Killer Joe – Matador de Aluguel (2011)

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Killer Joe (2011)
Você sabe para que serve uma coxa de galinha?
Killer Joe - Matador de Aluguel
Original:Killer Joe
Ano:2011•País:EUA
Direção:William Friedkin
Roteiro:Tracy Letts
Produção:Nicolas Chartier, Scott Einbinder
Elenco:Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Juno Temple, Thomas Haden Church, Gina Gershon, Marc Macaulay, Gralen Bryant Banks, Danny Epper

Já comentei em outras críticas sobre a maldade humana – me interesso muito por filmes que exploram essa característica de uma raça que diz ser racional e não canso de me surpreender com os níveis em que ela possa alcançar. Killer Joe é um filme incômodo, com personagens tão miseráveis e sem escrúpulos, capazes de cometer as piores traições em benefício próprio. Willian Friedkin (O Exorcista) volta a trabalhar com Tracy Letts, criador da peça homônima, pois já haviam realizado o interessante Possuídos.

Chris (Emily Hirsch), um traficante meia boca, endividado e jurado de morte, propõe a seu pai (Thomas Haden) que contratem um matador de aluguel para assassinar sua mãe, e assim receber o dinheiro do seguro, cuja beneficiária é sua jovem irmã Dottie (Juno Temple). Em contato com o tal assassino Joe (Matthew McConaughey), e sem a grana na mão, resta a Chris e seu pai aceitar que Dottie entre na negociação como uma garantia sexual, até que o serviço seja executado, e recebam assim o dinheiro que resolveria a vida de todos os envolvidos.

O roteiro ataca o espectador com situações desconfortantes. Friedkin soube trabalhar bem estas cenas – a decisão de Chris ao entregar sua irmã a Joe, mesmo sendo a figura do irmão protetor sem hesitar em fazer isso; em outro momento, o segundo encontro entre Joe e Dottie, que reluta no início, mas acaba se entregando ao assassino, não sabemos se para ajudar o irmão, ou se a mesma cai na sua sedução. MacConaughey tem a melhor atuação de sua carreira. Marcado por comédias românticas, constrói aqui um personagem perturbador, sem limites nem escrúpulos, mas inteligente o suficiente para descobrir toda a burrada de Chris e seu pai. Outro destaque do longa fica para Juno Temple, que interpreta a frágil e estranha Dottie, parte dessa estranheza marcada por uma família desestruturada.

Killer Joe (2011) (2)

A sequência final é a mais perturbadora: um jantar de família, onde todos os personagens na trama têm seus segredos revelados; com uma estranha e incômoda cena onde a Madrasta (Gina Greshon) participa de uma punição, envolvendo uma coxa de galinha (?); mesmo diante de todas as revelações, as atitudes de cada personagem são as mais covardes possíveis. Willian Friendkin traz um excelente filme sobre a natureza humana, em que as atitudes deturpadas não justificam os fins. Um dos melhores trabalhos do diretor! Se vai concorrer a alguma premiação? Provavelmente não, pelo teor pesado da trama. Uma injustiça, até mesmo para Matthew MacConaughey, que se entregou ao papel do psicótico Killer Joe Cooper.

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Ivo Costa

Cineasta formado pela Escola Livre de Cinema, dirigiu os curtas “Sexta-feira da Paixão”, “O Presente de Camila”, “Influência” e “Com Teu Sangue Pagará. Produziu o curta ‘Vem Brincar Comigo’. Atualmente é crítico no site Boca do Inferno e professor do Curso Cinema de Horror, da Escola Livre de Cinema. Fez parte do Júri Popular do Festival Cinefantasy em 2011, Júri Oficial do Festival  Boca do Inferno 2017, Juri Oficial da Mostra Espanha Fantástica no Cinefantasy 2020.  Realizou a curadoria da Mostra Amador do Cinefantasy 2019 e do Festival Boca do Inferno 2019.

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