Delivery Macabro (2019)

4.3
(6)

Delivery Macabro
Original:Satanic Panic
Ano:2019•País:EUA
Direção:Chelsea Stardust
Roteiro:Grady Hendrix, Ted Geoghegan
Produção:Adam Goldworm, Amanda Presmyk, Dallas Sonnier
Elenco:Rebecca Romijn, Arden Myrin, Hayley Griffith, Ruby Modine, AJ Bowen, Jordan Ladd, Jeff Daniel Phillips, Jerry O'Connell, Hannah Stocking, Whitney Moore, Michael Polish, Skeeta Jenkins, Maya Perkins, Mike E. Winfield

É o primeiro dia de trabalho de Samantha ‘Sam’ Craft (Hayley Griffith) como entregadora na Home Run Pizza, uma oportunidade que considera interessante principalmente pelas gorjetas. Mesmo sendo distante, ela aceita mais um serviço na região mais rica da cidade em Mill Basin, acreditando que terá um agrado financeiro ao levar cinco pizzas até uma mansão. Friamente recebida por Gary (Michael Polish) e sem dinheiro para alimentar sua Vespa, Sam resolve invadir a moradia em busca da necessária gorjeta, no momento em que ocorre uma reunião no hall com a líder satânica Danica Ross (Rebecca Romijn) orientando os membros de seu culto sobre a invocação de Baphomet naquela noite.

É o pontapé do movimentado terror bem-humorado Satanic Panic, lançado por aqui com o curioso título Delivery Macabro. Com a direção de estreia de Chelsea Stardust, a partir de um argumento de Ted Geoghegan para o roteiro de Grady Hendrix, trata-se de uma produção com a marca das revistas Fangoria, com o financiamento da Media Finance Capital, e que entrega (sem trocadilhos), com recursos limitados, exatamente o que os fãs do gênero gostariam de ver em cena, com sequências criativas e vômitos – muitos aliás. O que mais se vê na tela são personagens regurgitando coisas estranhas como as próprias entranhas, no que poderia render uma boa parceria com o medicamento Domperidona.

Assim que se revela virgem e a pessoa ideal para o ritual a ser realizado à meia-noite, Sam acorda em uma sala com o marido de Danica, Samuel (Jerry O’Connell, realmente o esposo de Rebecca Romijn), que cumpre o papel de explicar para ela e o espectador o que irá acontecer, e sugere uma saída menos traumática: se ela transar com ele, deixará de ser a opção do culto. Logo, a garota estará correndo pelas ruas do bairro à procura de alguma ajuda, conseguindo ser atendida pela babá Kristen (Hannah Stocking), filha de dois membros do culto, Steve (Jeff Daniel Phillips) e Kim (Jordan Ladd, que esteve em Cabana do Inferno, 2002). A jovem estaria com a obrigação de cuidar de dois garotos, enquanto os pais participam da sessão apocalíptica, e não estará disposta a ajudar Sam. No local, ela salvará Judi (Ruby Modine), filha de Danica e uma das opções de sacrifício.

Além da perseguição dos satanistas, o longa também coloca alguns elementos sobrenaturais para apimentar o enredo, como o lençol vivo, um coração assado e até uma estranha garotinha (Maya Perkins), que parece apenas uma assombração, mas que terá sua devida importância. O lençol e a sequência do prólogo, até mesmo na câmera subjetiva, são óbvias homenagens ao clássico Halloween, de John Carpenter, reforçadas pela garota se chamar Judi(th). Há outras ideias que tornam o filme divertido, como a trilha sonora bem acertada e a disputa de egos de Danica com Gypsy (Arden Myrin), em confrontos que rendem bons momentos e falas desafiadoras.

Hayley Griffith é um rosto agradável como protagonista, além de ter um feeling para o humor sarcástico proposto pela produção. Contudo, os destaques são Ruby Modine, a vilã de A Morte te dá Parabéns e que fez o trabalho de trilha sonora em Pânico na Floresta: A Fundação, e, claro, Rebecca Romijn. Chamou a atenção como a Mística da trilogia inicial de X-Men, além de ter participado de Rollerball, O Enviado e O Justiceiro, entre outras produções. Por aqui, ela faz uma líder de culto bem expressiva e ameaçadora, mostrando que continua bela e carismática.

Se não fosse o final bobo, conveniente e pouco ousado, Delivery Macabro poderia ser uma ótima pedida (sem trocadilhos) como produção de horror e humor. Deixa a impressão que o dinheiro acabou e precisaram encerrar o filme na primeira oportunidade, sem qualquer gorjeta nos créditos finais.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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