3.9
(20)

Cabana do Inferno
Original:Cabin Fever
Ano:2002•País:EUA
Direção:Eli Roth
Roteiro:Eli Roth, Randy Pearlstein
Produção:Evan Astrowsky, Sam Froelich, Lauren Moews, Eli Roth
Elenco:Jordan Ladd, Rider Strong, James DeBello, Cerina Vincent, Joey Kern, Arie Verveen, Robert Harris, Tim Parati. Dante Walker

O comentário boca-a-boca é, em vários casos, a melhor propaganda de um filme. Principalmente quando a verba da produção em questão não é das maiores. Cabana do Inferno (Cabin Fever, 2002) é uma dessas obras que, apesar da fraca divulgação na época do seu lançamento, se tornou conhecida basicamente graças aos comentários feitos pelos fãs do gênero. Mas atenção, apesar das boas críticas, trata-se de um filme que provavelmente não vai agradar a todos os apreciadores de películas de terror.

O diretor/roteirista/produtor/ator Eli Roth era um nome desconhecido antes do sucesso de O Albergue (Hostel, 2004). O filme chamou a atenção de público e crítica ao apresentar uma trama de horror bastante interessante e que era mesclada com fortes cenas de violência explícita. Atualmente, basta um projeto ter o nome de Eli entre os créditos para que a mídia especializada e os fãs fiquem atentos em busca de novidades.

Mas a realidade era outra em 2002 quando Eli realizou Cabana do Inferno. De baixo orçamento, o filme passou despercebido na ocasião de seu lançamento e estava fadado ao limbo das produções de terror desconhecidas. Misteriosamente, com o passar dos anos, a película começou a ser descoberta aos poucos e hoje é considerada uma obra cult.

Talvez fazer uma comparação seja a melhor maneira para definir Cabana do Inferno. Mas não será com O Albergue que esse paralelo será traçado, já que ambas as produções são bastante diferentes. Na verdade, Cabin Fever pode ser considerado como um Evil Dead (1982) do século XXI e essa definição já é suficiente para deixar qualquer fã animado.

A trama criada e conduzida por Eli Roth é bastante simples. Um grupo de amigos de faculdade está aproveitando um feriado das aulas para viajar e passar alguns dias em uma fazenda no meio do mato. Antes de escrever qualquer outra palavra referente à sinopse, já é possível imaginar o que vem pela frente, certo? Exato, o grupo vai se deparar com uma força do mal (aqui existem as variações: assassino, espírito, fenômeno da natureza, vazamento de produto químico, etc) e cada um dos personagens lutará para sobreviver.

No caso de Cabana do Inferno, um estranho vírus é o vilão da vez. A origem do mesmo é um mistério, mas ele se propaga com facilidade e “come” a pele dos infectados. Claro que os estudantes não sabem disto até que um estranho bate na porta deles e contamina um dos jovens. A partir de então, começa uma guerra entre os personagens para não serem as próximas vítimas e cada um vai fazer o que for possível para sobreviver. Completando o raciocínio do parágrafo anterior, este enredo parece bastante óbvio, correto?

Narração

Em Cabana do Inferno, o que se destaca é a forma de narrar e não a história propriamente dita. Com boas doses de gore, Eli Roth praticamente requenta uma trama bastante conhecida através de pequenos detalhes que acabam fazendo toda a diferença para o produto final. Antes de qualquer coisa, Eli pega os elementos tão comuns ao gênero e potencializa-os ao máximo.

Como exemplo, podemos citar a loja de conveniência que os estudantes param logo no começo do filme. Todo filme de terror que se preze (ou não) tem uma ou um posto de gasolina e os funcionários destes estabelecimentos são pra lá de estranhos. Pois a lojinha de Cabana do Inferno não fica atrás e ainda consegue ter os personagens mais bizarros que já foram vistos pelos fãs. E esse é só o começo. Policiais geralmente são figuras marcantes nestas produções, mas o criado por Eli é no mínimo uma atração a parte. Magro, franzino e mais interessado em sexo do que em manter a paz, ele acaba chamando a atenção justamente por este conjunto de “qualidades”.

Além disso, Cabana do Inferno também é um prato cheio para os admiradores do tradicional banho de sangue, popularizado justamente por Evil Dead. O tal vírus é bastante forte, o que proporciona algumas cenas capazes de deixar pessoas mais sensíveis de estômago enjoado. Não é nada que nenhum fã de verdade vá ficar agoniado em assistir, mas digamos que não é o indicado para você mostrar para a sua namorada que prefere as comédias românticas.

