Skyline – A Invasão (2010)

3.4
(5)

Skyline - A Invasão
Original:Skyline
Ano:2010•País:EUA
Direção:Colin Strause, Greg Strause
Roteiro:Joshua Cordes, Liam O'Donnell
Produção:Kristian James Andresen, Liam O'Donnell, Colin Strause, Greg Strause
Elenco:Eric Balfour, Donald Faison, Scottie Thompson, Brittany Daniel, Crystal Reed, Neil Hopkins, David Zayas, Donald Faison, Robin Gammell, Tanya Newbould, J. Paul Boehmer

Alienígenas têm uma certa predileção pelos Estados Unidos. Embora existam casos registrados de aparições por outras bandas – acontecimentos raros e que não determinam a regra -, a maioria das invasões acontece em solo norte-americano, em um processo de extermínio e destruição envolto em pirotecnia, mas não o suficiente para conclui-lo com êxito. Desde as primeiras, na metade do século passado, até as mais recentes, há pouca diferença, o que mostra que, mesmo com a evolução da tecnologia extraterrestre, ela ainda não foi capaz de encontrar maneiras mais criativas e eficazes de domínio interplanetário, talvez porque não haja coaches orbitando por aí. Em 2010, até fizeram um retumbante esforço em tentar uma invasão em grande escala, através de meios hipnóticos que facilitavam a abdução para fins de alimentação de cérebros humanos ao molho sauté. Parece que comeram cérebros demais…

Especialistas em efeitos visuais, com créditos que incluem filmes-catástrofe (O Dia Depois de Amanhã, 2012, Terremoto: A Falha de San Andreas, Tempestade: Planeta em Fúria, No Olho do Tornado), adaptações de quadrinhos (franquia X-Men, Homem de Ferro 2, Os Vingadores, Quarteto Fantástico, O Incrível Hulk), longas de ação e futuristas (300, Avatar, 007 – Operação Skyfall, Looper: Assassinos do Futuro, O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas), os irmãos Strause, Colin e Greg, possuem no currículo um trabalho anterior no comando de Alien vs Predador 2, além de terem se envolvido com outras invasões alienígenas no desenvolvimento de Invasores e Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles. O que se podia esperar de Skyline seria um bom trabalho nos efeitos visuais, além da experiência com destruição e ataques alienígenas. Realmente, foram bem nos efeitos técnicos e até no conceito criativo, sem repetirem ideias já vistas, embora o roteiro não tenha ido para os caminhos mais adequados.

Após um prólogo que já antecipa uma situação importante, o enredo apresenta o casal Jarrod (Eric Balfour, do remake de O Massacre da Serra Elétrica) e Elaine (Scottie Thompson, de O Sono da Morte), que acaba de chegar em Los Angeles para comemorar o aniversário do amigo Terry (Donald Faison, de Pequeno Demônio), em um luxuoso hotel. No local, reencontram a esposa de Terry, Candice (Brittany Daniel, de Pânico na Ilha), além da assistente Denise (Crystal Reed, da série Monstro do Pântano), já deixando sinais de que se trata de um triângulo amoroso em que um dos lados ainda não sabe a respeito. Além desse desfile de personagens insossos, que vivem dramas como o da Elaine estar grávida e sem coragem de dizer ao esposo, destaca-se também o funcionário do hotel, Oliver (David Zayas, de mais de 100 créditos, incluindo a série Dexter), que mais tarde irá se juntar ao grupo.

Durante a madrugada, luzes azuis cairão do céu, levando os curiosos a um estado de hipnose até culminar na abdução. Jarrod é quase uma das vítimas, mas é salvo pouco antes de ser puxado para uma nave imensa que irá ocupar o céu daquela manhã de tempo bom. Os que resistirem ao processo serão caçados por naves menores com tentáculos, ou sugados por uma criatura imensa pelas ruas. Assim, alguns sobreviventes tentarão sair do prédio para, quem sabe, buscar refúgio mais próximo das águas, enquanto outros se abrigarão no apartamento, aguardando a ação do exército americano no confronto com os alienígenas. É uma luta desigual, que irá se concentrar nos civis ao invés de mostrar apenas a eficiência da defesa e ataque de soldados escolhidos pelo Tio Sam.

Quando as ações envolvem a luta pela sobrevivência no prédio e nas ruas de Los Angeles, Skyline funciona bem. É possível até torcer pelo sucesso do grupo, como coadjuvantes no combate contra as criaturas poderosas, desenvolvidas com bons efeitos visuais. Contudo, o filme tem um último ato ousado, ambientado no interior da nave, com o prolongamento de um final que poderia ter sido melhor se deixasse a imaginação do espectador trabalhar, envolto em pessimismo. Até mesmo o passeio dos tentáculos por um apartamento pode ser visto como uma homenagem a um clássico do cinema e da literatura, A Guerra dos Mundos. Mas o final…

Apesar do sucesso razoável nos cinemas, Skyline trouxe muita dor de cabeça para os diretores. Como eles trabalharam nos efeitos de Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles, a Sony não gostou de saber que eles também desenvolviam sua própria produção com alienígenas e que pretendiam lançá-la nos cinemas antes. Todo o barulho serviu apenas para fortalecer a obra dos Strause, embora não tenham recebido críticas muito positivas para seus alienígenas azulados. De qualquer maneira, o longa original inspirou duas continuações, Skyline: Além do Horizonte (2017) e Skylines (2020), sendo que estes dois últimos encontram-se disponíveis na Netflix. É só ignorar o final bobo e se atentar ao fato que se trata de uma produção quase independente e você poderá se divertir com mais esta invasão alienígena nos EUA.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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