Na Mente do Demônio (2021)

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Na Mente do Demônio
Original:Demonic
Ano:2021•País:EUA, Canadá
Direção:Neill Blomkamp
Roteiro:Neill Blomkamp
Produção:Mike Blomkamp, Neill Blomkamp, Stuart Ford, Linda McDonough
Elenco:Carly Pope, Chris William Martin, Michael J Rogers, Nathalie Boltt, Terry Chen, Kandyse McClure

Houve um tempo em que Neill Blomkamp era considerado um nome promissor entre os cineastas em atividade pela concepção de filmes como Distrito 9 (2009), Elysium (2013) e Chappie (2015). Por alguma razão, depois desses três longas, ele passou a comandar uma série de curtas-metragens, até retornar em 2021 com o terror Na Mente do Demônio (Demonic). Diziam até que ele era um dos diretores cotados para o reboot da franquia Alien, devido ao que fizera em Distrito 9, mas acabou não se envolvendo com o projeto iniciado com Prometheus. Dito isso com base em sua filmografia e possibilidades apresentadas, a impressão que se passa pelo seu último trabalho é que ele desaprendeu a função, tornando-se um diretor convencional e com pouca criatividade.

Realizado durante a pandemia do covid-19, esta mistura de A Cela com filmes de exorcismo tem como protagonista Carly (Carly Pope), uma jovem aterrorizada por pesadelos que envolvem sua mãe Angela (Nathalie Boltt)), responsável pelo incêndio de um asilo que culminou com a morte de 21 pessoas. É aconselhada pelo amigo Martin (Chris William Martin) a aceitar o contato de uma empresa chamada Therapol, que realiza procedimentos de resgate de pessoas em coma através de projeção onírica, e avisa que a mãe dela é uma das pacientes. Os cientistas Daniel (Terry Chen) e Michael (Michael J. Rogers) avisam que a mãe dela entrou em coma após uns surtos de violência e está presa em um estado vegetativo, e a única que pessoa que pode ajudá-la é sua filha.

Com relutância Carly aceita o experimento e invade a mente de sua mãe e, mesmo com os pedidos da própria para que não retorne, começa a redescobrir através de um passeio virtual ambientações do passado, como a casa da infância, além do sanatório onde a tragédia aconteceu, até confrontar com algo obscuro, adormecido. Logo, ela começa a perceber que uma entidade demoníaca habita a mente de sua mãe, e que agora pretende encontrar meios de sair dali, com uma possibilidade de ameaça ao mundo real, aos amigos de Carly, como Sam (Kandyse McClure), e até a ela mesma. Parece que a Therapol, através de seus tratamentos experimentais, esconde a verdadeira natureza de suas ações.

O argumento principal de Na Mente do Demônio, a cargo do próprio Blomkamp, é consumido por clichês e situações óbvias. Desde a ambientação abandonada, com características assombradas, passando por contorcionismo do possuído e padres que são na verdade caçadores de demônio, atuando como soldados do Vaticano, com tatuagem de cruz e rifles, e que inexplicavelmente colocam pessoas como iscas, como se o principal interesse fosse apenas destruir demônios – se ele estava sendo mantido preso, para que despertá-lo? E há até o personagem obsessivo, que mantém um painel com recortes de jornal, post-its e fotos com identificação de envolvidos, mas que em cenas anteriores parecia não saber do que se tratava a tal Therapol. Se ainda tivesse avisado a Carly sobre as intenções da empresa, muitas dores de cabeça seriam evitadas como a transformação da amiga.

Mesmo com furos e situações que não levam a lugar algum, o longa se beneficia dos bons efeitos especiais. A viagem de Carly pelo mundo da imaginação de sua mãe é bem realizado, assim como a ideia de construção dos ambientes à medida em que ela anda por eles. Muitos deles se assemelham a ambientes de videogame, como se o infernauta estivesse conduzindo uma personagem por fases. É legal também a relação com corvos, e o modo como a mãe é progressivamente vista a cada nova visita. Infelizmente, depois que o filme passa a apresentar o mundo externo, a narrativa parte para o óbvio em tom apocalíptico até mesmo no modo como tudo se resolve.

É estranho quando se percebe que o diretor por trás é o mesmo que criou uma interessante invasão alienígena com e levou humanos a encontrar refúgio no espaço, em ótimas críticas sociais. Talvez seja melhor continuar com seus curtas…

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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