Medo da Chuva (2021)

3.8
(4)

Medo da Chuva
Original:Fear of Rain
Ano:2021•País:EUA
Direção:Castille Landon
Roteiro:Castille Landon
Produção:Robert Molloy, Dori A. Rath, Joseph Restaino, Joe Riley
Elenco:Katherine Heigl, Harry Connick Jr., Madison Iseman, Israel Broussard, Eugenie Bondurant, Julia Vasi, Enuka Okuma, Ashley Abrams, Jannette Sepwa

Produções de horror que abordam doenças fazendo-as servir ao enredo sempre resultam em boas opções do gênero. Seja a agorafobia (do ótimo Copycat – A Vida Imita a Morte, 1995) ou até a cegueira facial (do curioso Visões de um Crime, 2011), até chegar ao recente e multi-patológico Fuja (2020), com Sarah Paulson, nota-se enredos intrigantes, que trazem boas doses de suspense. No caso específico de Fear the Rain (2021), lançado erroneamente por aqui com a tradução literal Medo da Chuva, a protagonista sofre de esquizofrenia – embora a própria não saiba exatamente o que a aflige – e é muito interessante o modo como a diretora e roteirista Castille Landon lida bem com essa linha de argumento. Mas, também foi bem servido com a excelente atuação de Madison Iseman (Annabelle 3 – De Volta Para Casa, 2019).

Ela é Rain, uma jovem apresentada em um dos seus momentos de delírios psicológicos, fugindo numa floresta de um psicopata até ser capturada e enterrada viva. Fazendo uso de medicamentos, acompanhamento psicológico com a Dra. Ellen Pangloss (Enuka Okuma) e a recomendação de uma possível internação, seus pais, John Burroughs (Harry Connick Jr.) e a esposa Michelle (Katherine Heigl, de A Noiva de Chucky, 1998), tentam uma última cartada de atenção e observação. Ao retornar à escola, sofrendo bullying por ser uma garota doente, ela só consegue refúgio no apoio de um estudante novo, Caleb (Israel Broussard, de A Morte te Dá Parabéns, 2017), isso se ele realmente existir.

A doença dela tem dessas de pregar peças, e o roteiro de Landon tem consciência de que isso também pode servir como um ótimo elemento de intrigas e suposições, deixando o público com a visão dela, sem ter a certeza se o que ela está vendo é real. Dessa forma, você dificilmente consegue presenciar a interação do rapaz com outros personagens além de Rain, o que contribui para o seu desconforto. Sem saber se os fantasmas que a assombram são reais ou fruto de sua condição, Rain ainda começa a desconfiar que a vizinha, a solitária professora Dani McConnell (Eugenie Bondurant), possa ter sequestrado uma criança. Como em Paranoia (Disturbia, 2007) e A Hora do Espanto (Fright Night, 1985), ela é desacreditada por todos, incluindo seus pais, a polícia, Caleb e a própria vizinha, obrigando-a a uma missão de investigação e invasão domiciliar.

É claro que há mais elementos que contribuem para a boa condução de Fear of Rain. A doença, as assombrações,  pesadelos e mistério se unem de maneira satisfatória às surpresas promovidas pelo roteiro, embora uma delas não chegue a ser assim tão surpreendente. E ainda sobra espaço para algumas cenas de tensão que, mesmo não sendo absolutas em sua realização, podem levar o espectador a se erguer no sofá. Rain contribui com sua empatia, pelo modo errôneo como é julgada pelos jovens de sua idade e até mesmo pelos pais. É difícil não se solidarizar com o desespero de não saber se aquilo que está vendo é real, se a pessoa que está conversando contigo realmente está lá – e em uma excelente ação técnica, seus pensamentos são expostos, de forma eficiente e criativa.

E se o resultado é quase plenamente satisfatório, isso se deve em boa parte pela atuação da jovem Madison Iseman. Ela, que tem se destacado na franquia Jumanji, mesmo que sua Bethany apareça pouco, e esteve no ótimo Noturno, também poderá ser vista na versão para a TV de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado. O modo como confronta sua doença e a sociedade é bem convincente, sempre com o rosto expressivo na comprovação de seu desespero. Harry Connick Jr. também está muito bem. Curiosamente, ele atuou como o insano psicopata Daryll Lee Cullum em – pasmem! – Copycat – A Vida Imita a Morte, e agora tem que lidar com a doença de sua própria filha. É um verdadeiro karma.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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