King Diamond: Abigail (2022)

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King Diamond: Abigail
Original:King Diamond: Abigail
Ano:2022•País:EUA
Páginas:112• Autor:King Diamond, Dan Watters, Damien Worm•Editora: Estética Torta

Com incríveis trabalhos no Mercyful Fate e também em carreira solo e influenciando grandes bandas como Metallica e Slayer, King Diamond é um músico dinamarquês considerado um dos maiores cantores de heavy metal do mundo, sendo uma figura com marcante presença de palco devido a sua distinta voz, maneira de se vestir, shows performáticos, produções artísticas e maquiagem única, que virou sua marca registrada. Além disso, é um ótimo compositor, com uma conhecida preferência por escrever histórias de horror que se estendem por todas as músicas em álbuns conceituais. O próprio King afirma que um de seus álbuns de maior sucesso, Abigail, é provavelmente o primeiro álbum de metal a contar uma história de terror. Sendo assim, chegou a hora de Abigail, disco solo do cantor lançado em 1987, ganhar o mundo dos quadrinhos.

O roteirista Dan Watters (Lúcifer, Arkham City, Assassin’s Creed) foi recrutado junto do desenhista Damien Worm (Dark Souls, Bloodborne, The October Faction) para fazerem as músicas ganharem vida, trazendo toda a atmosfera sombria e horripilante do álbum para o papel.

A história de Abigail se situa em 1845, mostrando o casal Jonathan La’Fey e Miriam Natias se mudando para uma mansão que Jonathan herdou de seu falecido avô, o Conde La’Fey. No caminho, o casal é alertado por diferentes cavaleiros a não adentrarem na mansão, além de enfrentarem certa resistência dos moradores locais ao nome La’Fey devido a algo misterioso que aconteceu no passado. Ao se estabelecerem na mansão, eventos perturbadores começam a ocorrer: barulhos estranhos como se houvesse mais pessoas na residência, flores até então completamente saudáveis morrendo em poucas horas, móveis balançando sem que ninguém os movessem, entre outros acontecimentos sobrenaturais.

O casal de protagonistas não passa ileso, sendo também afetado.  Jonathan começa a sonhar – ou será que realmente vê? – que conversa com o fantasma de seu avô, enquanto que Miriam imagina figuras cada vez mais sombrias e as transforma em pinturas até que, mesmo sendo estéril, inesperadamente fica grávida.

Quem já ouviu o álbum Abigail vai perceber que o roteiro de Dan Watters inicia e progride a narrativa na sequência correta na qual as músicas do álbum são tocadas, já que o roteiro foi escrito em parceria com o próprio King Diamond. Há uma expansão de alguns elementos que não alteram a história principal, pelo contrário, enriquecem o enredo deixando-o mais coeso. Essa expansão é feita de forma cuidadosa, mantendo elementos originais e sem sair demais do que foi composto originalmente. Além disso, diversas frases das músicas são inseridas em quadros de texto, uma referência sempre bem casada em momentos oportunos. Porém, até mesmo para quem não é familiarizado com as músicas, a história é bem simples de ser seguida e de fácil entendimento, com os personagens sendo trabalhados de forma interessante gerando uma curiosidade no que vai acontecer a seguir.

Damien Worm não apenas desenha como colore o material, conseguindo através de seus desenhos e escolha de cores transmitir bem a estética de horror gótico com uma sensação crescente de temor conforme os eventos vão progredindo. Temos a presença de cores fortes e escuras, com um jogo de sombras que funciona muito bem no contexto da obra. Os traços são expressivos, de forma que é possível notar a mudança nos residentes da casa conforme a narrativa avança apenas por suas posturas e semblantes. Também pode-se perceber uma certa influência Lovecraftiana na forma que o sobrenatural é retratado.

Não é novidade que os universos de metal e quadrinhos se misturem. Outros discos já ganharam versões em graphic novels, a exemplo de Holy Diver, de Ronnie James Dio, Repentless do Slayer e Among The Living do Anthrax. Outras bandas como Kiss e Iron Maiden já licenciaram materiais para diversas editoras (Marvel, Dark Horse etc.), além dos italianos da banda Lacuna Coil já terem sido retratados recentemente em uma história do Batman. Sendo um artista tão completo e com músicas que de fato contam histórias – muitas delas horripilantes -, já era hora de King Diamond também ter seu espaço nos quadrinhos. Vale citar que a publicação no Brasil aconteceu rapidamente, poucos meses após o lançamento oficial lá fora, graças ao ótimo e eficiente trabalho da editora Estética Torta.

Não apenas para fãs de King Diamond, mas também qualquer apreciador de horror, Abigail é um belo material, recomendável a qualquer pessoa que queira ler uma boa e curta história sombria de terror, com um trabalho gráfico muito bem feito e ilustrações arrepiantes.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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