Arachnid (2001)

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Arachnid
Original:Arachnid
Ano:2001•País:Espanha, EUA, México
Direção:Jack Sholder
Roteiro:Mark Sevi
Produção:Sheri Bryant
Elenco:Chris Potter, Alex Reid, José Sancho, Neus Asensi, Ravil Isyanov, Luis Lorenzo Crespo, Rocqueford Allen, Jesús Cabrero, Robert Vicencio

O que poderia justificar o crescimento de uma aranha e torná-la um predador indestrutível, com a possibilidade de procriar e evoluir numa rapidez impressionante? Produtos tóxicos mal utilizados, as experiências de um cientista louco? No roteiro de Mark Sevi (Pterodactyl – A Ameaça Jurássica, 2005), o monstro é de origem alienígena e está aqui num daqueles acidentes que só um argumento sem sentido poderia proporcionar. O piloto Joli está sobrevoando o oceano a bordo de um Stealth, aquele avião que não é reconhecido pelos radares, para testes de eficiência. Eis que ele avista um estranho fenômeno no mar: uma espécie de tromba d´água, sugando todos os organismos vivos para um estranho objeto voador transparente. Estupefato pelo mistério, ele resolve seguir o que parece ser uma nave extraterrestre, sem perceber que a velocidade de seu avião é superior ao do OVNI, ocasionando uma eminente colisão. Joli ejeta do veículo e cai de paraquedas numa ilha – que também era invisível, pelo menos para o espectador. No ambiente selvagem, ele encontra os destroços das duas naves, além de uma criatura espectral que clama por ajuda. Antes que ele possa digerir esse encontro inusitado, uma aranha gigante, oriunda do transporte alienígena, ataca o ET, deixando um rastro de teia e a boca escancarada do piloto – e do infernauta.

Assim são os primeiros minutos do trash espanhol Arachnid, lançado do mesmo ano do excelente A Espinha do Diabo, de Guillermo del Toro. Toda a sequência já poderia incentivar os aracnofóbicos a ejetar o filme, distribuído pela Flashstar, na mesma velocidade de que o piloto, e ignorar a tagline: “Ela veio de outro mundo…para ficar.” Não, não em seu aparelho! Os efeitos são bem ruins, justificados pelo orçamento estimado em pouco mais de meio milhão de dólares, mesmo quando você se surpreende com nomes como Brian Yuzna (na época fez o interessante Dagon) e Julio Fernández (depois se envolveria na franquia [Rec]) na produção.

A ação salta para um hospital, onde uma equipe acaba de se formar para investigar mortes misteriosas numa aldeia de uma região selvagem – um dos sobreviventes estaria paralisado e num estado de morbidez crônica por conta do ataque de uma aranha. O grupo é formado pela piloto novinha Mercer (Alex Reid, de Abismo do Medo, 2005), que irá esconder do grupo seu desejo de encontrar o irmão desaparecido (o tal piloto do começo), os soldados Valentine (o galã Chris Potter, de Operação Babá, 2005) e Reyes (Luis Lorenzo Crespo), o especialista em aranhas Henry Capri (Ravil Isyanov, de Transformers: O Lado Oculto da Lua, 2011), dois médicos – Samuel Leon (José Sancho) e Suzana (Neus Asensi) – e alguns nativos. Ao se aproximar da ilha, o avião sofre uma pane mal explicada e dirigida, filmada de dentro da aeronave com as caras e bocas dos tripulantes, e faz um pouso forçado no local.

A partir daí, o que se segue é uma teia de clichês já vista em inúmeras produções do estilo “equipe em expedição numa mata selvagem e o confronto com a natureza.“, desde a franquia Anaconda até mesmo Jurassic Park. Os personagens estereotipados (o conquistador barato, o especialista, a heroína moralista…) passearão por lugares-comuns como o que é mordido e fica doente, os integrantes que se separam, os conflitos internos e, vez ou outra, o encontro com alguma criatura ou cadáver. A aranha alienígena terá procriado no local e desenvolvido versões mutantes, mesclando com criaturas da floresta: há a cobra-aranha, o carrapato-aranha e a larva-aranha, entre os vilões – infelizmente, ficou faltando o homem-aranha! Quem não tem muita importância no filme – e é facilmente identificado – encontra seu destino mais rapidamente, enquanto o casal de heróis sobrevive a vários ataques que foram suficientes para liquidar os demais.

Dentre tantas bobagens, o longa de Jack Sholder (fez melhor em Hidden – O Escondido, 1987) tem uma única cena interessante e bem realizada. Ocorre num sonho da protagonista, quando ela reencontra o irmão desaparecido e ele a abraça (“O que foi? Não quer abraçar a mãe natureza?“) e a pele se rasga de rosto para revelar a aranha-chefe, em um efeito bem realizado. Um momento de criatividade em um filme todo errado e que praticamente feriu a carreira dos envolvidos! Se quiser emoção, é melhor investigar aquela teia escondida atrás do móvel velho a ter que arriscar uma conferida!

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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