena a não menção de battle royale, ja que o jogos vorazes é quase um remake dele.

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