The Superdeep (2020)

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The Superdeep
Original:Kolskaya sverhglubokaya
Ano:2020•País:Rússia
Direção:Arseny Syuhin
Roteiro:Sergey Torchilin, Viktor Bondaryuk, Milena Radulovic, Arseny Syuhin
Produção:Konstantin Elkin, Arkady Golubovich, Valeria Kolesnik, Sergey Kulikov, Andrey Lyakhov, Andrey Shishkanov, Ivan Tarlykov
Elenco:Milena Radulovic, Sergey Ivanyuk, Nikolay Kovbas, Vadim Demchog, Kirill Kovbas, Nikita Dyuvbanov, Viktor Nizovoy

Assim como houve a disputa entre americanos e soviéticos pela conquista do espaço, o mesmo aconteceu na tentativa de chegar ao centro da terra. O Poço Superprofundo de Kola, no Círculo Polar Ártico, desenvolvido pela Rússia nos anos 90, é considerado até hoje o que mais se aproxima do Inferno, embora o longa The Devil Below tenha mostrado um na América – teria sido um acesso mais facilitado para o King Kong encontrar suas origens. O terror russo The Superdeep explora o momento de investigação das profundidades de Kola com insinuações que talvez justifiquem porque a busca foi encerrada tempos depois, em um enredo que ironicamente não vai muito além de sua proposta, sendo extremamente superficial e quase inteiramente decepcionante.

Dirigido pelo estreante em longas Arseny Syuhin, a partir de um roteiro co-escrito por Viktor Bondaryuk, Sergey Torchilin, Milena Radulovic e pelo próprio diretor, o filme é ambientado em 1984, quando a epidemiologista Anna Fedorova (a belíssima Milena Radulovic) é contratada para investigar uma suposta doença que poderia estar acometendo os funcionários de um laboratório subterrâneo em Kola, onde sons estranhos foram ouvidos e vinte pessoas desapareceram. Embora esteja nas comemorações do Ano Novo, Anna aceita pela oportunidade financeira e para corrigir um deslize mostrado no prólogo, quando permitiu que seu colega Dr. Zotoff fosse usado como teste de uma vacina, antes mesmo de utilizá-la em animais, pendendo a um final trágico. Ela foi convencida na época pelo Coronel Morozov, da Inteligência Militar, a continuar no projeto, o que mais tarde resultaria no sucesso da operação, comemorado na virada de ano.

Aceitando a proposta, ela parte para o local, em Murmansk, onde irá investigar o malefício que gerou a denúncia do Dr. Grigoriev (Vadim Demchog), com uma equipe de militares sob o comando do Major Sergei Makeev (Sergey Ivanyuk). Após um incidente na chegada, ela colhe material de um homem que detonou uma granada e ouve o relato de um que já adianta que não se trata de uma doença, mas do encontro a algo inexplicável no acesso ao Inferno. Eles descem até o único nível possível, a cerca de 5220 metros de profundidade, mas são enganados pelo Dr. Grigoriev, ao usar um elevador que exigia uma senha própria. Presos no alojamento, no nível “Yalta“, eles tentam acesso aos laboratórios, atentos a possíveis novas investidas de Grigoriev, sem saber que existe uma ameaça muito maior no local, algo que se chegar à superfície poderia determinar o fim da humanidade.

Depois que se entende o que seria o tal segredo do cientista, The Superdeep flerta discretamente com o clássico absoluto O Enigma de Outro Mundo. Havia até potencial para isso, pela presença de um fungo que, utilizando o calor intenso do núcleo da Terra, alimenta-se de tecidos biológicos para fundir humanos e convertê-los em esporos, e que não pode ser exposto – lembra também Leviathan, de George P. Cosmatos. Contudo, a realização compromete seu resultado, talvez pelo orçamento inferior às pretensões, o que garante uma dose homeopática de efeitos práticos, ou pelo grande número de personagens e a tal conspiração interna que não leva a lugar algum. Uma concentração maior na mutação e confecção do monstro ampliaria a sensação de claustrofobia e de proximidade com o tal Inferno que teria inspirado crenças.

Também dificulta uma aceitação maior a quantidade de erros que são evidentes em cena. As filmagens do prólogo destoam completamente do restante do filme, mesmo que a intenção seja apresentar um episódio do passado, um trauma que se transformou em uma lembrança onírica. Parece uma cena de uma produção noir ou de uma ficção científica obscura – se é uma referência, ela poderia ter sido mostrada posteriormente, quando o espectador já está habituado ao estilo do filme. Cortes secos, iluminação desvalida e diálogos fúteis – a da tentativa de identificação da origem da protagonista, por exemplo – completam a mediocridade da obra.

Pode ser que The Superdeep consiga entretê-lo pelo argumento principal, uma das grandes razões pelas quais me interessei em vê-lo. Tais elementos, ainda que discretamente explorados, podem tornar a experiência passável para o infernauta que se interessa pela temática de exploração e monstros. Mas dificilmente tornará o longa como uma referência, quando você se lembrar de produções similares.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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