The Queen of Black Magic (2019)

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The Queen of Black Magic
Original:Ratu Ilmu Hitam
Ano:2019•País:Indonésia
Direção:Kimo Stamboel
Roteiro:Joko Anwar
Produção:Priya N.K., Wicky V. Olindo, Gope T. Samtani, Sunar S. Samtani, Sunil Samtani, Lani Sonda
Elenco:Ario Bayu, Hannah Al Rashid, Adhisty Zara, Muzakki Ramdhan, Ari Irham, Ade Firman, Hakim, Sheila Dara Aisha, Tanta Ginting, Miller Khan, Imelda Therinne, Salvita Decorte, Giulio Parengkuan, Shenina Cinnamon, Yayu A.W. Unru, Ruth Marini, Gisellma Firmansyah, Putri Ayudya, Putri Ayudya

Os amigos de infância Hanif, Jefri e Anton visitam, com a família, o orfanato onde cresceram. Eles retornam para prestar as últimas homenagens ao enfermo Sr. Bandi, o encarregado do local que criou os três. Antes, ainda durante a viagem, o atropelamento de um cervo foi mais do que um presságio dos episódios desconcertantes que estavam por vir. Era o início de uma sucessão de eventos sombrios que culminariam em uma interminável noite de tormentos. Uma noite em que os equívocos e os segredos do passado viriam drasticamente à tona.

Produção original da plataforma Shudder (serviço de streaming americano dedicado ao horror), o longa indonésio The Queen of Black Magic é uma colaboração entre dois nomes de peso para o gênero: o diretor Kimo Stamboel (parceiro frequente de Timo Tjahjanto – juntos são popularmente conhecidos como “Mo Brothers”, dupla responsável por sucessos como o thriller de ação Headshot e o funcional terror Macabre) e o roteirista Joko Anwar, dos recentes Impetigore (2019) e Satan’s Slaves (2017).

Nota importante: ficar de olho neste grupo de notáveis cineastas indonésios, que já conquistaram seu espaço local e que são considerados por alguns especialistas promessas de renovação para o horror mundial. Tarefa esta que ficou um pouco mais fácil com a expansão dos serviços de streaming como a própria Shudder (ainda inédita por aqui), a Amazon Prime e a Netflix. Surpreendentemente estes canais estão cedendo um espaço considerável em seu catálogo para produções não-americanas. Para o público brasileiro, as sugestões são: Fortuna Maldita 1 (2018) e 2 (2020), Suzzanna: Enterrada Viva (2018), O Terceiro Olho 1 (2017) e 2 (2019); além do citado Headshot (2016) e do sangrento A Noite Nos Persegue (2018) – todos disponíveis na Netflix no momento em que esta crítica é escrita.

De volta a Rainha da Magia Negra (tradução não oficial, mas literal do título) aka The Queen of Black Magic (título internacional) aka Ratu Ilmu Hitam (em indonésio), a produção de 2019 é o remake de um clássico de horror homônimo rodado em 1981, desconhecido por aqui, mas muito popular em seu país de origem, a Indonésia. O roteirista Joko Anwar havia refilmado com sucesso outra produção do gênero em 2017, Satan’s Slaves. O êxito de crítica e a boa aceitação do público viabilizou que ele escrevesse um novo roteiro para o seu filme de terror favorito (The Queen…) e contasse com o amigo Kimo Stamboel na direção. Anwar reimaginou o enredo original mantendo os plots principais, porém acrescentando uma nova sequência desenfreada de cenas violentas e perturbadoras que não poupam nem mesmo os personagens infantis – aqui fica um alerta para os espectadores sensíveis ou não entusiastas desta categoria de filmes mais “intensos”.

É possível notar que os realizadores foram influenciados fortemente não apenas por clássicos do cinema oriental como Ringu (1998), mas também pela falta de delicadeza e gore oitentista de Evil Dead (1981), ao apresentar situações plasticamente indigestas em um ritmo frenético. Aliás, o próprio cenário do orfanato no meio da floresta remete a cabana em que Ash enfrenta os perigos do Necronomicon.

O ato inicial escrito por Anwar dedica-se a introduzir os personagens, apresentar o cenário (um sombrio e isolado orfanato) e ao mesmo tempo instaurar algum estranhamento (a construção antiga, seus anfitriões introvertidos, um cômodo trancado há décadas, um velho moribundo muito suspeito). Com o suspense e a tensão estabelecidos, a calmaria é abandonada e substituída por uma diversidade de bizarrices, como possessões parciais dos membros superiores, possessões full, alucinações, mutilações, insetos (muitos e de muitas patas) engolidos, vomitados, rastejando sob a pele, bocas grampeadas e todo tipo de barbaridade – entre elas, uma garota magra com distúrbio alimentar que se vê gorda em um espelho e, com uma faca afiada, remove todo o excesso de gordura, sem perceber que está cortando pedaços do pescoço e da barriga. Os eventos sobrenaturais e violentos se sucedem até que um plot twist modesto reúne as pistas até então distribuídas a esmo. É uma pena que o roteiro use um recurso tão pobre como a narração de um personagem e o flashback para revelar o mistério que move toda a ação – mesma estrutura já utilizada por Anwar em seu Impetigore. Aliás, é interessante comentar que, apesar do gore presente no título, Impetigore é inferior a The Queen of Black Magic na contagem de atrocidades apresentadas por minuto.

Não chega a ser um ponto negativo que incomode ou atrapalhe a experiência, mas alguns efeitos digitais (principalmente aqueles que envolvem os insetos) demonstram certa artificialidade e quebram um pouco o realismo, justamente nos momentos de maior tensão. Mas esta suposta deficiência é compensada não só pela profusão vertiginosa de violência, mas pelo clímax do desfecho, em que o esperado embate com a tal Rainha da Magia Negra é apresentado.

Enfim, o longa – lançado no final de 2019 em seu país de origem, disponibilizado nos EUA pela Shudder em janeiro de 2021 e ainda inédito por aqui nos canais legalizados – é uma opção divertida e eficiente para começar a se familiarizar com o cinema de horror indonésio. Entre os principais méritos está a qualidade técnica acima da média para o gênero, o ritmo implacável e o gore agressivo a la Evil Dead (mas sem entrar no campo do “terrir”) e até o próprio roteiro, que mesmo não sendo ousado ou inovador, entrega uma trama brevemente complexa que não deixa lacunas ou pontas soltas.

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João Pires Neto

Apenas mais um rapaz latino americano vindo do interior. Ateu não praticante, vegetariano, viciado em Literatura, Rock and Roll e Cinema. Antifascista, antiespecista, feminista e pai de uma menina linda, de 3 cachorros e 1 gata preta. Formado em Letras e Literatura. Colaborador desde 2005.

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