Temple (2017)

2.4
(5)

Temple
Original:Temple
Ano:2017•País:EUA, Japão
Direção:Michael Barrett
Roteiro:Simon Barrett
Produção:Eric Bassett, Neal Edelstein, Shinya Egawa, Mike Macari
Elenco:Naoto Takenaka, Asahi Uchida, Logan Huffman, Brandon Sklenar, Natalia Warner

Minha lanterna apagou. Tem alguma coisa estranha aqui. Vamos embora!“, deduz Kate, interpretada pela belíssima Natalia Warner, de maneira que já faz o espectador questionar a habilidade do roteiro de Simon Barrett, que possui uma carreira sólida no horror com escritos em filmes como A Casa dos Pássaros Mortos, Frankenfish – Criatura Assassina (ambos de 2004), Você é o Próximo (2011), Bruxa de Blair (2016), entre outros. Lanternas não costumam realmente funcionar, como o cinema fantástico já mostrou anteriormente, mas é curioso você pensar que todos os avisos foram ignorados e ela somente achar estranho o utensílio ter sofrido uma pane. E isso não é pior: posteriormente, ela escuta um grito vindo da floresta e desconfia que seja seu namorado precisando de ajuda. Ela corre para a mata na direção do som, usando – pasmem! – a lanterna, que agora funciona perfeitamente.

Essa mesma Kate promove uma viagem um encontro no Japão para fazer um estudo sobre templos budistas. Além do namorado, James (Brandon Sklenar), convida o amigo e fotógrafo Christopher (Logan Huffman), que tem a habilidade de falar japonês e pode fazer o registro das pesquisas. Toda a narrativa é feita pelo único sobrevivente da experiência, atualmente deformado, numa cadeira de rodas, sem que o público saiba a sua identidade – apesar disso não servir de nada para o roteiro. Ele está sendo interrogado por um agente da polícia (Naoto Takenaka) e seu intérprete (Asahi Uchida), numa espécie de hospital universitário.

Voltando à narrativa, ao visitar uma loja de antiguidades japonesas, o grupo se depara com um livro que traz informações sobre um templo antigo. Apesar de Chris ser fluente em japonês, ele não sabe que a literatura lá se lê da direita para a esquerda (muito bom, Barrett!). A dona da loja estranha a publicação estar disponível e não permite a venda – tá, por que os amigos não tiraram fotos das informações que precisavam? Somente para mais tarde, Chris tentar novamente em encontra um japonesinho – uma espécie de Toshio – que lhe permite a retirada da obra, mesmo sem a presença da dona “Crazy Ralph“. Outros avisos serão dados e ignorados pelos jovens que irão até um vilarejo próximo à mata do templo para ouvir mais histórias estranhas do local e ainda assim resistir ao percurso – somente quando a lanterna queimar e que tudo ficará estranho!

Há alguns relatos bizarros sobre crianças desaparecidas em 1968 e um monge, e um sobrevivente que teria voltado do templo com os dois olhos arrancados da face. O tal templo – decepcionante, nas sábias palavras de James – é guardado por uma estátua de uma mulher com duas cabeças, sendo que uma de raposa (Kitsune). E, mesmo com o aviso do Toshio, que resolveu aparecer para guiá-los ao local – eles irão passar a noite para ali, depois de um acidente esquisito ocorrido com um deles. Há um subplot desnecessário envolvendo o interesse de Chris por Kate, e algumas atitudes estúpidas de James, e que acabam não servindo para nada, nem mesmo para desenvolver os personagens.

O fato de Chris ter habilidade com fotografia e fazer algumas gravações me fez pensar que teríamos alguns momentos “found footage“, algo que acabou não se sustentando – e isso não salvou o longa da sua péssima avaliação. Se existe algum elogio à produção pode-se dizer que a direção do estreante Michael Barret pouco compromete, assim como a boa ideia de usar a fotografia escura para esconder a criatura que aparecerá no filme, sem que os efeitos sejam prejudicados. Contudo, a edição, a cargo de Micah Stuart e Sean Valla, é bem precária.

Sem desenvolver adequadamente os ambientes apresentados – como a vila, uma mina e o próprio templo – Temple termina de maneira absolutamente banal, tentando surpreender o público sobre a identidade do Toshio e do cadeirante. O longa está disponível na Netflix, mas, se eu fosse vocês, seguiria a dica dos Crazy Ralphs do longa e ficaria bem longe dele.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

4 thoughts on “Temple (2017)

  • 09/06/2021 em 14:15
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    Esse filme é um dos piores que vi este ano e um dos maiores “qualquer coisa” que já vi. Nada importa, nada tem valor, nada tem peso, nada leva a lugar algum. O drama do filme é tão inexistente que eu nem fiquei irritado quando ele terminou, só chateado por ter perdido tempo com algo desse nível.

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  • 24/02/2021 em 18:26
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    Achei esse filme um pouco previsível, por que as personagens meio que demonstraram aquilo que tinha toda a pinta de que ia acontecer. Um pouco escuro talvez, nas cenas finais da mata, pensei: “me lembra a Bruxa de Blair” e não, não sabia que era o mesmo diretor. Acho que é um bom filme para ser um trabalho menos conhecido de um produtor que, assumidamente, já fez algo maior.

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  • 09/06/2020 em 00:47
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    Assistir “Temple” é jogar fora uma hora de sua existência, não o faça. Temple é uma das piores coisas que o cinema já fez.

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