Verba

No entanto, é importante deixar claro que, assim como Evil Dead, Cabana do Inferno também foi produzido com um orçamento bastante simplório quando comparado com as produções do gênero. E claro que pouco dinheiro nunca serviu como desculpa para a criação de bons filmes já que uma verba curta pode levar cineastas criativos a encontrarem soluções criativas para seus filmes.

No entanto, apesar do esforço, algumas cenas de Cabana do Inferno são claramente carentes de mais recursos, mas Eli Roth segura bem a câmera e encontra soluções que, se não são perfeitas, estão dentro do aceitável. O sentimento de lástima é que, se tivesse um pouco mais de dinheiro nas mãos (o filme foi feito com US$ 1,5 milhão), Eli poderia ter feito algumas sequências de forma mais completa. Como exemplo máximo, temos a cena na qual uma garota é estraçalhada e devorada por um cachorro infectado pelo vírus. Aqui, a ideia foi entendida, mas o resultado final careceu de alguns retoques. Mas Eli compensaria essas falhas alguns anos depois com O Albergue.

E se a direção fez aqui um bom trabalho, o elenco segue a risca o exagero proposto pela trama. O destaque vai para Jordan Ladd (O Albergue 2, 2007), Rider Strong (Pulse 3, 2006) e Joey Kern (do drama XX/XY, 2005). Esse último interpreta um dos estudantes que vai fazer de tudo para não ser infectado. Tudo mesmo. Destaque para o veterano Robert Harris como um dos funcionários da loja na qual os jovens passam no começo do filme. O personagem dele aparece pouco, mas é uma das melhores criações do roteiro.

Seleto

Apesar de todos os bons pontos apresentados, é importante fazer uma observação referente a esta produção. Mais uma vez, estamos diante de um filme que é direcionado para um público específico dentro do próprio gênero. Desta forma, se você considera O Iluminado (The Shining, 1980) como o grande clássico do gênero, possivelmente não vai gostar de Cabana do Inferno. Na verdade, são produções diferentes e que possuem objetivos próprios para cada um dos seus espectadores específicos.

A boa notícia para a categoria do gênero que provavelmente vai gostar de Cabana do Inferno é que a produção está para ganhar uma Parte 2. O projeto, intitulado de Cabin Fever 2: Spring Fever, está em fase de pós-produção e não será dirigido por Eli Roth. Em seu lugar, entra o pouco conhecido Ti West, que talvez seja mais lembrado por Ataque dos Morcegos. Para aqueles que estão preocupados na mudança de diretor, basta lembrar que Eli era um mero desconhecido quando comandou o primeiro. Desta forma, nos resta aguardar. Enquanto você espera, corra para a locadora e alugue este ilustre desconhecido.

Curiosidades

– O cão assassino original em Cabana do Inferno era tão velho e cansado que todas suas cenas tiveram que ser re-filmadas com um cão novo. Com nenhum tempo ou dinheiro para encontrar uma recolocação, os produtores moldaram um cão real de ataque da polícia que fosse tão mau, indócil e imprevizível que nenhum ator poderia parecer com ela na câmera. O grupo se escondia atrás dos caminhões durante suas cenas, e as câmeras eram operadas por controle remoto.

– Quando filmaram uma cena particularmente sangrenta, Rider Strong decidiu que iria fazer uma caminhada na floresta entre as instalações. Coberto de sangue da cabeça aos pés, ele apareceu para um grupo de 35 meninas de uma escola que estava em excursão. As meninas gritaram muito ao vê-lo todo ensanguentado e gritaram mesmo, mais alto, quando descobriram que ele era a estrela do Boy Meets World (1993). As meninas perseguiram Rider através da floresta, que o fizeram eventualmente ir atras do grupo de filmagem. Ele prometeu nunca mais vaguear fora entre uma cena e outra.

– O diretor de fotografia Scott Kevan é visível no espelho retrovisor no caminhão quando os jovens estão se dirigindo à cabana. O diretor Eli Roth observou este quarto da edição, e continuou a cena afirmando que Scott estaria no filme porque ele apareceu em todos seus outros filmes.

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Média da classificação 3.9 / 5. Número de votos: 20

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Sobre o Autor

6 Comentários

  1. Revendo hoje na Netflix. Sensacional!!!! Além de tudo, ainda diverte.

  2. Divertido e paramos por aqui. 4 caveiras foi um tanto exagerado

  3. Muito bom o filme!! Recomendo!! 👏👏👏👏👏😎✌😊👍👍

  4. Gosto muito do Boca do Inferno, e assisti esse filme levado pela cotação de quatro cadeiras. No entanto, esse filme é chato pra burro!

  5. Nunca que merece 4 estrelas nem mesmo para a época, personagens que não geram empatia nenhuma, tanto faz se morrem ou não , bem fraco.

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