Godzilla Vs Kong (2021)

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Godzilla Vs Kong
Original:Godzilla Vs Kong
Ano:2021•País:EUA, Austrália, Canadá, Índia
Direção: Adam Wingard
Roteiro:Terry Rossio, Michael Dougherty, Zach Shields, Eric Pearson, Max Borenstein
Produção:Alex Garcia, Jon Jashni, Eric McLeod, Mary Parent, Brian Rogers, Thomas Tull
Elenco:Alexander Skarsgård, Millie Bobby Brown, Rebecca Hall, Brian Tyree Henry, Shun Oguri, Eiza González, Julian Dennison, Lance Reddick, Kyle Chandler, Demián Bichir, Kaylee Hottle, Hakeem Kae-Kazim, Ronny Chieng, John Pirruccello, Chris Chalk, Conlan Casal, Brad McMurray, Nick Turello, Priscilla Doueihy, Daniel Nelson, Benjamin Rigby, John Walton

Havia uma expectativa hiperbólica do encontro entre os dois principais monstros do cinema, em uma empolgação que começou a se desenvolver em 2014, com o lançamento da nova versão de Godzilla. Era uma realidade distante tendo em vista a refilmagem de King Kong, de Peter Jackson, e a dúvida que pairava sobre a necessidade de realização de um novo filme com o gorila gigante – até foi oferecido a Jackson a direção da produção, algo que não se concretizou, deixando a cadeira para Jordan Vogt-Roberts. A resposta veio com a boa aceitação do bem realizado Kong: A Ilha da Caveira, que já projetava essa possibilidade ao conectar os universos através da menção à empresa Monarch Corp., no desenvolvimento de estudos sobre monstros gigantes. Concebido o elo, bastava então aguardar o embate, com a lembrança saudosa do longínquo King Kong vs Godzilla, de 1963.

O roteiro de Godzilla Vs Kong começou a ser desenvolvido ainda em 2017, dois anos antes de Godzilla II: Rei dos Monstros. Adam Wingard já havia sido contratado para comandar o filme, antes mesmo da concepção do argumento de Terry Rossio, Michael Dougherty e Zach Shields, e que resultaria no roteiro de Eric Pearson e Max Borenstein. Participando ativamente do desenvolvimento da história, Wingard foi acompanhando as várias versões e rascunhos, além de iniciar a pré-produção, enquanto viu de camarote a volta de Godzilla aos cinemas. Com as filmagens acontecendo entre o final de 2018 e início de 2019, o filme entrou em um longo processo de pós-produção, e qualquer intenção de estreia exclusiva nos cinemas em 2020 foi afastada com a pandemia do coronavírus.

Godzilla Vs Kong foi lançado simultaneamente nos cinemas e na HBO Max no dia 31 de março. Alcançou valores expressivos de mais de U$ 460 milhões de dólares, e grande parte das críticas foi favorável ao duelo. E não poderia ser diferente: trata-se realmente de uma produção-fantasia, que aproveita a irrealidade proposta para fazer o que bem quer, uma vez que qualquer coisa teria que ser aceita: ora, se você consegue imaginar um confronto nessas proporções, ignorando as facilidades do roteiro, a ideia de explorar o centro da Terra, machado com poderes e uma idealização monárquica são comumente digeridos. Além disso, os grandiosos e bem realizados efeitos especiais e a ousadia de seus realizadores de conseguir agradar a todos os públicos permitiram um fan-service de primeira. Não importa se você é do time do King Kong ou do Godzilla, de todo modo você será bem saciado.

A história começa na Ilha da Caveira, onde Kong é mantido sob vigilância pela Monarch para evitar que seja rastreado pelo Godzilla, depois que este matou a ameaça Ghidorah. O gorila recebe os cuidados e o carinho da pequena Jia (Kaylee Hottle), a filha surda adotada dos nativos por Ilene Andrews (Rebecca Hall). Enquanto ele é mantido em um ambiente que tenta emular seu habitat, longe dali um podcaster e funcionário da Apex Cybernetics, Bernie Hayes (Brian Tyree Henry), desconfia que sua empresa esconda um projeto secreto, e sua investigação é interrompida por uma investida do Godzilla, sem razão aparente, intrigando a jovem Madison Russell (Millie Bobby Brown), que se une ao seu amigo Josh (Julian Dennison) para tentar descobrir o que está acontecendo.

Nesse interim, Walter Simmons (Demián Bichir), CEO da Apex, contrata o cientista e autor de uma teoria sobre o “Buraco da Terra“, Nathan Lind (Alexander Skarsgård), para conduzir Kong a uma expedição à tal entrada, onde ele poderia ter acesso á força dos titãs, uma fonte de energia capaz de fortalecer o gorila no confronto com Godzilla. Faz sentido? Claro que não. Principalmente quando você descobre que a verdadeira razão dessa jornada é para permitir as ações de um inimigo comum aos dois monstros gigantes, o tal do fan-service que eu mencionei. Assim, eles pretender utilizar veículos que consigam suportar a gravidade reversa para acompanhar Kong, ao passo que Bernie, Madison e Josh vão aos poucos se aproximando dessa verdadeira ameaça.

E as lutas prometidas no título? Elas irão acontecer em três rounds, sendo que a primeira terá como ambiente o oceano, durante a migração de Kong. É claro que é preciso ter consciência que o tal Centro da Terra é apenas uma desculpa para equilibrar o confronto: numa disputa entre Kong e Godzilla, este último destruiria facilmente o gorila, cuja única habilidade envolve a força. Até mesmo o tamanho dos monstros foi equiparado, uma vez que a diferença entre eles é notável em suas aparições anteriores. Dando-lhe uma arma poderosa e o assento do Thanos, Kong encontra um acesso para voltar à superfície, atender à conversa na linguagem por sinais e alcançar Godzilla. Assim, prédios irão cair, haverá muita destruição, com a testemunha assustada de transeuntes e dos demais personagens, e os tais monstros ocuparão boa parte da tela em uma briga sonora e explosiva.

É exatamente o que se poderia imaginar em cena, principalmente para quem já está acostumado com outros crossovers clássicos. Há personagens em excesso, muitos deles desnecessários – Millie Bobby Brown está ali apenas para conectar as franquias através de um rosto conhecido – e a intenção inicial de apresentar um vilão, como fora feito em Alien Vs Predador e Freddy Vs Jason, em que sempre o primeiro nome representa uma ameaça para posteriormente ocasionar o equilíbrio.

Funcionando como um típico filme-pipoca fomentado para a tela grande, o longa tem seus méritos advindos dos efeitos técnicos no contra-fluxo da depreciação de seu roteiro. Sem a força de uma tela de cinema, principalmente as que exploram melhor os recursos de som e imagem, Godzilla Vs Kong torna-se um confronto bem desenvolvido, mas bem distante do que poderia proporcionar.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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