Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)

Homem-Aranha: Longe de Casa
Original:Spider-Man: Far from Home
Ano:2019•País:EUA
Direção:Jon Watts
Roteiro:Chris McKenna, Erik Sommers
Produção:Kevin Feige, Amy Pascal
Elenco:Zendaya, Tom Holland, Angourie Rice, Jake Gyllenhaal, Jon Favreau, Samuel L. Jackson, Marisa Tomei, Cobie Smulders, J.K. Simmons, Jacob Batalon, Zach Barack

Depois de todo clima melancólico e dramático do final de Vingadores: Ultimato, criou-se uma grande expectativa pela primeira aventura pós os trágicos acontecimentos envolvendo a longa batalha contra o vilão Thanos. Além de minimizar a tensão proporcionada pelo último filme, coube ao Homem-Aranha a missão de encerrar a Fase 3 da MCU (Marvel Cinematic Universe), juntar as pontas e servir de transição para os próximos capítulos. Muita coisa para um adolescente de 16 anos, em plena puberdade, que encerrou sua primeira aventura solo rejeitando a proposta de entrar para a equipe dos Vingadores, e quer apenas curtir férias, esquecer as perdas e iniciar um relacionamento. Isso se os problemas não vierem até ele.

Nick Fury (Samuel L. Jackson, em sua terceira participação na franquia em 2019) e Maria Hill (Cobie Smulders) estão às voltas com um monstro de areia, até serem ajudados por uma presença heroica misteriosa (Jake Gyllenhaal). Enquanto isso, na escola, o jornal estudantil apresenta as perdas recentes, ao som hilário de “I Will Always Love You“, e utiliza o termo “blipar” para especificar as pessoas que viraram pó após o estalo dos dedos de Thanos. Muitas piadas envolvendo os sumiços (e até falsos sumiços) trazem o alívio que o espectador buscava, até as atenções voltarem para Peter Parker (Tom Holland) e seu interesse repentino por MJ (Zendaya). Após participar de um encontro na escola, com o apoio da Tia May (Marisa Tomei), que, ao contrário de que se imaginava, aceitou muito bem a descoberta da identidade secreta de Peter, o “amigo da vizinhança” se mostra confiante em um passeio para a Europa, com os professores, Sr. Harrington (Martin Starr) e Sr. Bell (J.B. Smoove), que, embora seja da área da ciência, atribui a tudo como bruxaria, além dos amigos, Ned (Jacob Batalon), Flash (Tony Revolori) e do rival de relacionamento, Brad (Remy Hii).

Sem o patrão Tony Stark, Happy (Jon Favreau) parece disposto a ocupar a função paterna no laço com Peter até mesmo na aproximação com a tia May. Enquanto isso, Nick tenta convocar o herói para a missão de combate aos monstros, atualizando o público sobre os demais Vingadores. Mas, Peter realmente não quer saber de soltar teias nessa eurotrip: não quis trazer a roupa de herói e somente pensa no modo como irá se declarar à colega da escola. Sem muita sorte no voo para a Europa, ao contrário de Ned, Peter começa a perceber que não será tão fácil assim deixar o heroísmo de lado, tendo que ajudar Mysterio e os agentes da Shield a impedir um imenso desastre contra os Elementais. Assim, o “cabeça de teia” terá que assumir uma terceira identidade, refletir sobre seus poderes e ao mesmo tempo encontrar meios de conquistar a amada.

Assim, acontece uma mescla entre filmes de heróis e comédias adolescentes, com humor que toca o pastelão sem soar bobo ou sem sentido. O enredo, a cargo de Chris McKenna e Erik Sommers, soube dosar bem essa mistura, facilitado pelo carisma de Tom Holland e pela química entre os demais personagens. E permite um questionamento que muitos fãs dos quadrinhos e do cinema já andam fazendo, desde o primeiro trailer: será que Peter Parker será o novo Homem de Ferro ou teremos o despontar de um novo herói? A resposta vem nas palavras de Happy, mesmo quando o Homem-Aranha percebe o poder que tem nos óculos de Tony Stark. Aliás, é impressionante o quanto esse personagem cresceu dentro da Marvel, tornando-se um elemento essencial em praticamente todas as aventuras.

A direção bem orquestrada por Jon Watts é facilmente notada. Desta vez, ele ousa até mesmo em repetir o que Sam Raimi fez em sua trilogia ao lançar o herói em voos através de prédios, numa belíssima dança aérea. A trilha sonora traz boas referências ao universo jovem e ainda brinca com a confusão de Parker ao identificar Led Zeppelin passos antes de confeccionar a roupa nas medidas que sempre quis. Mais uma vez, Happy enxerga nas movimentações dos braços do adolescente uma referência a quem partiu, talvez deixando pistas sobre os novos caminhos do herói. Embora, uma das cenas pós-crédito também já deixou vestígios do que pode vir a acontecer.

Homem-Aranha: Longe de Casa diverte como era de se esperar e cria novas perspectivas para o herói. É levemente inferior à sua estada em casa, quando o Homem-Aranha ainda se apresentava em sua rotina escolar e no domínio dos novos poderes, mas cumpre satisfatoriamente seu papel como filme de ação e comédia. Não espere tanta dramaticidade como o primeiro trailer fez questão de destacar: o filme é um alívio cômico para o capítulo mais tenso e surpreendente da Marvel.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

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