A Noiva Cadáver (2005)

A Noiva Cadáver (2005)
Até que a Morte os Una!
A Noiva Cadáver
Original:Corpse Bride
Ano:2005•País:EUA, UK
Direção:Tim Burton, Mike Johnson
Roteiro:Carlos Grangel, Tim Burton, John August, Caroline Thompson, Pamela Pettler
Produção:Allison Abbate, Tim Burton
Elenco:Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Tracey Ullman, Paul Whitehouse, Joanna Lumley, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Michael Gough, Jane Horrocks, Enn Reitel

O casamento, não importa em qual religião, é uma das tradições mais sólidas e importantes da maioria das sociedades. Trata-se de uma ocasião ímpar na qual familiares e amigos dos noivos se reúnem para celebrar a enlace matrimonial de duas pessoas que tecnicamente se amam. Mas em algumas ocasiões, para que se chegue ao tão desejado final feliz da história, alguns personagens acabam tendo que percorrer um caminho um tanto quanto diferente e até macabro para o “eles viveram felizes para sempre“. Tudo, em nome do amor, independente de raça, crença, idade e até de uma das duas partes estar vivo ou morto… Afinal, o amor supera todos os obstáculos. Será?
Chegando em abril de 2005 ao mercado de DVD, A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005) dos diretores Tim Burton e Mike Johnson, acompanha o drama do jovem Victor Van Dorst, que está prestes a se casar com Victoria Everglot dentro de um matrimônio mais voltado pelo interesse do que pelo amor. Durante uma noite sombria, acidentalmente, Victor vai parar em uma floresta e, mais acidentalmente ainda, se casa com a Noiva Cadáver, uma morta enterrada na floresta, que o leva para conhecer a Terra dos Mortos.

Fruto da mente genial de Tim Burton, A Noiva Cadáver segue a linha obscura, porém romântica e agradável de alguns dos trabalhos mais marcantes do cineasta. Rodado todo em animação stop-motion, onde bonecos são fotografados quadro a quadro, o projeto inicial foi pensado por Burton em 1995, quando ele tomou conhecimento de uma antiga lenda russa que narrava justamente as desventuras de um infeliz noivo que se casou acidentalmente com uma defunta.

Conhecido por criar personagens marcantes e ao mesmo tempo solitários e obscuros, em A Noiva Cadáver temos um exemplo do melhor que Burton sabe fazer, pois também consegue encantar o público com uma história criativa que se passa em um cenário fantástico e dentro de uma ambientação gótica e detalhista, que é a marca do diretor. Além do mais, os personagens vistos em A Noiva Cadáver possuem exatamente as características que fizeram da obra de Burton o sucesso que são: tristes e ao mesmo tempo marcantes. Victor é um rapaz tímido e reprimido que foi criado dentro de uma educação muito rígida. Além disso, todos os vivos ao redor dele são igualmente reprimidos, para não dizer, amargos.

Foi justamente nesse aspecto de Burton soube desenvolver uma das melhores idéias de A Noiva Cadáver, ao mostrar o mundo dos vivos como um lugar sem graça, com pessoas feias e sem cores, ao contrário da terra dos Mortos, um local animado, colorido e com personagens cômicos, que surgem justamente para dar um ar engraçado para a história, o que funciona perfeitamente. Nesse mundo festivo, que passa longe de um céu com anjinhos ou um inferno com diabos, os únicos infelizes são a noiva-cadáver, sempre melancólica, e o jovem Victor, que além de estar em um mundo diferente do seu, ainda alimenta uma paixão mal resolvida.

A técnica escolhida para dar vida a Noiva Cadáver foi a de stop-motion, a mesma utilizada em O Estranho Mundo de Jack (se você nunca assistiu, corra para a locadora mais próxima). Apesar de ser considerada uma técnica muito demorada, uma vez que cada um dos movimentos de todos os personagens, além de elementos de cena, são fotografados quadro a quadro, o resultado é recompensador, com um belo e diferente aspecto visual.

Por se tratar de uma técnica que começou a ser utilizada no cinema para criar efeitos que ainda não eram possíveis de serem realizados, alguns diretores consideram-na como algo obsoleto, uma vez que filmes digitais já são bastante comuns hoje em dia. Para a utilização do stop-motion, Burton, em entrevistas de divulgação do filme, defende que “existe algo de maravilhoso em tocar fisicamente nos personagens, poder fazê-los se mexerem, ver que o mundo deles realmente existe“. A Noiva Cadáver é co-dirigido por Mike Johnson, que foi assistente de equipamento em O Estranho Mundo de Jack e desde então, passou a participar de projetos com stop-motion.

A Noiva Cadáver (2005) (1)

Para dar voz aos personagens, Burton recrutou um time de astros de primeira, além de alguns parceiros de outros filmes. Para fazer Victor, o diretor chamou Johnny Depp, que já havia trabalhado com o diretor em Edward Mãos-de-Tesoura (Edward Scissorhands, 1990), Ed Wood (1994), A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999) e A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005) – e que continuaria a parceria em novos trabalhos como Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007), Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010) e Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012). Já para a noiva defunta, Burton recrutou sua esposa Helena Bonham Carter, que já havia rodado com o maridão Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001), Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, 2003) e A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005). Já a voz da verdadeira noiva de Victor, Victoria, foi de Emily Watson (Dragão Vermelho, 2002), enquanto o veterano Christopher Lee, que já trabalhou sob a direção de Burton em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999) e A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005), faz uma participação.

Interessante observar que cada um dos personagens ganhou traços físicos semelhantes aos atores que lhes deram suas respectivas vozes. Por exemplo, é possível reconhecer Victor como Johnny Depp ou a noiva cadáver, que mesmo meio esquelética guarda traços da atriz Helena Bonham Carter. Outro elemento que dá um toque especial à Noiva Cadáver é a ótima trilha sonora assinada por Danny Elfman, fiel colaborador das obras de Burton e que já virou uma espécie de marca dos filmes do diretor.

Para o final, Burton oferece um desfecho justo com uma mensagem implícita (ou explícita dependendo de quem assista) de que cada pessoa pode guiar sua vida para o caminho que desejar. Por todos estes motivos, A Noiva Cadáver é uma ótima opção de locação ou mesmo para ser comprado para poder ser assistido sempre que bater vontade. O único ponto negativo do filme é o de ser curto, com apenas 78 minutos, mas que são muito bem aproveitados.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

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