The Trip (2021)

4.8
(5)

The Trip
Original:I onde dager
Ano:2021•País:Noruega
Direção:Tommy Wirkola
Roteiro:Tommy Wirkola, John Niven, Nick Ball,
Produção:Kjetil Omberg, Jørgen Storm Rosenberg
Elenco:Noomi Rapace, Aksel Hennie, Atle Antonsen, Christian Rubeck, André Eriksen, Nils Ole Oftebro, Stig Frode Henriksen, Tor Erik Gunstrøm, Selome Emnetu, Galvan Mehidi

A filmografia de Tommy Wirkola é um convite para se interessar por The Trip. Ele comandou os dois ótimos filmes da franquia Zumbis na Neve e o criativo Onde Está Segunda?, embora tenha um João e Maria: Caçadores de Bruxas no meio de tudo. Sabe-se que ele é um cineasta que trabalha muito bem o humor, às vezes através de gags físicas ou com diálogos ácidos – mas sem configurar sua obra em único gênero -, e que os roteiros são bem construídos e buscam caminhos inesperados, até quando você já imagina o que vai acontecer. Em The Trip, com enredo do próprio em parceria de John Niven e Nick Ball, a ambientação e os núcleos de personagens são quase teatrais, e se fortalecem pelas constantes mudanças narrativas e por algumas situações ousadas. E há muito sangue também.

A atriz desempregada Lisa (Noomi Rapace, recuperando o prestígio perdido com o sonolento Lamb) e seu marido, o medíocre diretor de TV Lars (Aksel Hennie), estão no limite da convivência. Sem carinho e com grandes dificuldades financeiras, eles decidem passar um fim de semana na casa de campo do pai de Lars, Mikkel (Nils Ole Oftebro), mas não para resgatar a relação conturbada. Na verdade, a intenção é exterminar o cônjuge, e tentar fazer tudo parecer um acidente. Com ferramentas e o plano já estabelecido de matar, fatiar e jogar no lago com uma pedra, Lars só não imaginava que sua companheira possui uma intenção na manga e que matar não será assim tão fácil, principalmente quando outros personagens entrarem no rolo, como o jardineiro e um trio de bandidos extremamente perigosos, que pretende se abrigar no mesmo chalé.

Contudo, The Trip não é fantasioso como Sr. e Sra Smith, mas carrega o espírito de A Guerra dos Roses nos primeiros trinta minutos. É notado que a falta da sintonia do casal, as brigas e até a traição assumida, na verdade, escondem a grande afeição que sentem um pelo outro. O problema é a descoberta tardia e dramática disso. A comédia de erros ganha um tom de horror quando os vilões, o líder Petter (Atle Antonsen), o estuprador Dave (Christian Rubeck) e o bocó Roy (André Eriksen), deixam evidente que são realmente pessoas perversas, que querem dinheiro e até mesmo uma diversão de ocasião. Resta aos protagonistas o esforço para encontrar meios de enfrentá-los, e agir com uma disposição que até então não demonstraram um contra o outro.

Confrontos violentos, sangue em profusão e sequências involuntariamente hilárias tornam The Trip um filme bastante divertido, e com muitas possibilidades. Apesar de dificilmente torcer por um lado, o infernauta passa a se preocupar com os protagonistas, conscientes que talvez um deles (ou os dois) possa não sobreviver, ainda mais pelo fato dos bandidos serem grandalhões, dispostos a fazer qualquer coisa por dinheiro. Noomi Rapace está muito bem no papel de uma atriz ruim, porém Aksel Hennie (O Paradoxo Cloverfield) é quem se destaca pelos estágios emocionais de seu personagem, passando de um homem frio para uma sombra melancólica, de um homem sem coragem de serrar a esposa para um capaz de fraturar a perna de um oponente com agressividade.

Tudo conduz para um final que confirma todas as expectativas, e torna os passeios até os créditos bem agradável. Disponível na Netflix com uma capa alternativa atraente (a do martelo), The Trip confirma Wirkola como um diretor ao qual você deve dar mais oportunidades e aguardar seu próximo trabalho.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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