Sangue no Sarcófago da Múmia (1971)

Sangue no Sarcófago da Múmia (1971) (5)

Sangue no Sarcófago da Múmia
Original:Blood from the Mummy's Tomb
Ano:1971•País:UK
Direção:Seth Holt, Michael Carreras
Roteiro:Christopher Wicking, Bram Stoker
Produção:Howard Brandy
Elenco:Andrew Keir, Valerie Leon, James Villiers, Hugh Burden, George Coulouris, Mark Edwards, Rosalie Crutchley, Aubrey Morris

Esta que está enterrada aqui, que não tem mão e não tem nome, insiste em existir na mente dos homens, como insiste em existir na vida – inscrição numa antiga tumba egípcia

O escritor irlandês Bram Stoker não é somente conhecido por ser o autor de Drácula, o famoso vampiro adaptado numa infinidade de vezes em filmes de todas as épocas, mas também é lembrado por uma outra obra literária escolhida como argumento para algumas versões no cinema. Trata-se da novela The Jewel of the Seven Stars, que aborda a não menos fascinante temática das Múmias do antigo Egito, e que inspirou a Hammer na produção de Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood From the Mummy´s Tomb, 71), um filme com um título bem sonoro, dirigido por Seth Holt e estrelado por Andrew Keir (de Drácula: O Príncipe das Trevas, 66) e a bela Valerie Leon.

Na história, uma expedição inglesa liderada pelo Professor Julian Fuchs (Andrew Keir) encontra em escavações arqueológicas no Egito a tumba da Múmia da Rainha Tera (Valerie Leon), conhecida em seu tempo pelo envolvimento com poderes malignos. Tera era chamada de a Rainha das Trevas e uma lenda diz que foi assassinada por sacerdotes, tendo a mão direita decepada, a que carregava uma misteriosa joia num dos dedos, cujo brilho cintilante simulava a formação de uma constelação de sete estrelas (daí o título da obra de Bram Stoker).

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O grupo de arqueólogos é ainda formado pelo inescrupuloso Corbeck (James Villiers), o esquizofrênico Prof. Berigan (George Coulouris), o cientista Geoffrey Dandridge (Hugh Burden) e a visionária Helen Dickerson (Rosalie Crutchley), os quais encontram ao redor do sarcófago da Múmia três relíquias misteriosas, tornando-se seus guardiões. Os objetos são as estátuas de uma serpente e de um gato, além de um crânio de um chacal, e uma vez enfeitiçados com a incrível descoberta, eles decidem levar a tumba e as relíquias para a Inglaterra. O Prof. Fuchs ficou com a Múmia e a mão decepada com o anel, o Prof. Berigan se apossou da serpente, Dandridge guardou o crânio do chacal sagrado e a única mulher da expedição se encarregou de ficar com a estátua do gato.

Em Londres vive a bela filha do Prof. Fuchs, Margaret (também feita por Valerie Leon), que pretende se casar com o jovem Tod Browning, interpretado por Mark Edwards (o nome do personagem é uma homenagem ao cineasta homônimo, diretor de filmes como Drácula e Freaks no início dos anos 30). Porém, a vida de Margaret transforma-se radicalmente a partir do momento em que ela ganha de presente de aniversário de seu pai o anel que pertencia à Rainha Tera. Todos as relíquias que estavam ao redor do túmulo passam também a exercer uma influência maligna em seus novos donos e Margaret parece possuída pelo espírito da perversa rainha egípcia, protagonizando uma série de eventos trágicos, derramando sangue no sarcófago da múmia ao vingar-se dos profanadores de seu túmulo e que ousaram perturbar seu sono eterno, tentando reencarnar no corpo de uma outra mulher e voltar a viver entre a humanidade, contando para isso com o auxílio de Corbeck.

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Eu, Tera, Rainha das Trevas, sacerdotisa do antigo Egito, vivi anteriormente… Meu espírito nunca descansou através desses séculos. Minha alma está vagando entre as estrelas, enquanto meu corpo mortal esperava

É inevitável notar que Sangue no Sarcófago da Múmia possui em alguns momentos uma narrativa exageradamente lenta, num convite ao sono. Mas, o interesse e a diversão são garantidos por algumas cenas de mortes violentas, todas tendo como características ferimentos graves no pescoço das vítimas, como se fossem proporcionadas por uma mão no ato do estrangulamento, principalmente para o início da década de 70, evidenciando o vermelho vivo do sangue na fotografia colorida típica das produções da Hammer, além da história de Bram Stoker sobre a joia das sete estrelas, num filme significativo na história das Múmias no cinema.

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Como o papel do arqueólogo Prof. Fuchs estava inicialmente escalado para Peter Cushing (que abandonou o projeto por causa de problemas de saúde na família), em vez do definitivo Andrew Keir – também é inevitável não imaginar como seria o filme com a presença do cavalheiro do horror, apesar do bom trabalho de Keir. E também, apesar de clichê, acabamos sentindo falta daquelas cenas tradicionais com uma Múmia envolta em bandagens por todo o corpo atacando os importunadores de seu sono profundo. Pois no filme ocorre o contrário, a Múmia é uma mulher de beleza admirável.

O filme foi lançado no Brasil no formato DVD em 2004 pelo selo Dark Side, especializado em filmes de horror antigos. O disco traz ótimos materiais extras como pequenas biografias do diretor Seth Holt e da atriz Valerie Leon, além de um TV Spot de dois minutos e meio de duração, com opção de legendas em português, e dois Radio Spots, num total de aproximadamente dois minutos, anunciando a divulgação de Blood From the Mummy´s Tomb juntamente com outro filme de horror, Night of the Blood Monster (Itália / Espanha / Alemanha, 70), dirigido por Jesus Franco e com Christopher Lee. Ainda tem também uma enorme galeria com dezenas de fotos do filme e um documentário de dez minutos dirigido por David Gregory em 2001 intitulado A Maldição de Sangue no Sarcófago da Múmia (Curse of Blood From the Mummy´s Tomb), trazendo interessantes e curiosos depoimentos da atriz Valerie Leon e do roteirista Christopher Wicking.

 

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Entre outras coisas, a bela Valerie Leon revelou que o papel de seu pai no filme, o Prof. Julian Fuchs, seria inicialmente do lendário Peter Cushing, que até chegou a gravar algumas cenas em um dia de filmagens (o DVD está disponibilizando uma foto rara de Cushing no set de filmagens). Porém, ele teve que abandonar o projeto por causa de uma doença grave com sua esposa. A atriz revelou também que foi obrigada pelos produtores a utilizar uma peruca morena, para se assemelhar com uma imponente rainha maligna egípcia, sendo que ela preferiria utilizar seu cabelo natural e que, se fizesse o filme hoje em dia, ela não cometeria o mesmo erro. Aliás, ela revelou também que não participou da única cena de nudez que acontece no filme, sendo substituída por uma dublê de corpo. No final de sua entrevista, ela disse que não gosta de filmes de horror, mas que ainda assim sentia-se muito orgulhosa de ter estrelado Sangue no Sarcófago da Múmia, que tornou-se um cult da Hammer com o passar dos anos e um filme muito significativo em sua carreira. Valerie Leon nasceu em 1945 em Londres e alguns outros trabalhos mais relevantes em sua filmografia são uma sequência de sete comédias (da série Carry On…) entre os anos 60 e 70, além de duas participações em filmes do agente secreto James Bond.

Já o roteirista Christopher Wicking (de filmes como Grite, Grite Outra Vez, 69, e Demônios da Mente, 72), revelou que teve um atrito sério com o produtor Howard Brandy, e foi expulso das filmagens. Como o diretor Seth Holt faleceu precocemente aos 47 anos antes do término das filmagens de Sangue no Sarcófago da Múmia (com a conclusão dos trabalhos realizada por Michael Carreras), ele disse de forma supersticiosa que a morte do jovem cineasta coincidindo também com o falecimento da esposa de Peter Cushing, foram motivados por uma espécie de maldição da Múmia.

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Curiosamente, o ator inglês Aubrey Morris, que fez o papel do Dr. Putnum nesse Sangue no Sarcófago da Múmia, o médico particular do Prof. Fuchs, também participou de um filme de 1997 baseado na mesma história de Bram Stoker, A Lenda da Múmia (The Legend of the Mummy), dirigido por Jeffrey Obrow, fazendo igualmente o papel de um médico, o Dr. Winchester. Outra curiosidade é a presença nos créditos finais do nome do gato de Tod Browning, chamado Sunbronze Danny Boy, sendo que o bicho apareceu apenas rapidamente no filme, mas mesmo assim ganhando crédito por sua atuação

Ela saiu do seu sarcófago para reclamar o que era seu e para vingar-se daqueles que perturbaram o seu sono eterno – frase de anúncio utilizada para divulgação no lançamento do filme no Brasil no início da década de 70.

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

Um comentário em “Sangue no Sarcófago da Múmia (1971)

  • 29/08/2018 em 13:09
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    E não conhecia esse filme, mas parece ser interessante. Eu normalmente sou contra remakes, mas acho que o último filme da Múmia com Tom Cruise poderia ser baseado nessa história.

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