O Massacre Final (1988)

O Massacre Final
Original:The Last Slumber Party
Ano:1988•País:EUA
Direção:Stephen Tyler
Roteiro:Stephen Tyler
Produção:Jill Clark
Elenco:Jan Jenson, Nancy Mayer, Joann Whitley, Danny David, Lance Descourez, Paul Amend, David Whitley, Rick Polizi, Mary Louise Michel, Darcy Devine, Barbara Claiborne, Stephen Tyler, Jim Taylor, Claire Cooney

Tenho que admitir que uma das poucas coisas que eu aprendi assistindo esse filme é que a ingenuidade pode ser perigosa. Digo isso porque quando vi o título original The Last Slumber Party na capinha em uma das “Feiras do Rolo” da vida (também sofisticadamente chamado de “sebo ao ar livre“), pensei que se tratava de uma continuação direta perdida, ou mesmo uma cópia carbono trash divertida, do clássico Slumber Party Massacre. Ledo engano, e lá vai o bobo aqui pegar o filme e correr para assistir e posso dizer que até para mim, que vê beleza nos trecos mais horríveis, foi uma das maiores brochadas que eu já tive, perdendo só para o final de Guerra dos Mundos do titio Spielberg.

O que nós temos aqui pode ser considerado uma obra máxima em clichês, que alguns podem achar divertida no começo, mas a maioria vai ficar com o saco cheio de como a narrativa sem profundidade é levada e as decisões que alguns personagens tomam, que ninguém em sã consciência tomaria.

O filme começa com o assassino, que tem uma baita cicatriz na testa, entrando em uma enfermaria e pegando roupas de médico e um bisturi, sua arma durante todo o filme. Corta para uma casa onde uma garota, enquanto escova o cabelo em seu quarto, é ameaçada pelo nosso maníaco homicida, usando uma máscara cirúrgica e seu indefectível bisturi (entenda por “ameaçar” fazer uma cara de maluco e por o bisturi na frente da câmera). Ela grita e chama a polícia. O assassino foge. Detalhe que antes da garota escovar o cabelo, ela olha pela janela e neste plano o quarto da garota é no segundo andar e não existe uma escada para subir, ou seja, o assassino escalou a casa até o teto em menos de 10 segundos!! O cara devia estar no Guiness!!

No dia seguinte, estamos em uma escola em seu último dia antes das férias de verão, e o professor de Ciências está falando tão animadamente que nenhum dos alunos está dando a mínima para ele. Ali conhecemos as vít…Ops.. personagens da história: temos os três adolescentes viciados em cerveja e sexo Tommy (Danny David), Billy (Lance Descourez) e Scott (Paul Amend), o nerd esquisitão Science (Rick Polizi) e as três garotas, Chris (Jan Jenson), Tracy (Nancy Mayer) e Linda (Joann Whitley). Chris e Tracy são as amiguinhas promiscuas da casta e certinha Linda, e que a convencem a fazer uma festinha em sua casa.

Mais tarde em uma clinica psiquiátrica, o pai de Linda, Dr. Clifford Sickler (David Whitley), que o diagnosticou como violento paranoico esquizofrênico e fará uma lobotomia como forma de tratamento, checa o quarto do maníaco, que já fugiu. Ele foi muito mais esperto e colocou alguns travesseiros debaixo do cobertor e ninguém notou a sua falta. Agora, pensem um pouco: se você estivesse diante de um paciente com um quadro clínico tão perigoso e que já tivesse te atacado anteriormente, você não colocaria o cara em uma jaula, ou no mínimo, deixaria o cara amarrado sob intensa vigilância?? É, meus caros, é previsível que vítimas de assassinos de filmes sejam burras, mas não a este ponto…E o negócio só está esquentando…

De qualquer forma, a noite cai e, enquanto espera o ônibus, uma das enfermeiras da clinica é morta pelo maníaco, assim como seu companheiro de ponto. Esta cena é particularmente ridícula, porque enquanto a mulher é atacada, o mané do ponto de ônibus está dormindo (!!) e só acorda depois do ato consumado, sendo presa fácil do assassino.

