The Beast of Bray Road (2005)

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The Beast of Bray Road
Original:The Beast of Bray Road
Ano:2005•País:EUA
Direção:Leigh Scott
Roteiro:Leigh Scott
Produção:David Michael Latt, David Rimawi, Sherri Strain
Elenco:Jeff Denton, Thomas Downey, Sarah Lieving, Joel Ezra Hebner, Tom Nagel, Noel Thurman, Matt Kawczynski, Bernadette Perez, George Williams, Anne Apra, Kyle Kaplan, Mark Womack, Christina Rosenberg

A fábrica de produções trashes, também conhecida como The Asylum, ainda continua a todo vapor. Houve uma época que era até divertido aguardar suas versões bagaceiras de blockbusters que seriam lançados naquele ano. Na época do lançamento do apocalíptico 2012, de Roland Emmerich, por exemplo, a empresa soltou um 2012: Ice Age; quando Os Vingadores aguardava para estourar nos cinemas pelo mundo, eles vinham rapidamente com Avengers Grimm. Isto é, não importava se os efeitos ruins, se o elenco era amador, se a ruindade se evidenciasse por todos os lados, pois a The Asylum queria que as pessoas vissem seus filmes antes. É claro que eles produziram muitas franquias próprias como Sharknado – e outras variações -, além de obras isoladas de um cinema Z, como é o caso deste The Beast of Bray Road.

Lançado em 2005, sem nenhuma referência, o filme ficou estacionado em meu catálogo, sem que eu sinta o menor interesse em conferi-lo, embora eu seja um grande fã de lobisomens. Contudo, foi o lançamento do documentário The Bray Road Beast, de Seth Breedlove, que me fez lembrar de sua existência. Não conhecia a lenda da Besta de Bray Road e nem sabia que o filme da The Asylum tinha uma base “real“. Ao ver o documentário, produzido pela Small Town Monster, constatei que que já tinha ouvido falar de outra produção ambientada nessa Bray Road e dei uma chance ao trabalho de Leigh Scott. Deveria não ter feito isso, e simplesmente deixado para lá. Maldita curiosidade de fã de horror!

Como era de se imaginar, o filme começa com um ataque da fera. Após deixar o bar da Kelly (Sarah Lieving), famoso ambiente da região, uma jovem dá um fora em um dos irmãos Loubes e vai embora pela Bray Road, até seu veículo quebrar em plena madrugada. Quando ela pensa em pedir ajuda pelo celular, uma criatura a ataca, ferindo seu rosto, para terminar o serviço na floresta. Na manhã seguinte, o novo xerife da cidade, Phil Jenkins (Jeff Denton), encontra o carro no mesmo local e, embora tenha um vidro quebrado e um rastro de sangue, ele simplesmente informa a central e resolve buscar informações sobre a motorista. Ainda que se entenda que a cidade não tenha muitas ocorrências, é impressionante o desdém de muitos ali em relação ao desaparecimento e sangue, assim como a do próprio oficial que nem sequer procura vestígios da garota na mata.

Passando pela morada de familiares e até pelos intragáveis Loubes, Phil percebe que ninguém se importa com o que pode ter acontecido. Contudo, outros ataques são informados, como o testemunhado pela família Van Beek. Logo chega ao local o criptolólogo, Quinn McKenzie (Thomas Downey), após ler os relatos de uma blogueira a pedido da oficial Pamela (Noel Thurman), que pensa em trazer turistas à região, e ele tenta convencer o xerife de que se trata de uma criatura não catalogada, um possível lobisomem. “Uma vez na China, alguns pesquisadores descobriram que havia um urso branco com manchas pretas e resolveram investigar. Graças a pessoas como eu, você conhece os pandas.“, é o tipo de informação que Quinn traz para dar “conteúdo” ao filme.

Sem esconder o lobisomem, algo que poderia dar ao filme um resultado melhor como se fazia antigamente para camuflar os efeitos ruins, The Beast of Bray Road tem todo o clichês do subgênero, incluindo o famoso mistério sobre a identidade da criatura. Não chega a ser assim tão surpreendente até porque há várias pistas e não sobra muito personagem para a indicação. Assim, o monstro segue eliminando o elenco – boa parte composto de pessoas bonitas, principalmente mulheres, e sempre maquiadas (e pode até apontar características de uma misoginia no roteiro de Scott, pois o elenco feminino é quase inteiro promíscuo) – até que os heróis resolvam produzir balas de prata para o combate.

Há cenas de corpos sendo destroçados e devorados, e a própria exposição constante da fera, o que mostra que os realizadores, pelo menos, tiveram um pouco de ousadia. No entanto, não é suficiente para evitar uma avaliação ruim, seja por uma trama que descontrói o mito, por atuações horríveis (os adolescentes da família Van Beek são péssimos), pela ambientação sempre igual (parece que só existem dois ou três cenários, todos próximos, incluindo a mata sempre bem iluminada, onde os personagens facilmente se encontram), pelos próprios personagens que não permitem empatia e até a ausência de trilha. Enfim, se quer saber mais e de maneira mais intrigante sobre a tal Besta da Bray Road, sugiro que assista ao doc, muito mais interessante e assustador.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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