The Facility (2012)

The Facility (2012)

The Facility
Original:The Facility
Ano:2012•País:UK
Direção:Ian Clark
Roteiro:Ian Clark
Produção:Mat Wakeham, Megan Stuart Wallace
Elenco:Aneurin Barnard, Alex Reid, Chris Larkin, Steve Evets, Oliver Coleman, Jack Doolan, Nia Roberts, Amit Shah, Emily Butterfield, Skye Lourie, Emily Butterfield

David Cronenberg é um dos principais expoentes, senão o maior, de um subgênero bem particular no horror que poderíamos chamar de “body horror“, um tipo específico de produção onde o terror se origina de dentro de nosso próprio corpo, de algo que nos deforma e apresenta um perigo incontrolável, pois muitas vezes os vitimados não estão conscientes destas mudanças e passam a tornar-se uma ameaça a si e aos que estão em volta. É um elemento em comum em Videodrome, Scanners, A Mosca e Calafrios, por exemplo…

E, fazendo uma análise mais profunda, está um ponto acima da pura escatologia entregue por produções aparentemente similares que buscam o choque pelo choque, pois o body horror também existe para discutir aspectos do comportamento irracional de indivíduos em uma sociedade caracterizada por padrões estéticos e morais pré-definidos, onde as anomalias genéticas representadas nos filmes que geram estas manifestações físicas servem para graficamente apresentar e extrapolar extremos psicológicos pré-existentes no núcleo do comportamento humano, como ambição pelo poder a qualquer custo, desejo sexual incontrolável, obsessões inexplicáveis, egoísmo e egocentrismo, entre outros.

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Quando em 2012 uma produção britânica chamada The Facility, dirigida e roteirizada pelo estreante em longas Ian Clark, chegou no mercado, diversos críticos alardearam como um legítimo representante do Body Horror (citando Cronenberg, inclusive) o que me fez aumentar a vontade de ver a obra. Após ter a oportunidade de conferir, sinto não compartilhar da mesma opinião, pois apesar de ter elementos que remetam ao Body Horror de Cronenberg, eles são usados apenas como pano de fundo de um filme de suspense convencional que tem bons momentos, porém deixa a impressão geral de que faltou uma maior maturação para parecer um trabalho completo.

Na história, uma grande companhia farmacêutica deseja testar uma nova droga em humanos e para tanto coloca um anúncio para angariar voluntários. Eles ficarão isolados em uma instalação da companhia (a tal “Facility” do título), localizada em um local cercado por uma floresta e sem nada por perto numa faixa de quilômetros.

A princípio o trabalho parece fácil: uma semana isolada da civilização com hospedagem e comida grátis e ao final de duas semanas os participantes ainda ganharão a bagatela de duas mil libras, uma grana considerável! Sete pessoas são escolhidas, cada uma com seu próprio motivo e uma história diferente. Tem aquele que decidiu ser cobaia de laboratório por profissão, a repórter que anseia por uma matéria de impacto em primeira mão, um estudante amedrontado que precisa da grana urgente, o mauricinho que não tem nada melhor pra fazer… Por ai você já tem uma boa ideia do que pode acontecer em seguida.

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Os sete chegam para o experimento “duplo cego“, ou seja, nem os testados e nem quem está aplicando sabe quem recebeu o medicamento ou meramente um placebo. As coisas encaroçam já no primeiro dia e logo na primeira rodada. A droga chamada de pró-9 é administrada e o mauricinho, contrariando as ordens dos poucos funcionários da equipe médica (um médico e uma enfermeira), começa a fazer exercícios físicos.

O paciente mais experiente avisa que isto fará com que a droga faça efeito mais rápido devido ao maior fluxo de sangue e oxigênio no corpo. Evidentemente ele será a primeira pessoa a sentir os perigosos efeitos colaterais que incluem mas não se limitam a dores musculares, espasmos, sudorese que logo evoluem para paranoia psicótica e loucura homicida seguido de morte (dos outros, é claro…). Quando as coisas realmente ficam complicadas, as cobaias percebem que estão presas no prédio, sem contato com o exterior e o que eram para ser duas semanas tranquilas rapidamente se transformam em um inferno fora de controle e o cenário está armado para uma batalha sangrenta pela sobrevivência.

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Como já dito, apesar de um roteiro aparentemente parecido com o que poderia se esperar de um body horror de Cronemberg, The Facility tem muito mais elementos de suspenses de confinamento com um toque mais puxado ao que é apresentado em Extermínio ou A Experiência (o suspense alemão de 2001, não o sci-fi de 1995). A atmosfera é bem trabalhada e adequada a proposta da produção, com momentos de genuína tensão que garantem excelentes cenas com bastante impacto e algumas cenas sangrentas, apesar de a maioria não ser mostrada nas lentes das câmeras.

Contudo, se o conceito é tão bom, o filme peca principalmente pelo roteiro preguiçoso que procura valorizar mais a ação do que o desenvolvimento dos personagens. Um exemplo claro é que o diretor poderia ter aproveitado mais em trabalhar aquela leve paranoia de saber quem tomou o remédio e quem tomou o placebo para gerar mais apreensão no público. E quando toda a ação que o roteiro continha chega ao fim, o filme simplesmente acaba, sem um grande clímax e sem um grande fechamento.

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Os personagens são estereotipados e descartáveis em sua maioria, mas ao menos possuem alguns nomes conhecidos como Alex Reid (Abismo do Medo 1 e 2), Chris Larkin (Operação Valquíria) e Steve Evets (Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas) outro alento é a curta duração da película que não deixa o clima ficar moroso por muito tempo. Uma produção boazinha tirado de uma premissa que poderia gerar algo excelente. Enfim, não será The Facility que vai fazer você ter de sair da sala antes do filme acabar para tomar um calmante.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

Um comentário em “The Facility (2012)

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