O festival de barbaridades continua com o Dr. Clifford voltando para sua casa e, depois de reclamar da bagunça das garotas na festinha, o noticiário anuncia os dois mortos no ponto de ônibus. Mesmo sabendo que foram mortos com um bisturi e que um dos corpos é de uma enfermeira do hospital, o Dr. Clifford se limita a dizer: “Há pessoas assustadas no ponto de ônibus. Boa noite meninas..“, hahahaha…

Os garotos aparecem, dando aquele previsível susto nas garotas, e saem novamente para comprar umas cervejas e encontram o esquisitão Science, que é esculachado pelos próprios, e também o pai de Linda, que terá que voltar ao hospital para uma emergência. Aproveitando a situação, os caras resolvem aparecer na casa pra valer.

A partir daí o filme traz sucessivos e incessantes clichês que chegam a dar raiva no espectador. O assassino não tem um pingo de criatividade, cortando todos os pescoços com o bisturi, sem deixar uma gota de sangue ou mesmo um lenço fora do lugar.

E quando a coisa não poderia piorar, eis que o roteiro, em uma tentativa de surpreender o público (falhando miseravelmente), coloca o tal Science como um assassino de bisturi também (!!), só que o maníaco original trabalha sozinho e acaba matando o nerd. E mais, em seguida a loirinha Chris tem um tosco pesadelo, onde todas as garotas estão mortas e se transformaram em zumbis – esta seqüência é tão, mas tão mal filmada que parece que o diretor deixou um bebê pra rodar a cena (minhas sinceras desculpas antecipadas à classe dos bebês pela ofensa).

As pessoas continuam morrendo até sobrar Chris (pelo menos um contra-clichê, já não foi a virgenzinha casta Linda que sobreviveu), que vê os corpos amontoados pela casa e não faz nada, fica passeando até pegar uma faca para peitar o maníaco.

Agora mais um destaque de absurdo do roteiro: por engano, Chris acaba matando um dos garotos, cravando a faca no peito dele (o que já é meio difícil de engolir). O assassino verdadeiro aparece e, em vez da garota tirar a faca do garoto (já que ele está morto mesmo), ela corre pra cozinha para pegar OUTRA faca (Senhor, perdoai, eles não sabem o que fazem).

O final é indescritível, com erros de espaço e tempo que nem Jason em sua melhor forma seria capaz de realizar, e também estava ocupado demais tendo náuseas neste momento. Só que ao final das contas tudo não passava de um outro sonho mórbido de Chris (ah, tá), que agora vai realmente passar a noite na casa de Linda. E o gancho vocês já estão carecas de saber…

Para começo de conversa, um roteiro como esse que Stephen Tyler escreveu, até meu irmãozinho de seis anos poderia fazer em um lapso de criatividade. Para falar a verdade, aparentemente nem devia haver um script, o cara escrevia tudo na hora. A “grande revelação” do final da fita, na realidade, não passa de uma grande desculpa esfarrapada, pois colocar todos os defeitos e burrices das personagens do filme em um mero pesadelo não alivia nem um pouco, pelo contrário, frustra ainda mais o público que nesta hora estará dormindo ou se contorcendo de ódio.

Como diretor, ele não passa de um amador sem talento. Passa o filme todo dando insistentes closes no rosto do assassino, que se limita a fazer algumas caretas. Certos ângulos de câmera usados são turvos e não se enxerga direito às personagens, e tem a tal cena do pesadelo de Chris que é uma das piores que eu já tive o desprazer de assistir. O que pode te deixar mais nervoso é que em todas as situações, mesmo quando uma das garotas encontra um corpo com o pescoço cortado, ninguém dá um grito, um telefonema para a polícia, ou mesmo saem correndo de lá.

O amadorismo do diretor também é correspondido pelo elenco que consegue passar apatia no modo de falar e atuar, especialmente o Dr. Clifford, que parece que está sempre com sono ou dopado – não dá pra se corresponder com ninguém e a vontade é que caia uma bomba atômica no set e acabe com o nosso sofrimento.

Enfim, o que faltou para que esse filme foi talento: roteiro, elenco, direção, edição, tudo enfim, careceu de um bocado de coisas. As risadas involuntárias acontecem, mas podem ser abafadas pelos grunhidos de raiva lá pelo final. E depois dessa, o meu conceito de filme ruim deve ser revisto…

(Visited 300 times, 1 visits today)
Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Co-autor do livro Medo de Palhaço, produz as Horreviews e Fevericídios no Canal do Inferno!

Um comentário em “O Massacre Final (1988)

  • 05/05/2018 em 11:07
    Permalink

    A única coisa que presta nesse filme são as três garotas, que passam o filme todo andando de shortinho e calcinha. Maravilhosas!

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *