A Noite dos Arrepios (1986)

4.6
(16)

A Noite dos Arrepios
Original:Night of the Creeps
Ano:1986•País:EUA
Direção:Fred Dekker
Roteiro:Fred Dekker
Produção:Charles Gordon
Elenco:Jason Lively, Tom Atkins, Steve Marshall, Jill Whitlow, Wally Taylor, Bruce Solomon, Vic Polizos, Allan Kayser, Ken Heron, David Paymer

A Noite dos Arrepios (Night of the Creeps, 1986) tem toda a fórmula necessária para a diversão dos fãs do gênero fantástico: criaturas rastejantes, personagens carismáticos, cidade pequena, Tom Atkins como um policial mal-humorado, desafio para entrar numa fraternidade e, é claro, zumbis bem caracterizados. Tudo isso com as mãos calibradas de Fred Dekker, que no ano seguinte brindaria o gênero com o divertidíssimo Deu a Louca nos Monstros (Monster Squad, 1987)!

Em 1959, dois alienígenas – em efeitos toscos, mas aceitáveis – a bordo de uma nave tentam manter um artefato em segurança, quando o objeto acaba sendo lançado pelo espaço e caindo na Terra. Por aqui, em bela fotografia em preto e branco como homenagem ao cinema drive-in e ao clássico A Bolha (1958), um carro estacionado na estrada, com um casal de namorados, testemunha a queda de algo nas proximidades. Enquanto o rapaz vai investigar o que caiu na floresta, a garota escuta no rádio sobre a fuga de um criminoso insano de um hospício. Ele tem um encontro com o objeto de metal, de onde salta uma lesma em sua boca, e a garota, com o machado afiado do assassino louco.

Vinte e sete anos depois, Chris Romero (Jason Lively) é encorajado pelo amigo J.C. (Steve Marshall) a se aproximar da garota de seus sonhos, a bela Cynthia Cronenberg (Jill Whitlow). Mas, para isso, a dupla precisa fazer parte de uma fraternidade, cuja iniciação incita o roubo de um cadáver no centro médico da universidade. Ao acionar o sistema de inversão da criogenia de um corpo escondido num setor secreto, eles se assustam com a aproximação de alguém e fogem, enquanto o cadáver – no caso, o jovem que foi investigar o objeto que caíra do céu na década de 50 –, sai andando do local, perturbando o detetive Ray Cameron (Tom Atkins), envolvido com o caso.

O morto-vivo retorna à fraternidade, e sua cabeça se abre, liberando vermes rastejantes que se espalham pela região. E são essas criaturinhas que atacarão quem cruzar seu caminho, transformando as vítimas em mortos-vivos. Se J.C. traz um dos momentos mais dramáticos ao narrar seu encontro com os pequenos alienígenas, A Noite dos Arrepios reserva dois episódios emblemáticos e que tornaram o filme inesquecível: um envolve o retorno do maníaco com o machado, transformado em zumbi e enterrado sob a morada de uma idosa; e o mais conhecido, quando um ônibus repleto de universitários a caminho de uma festa tomba, com a morte de todos os passageiros, transformados em zumbis. O detetive diz uma das frases mais populares do cinema “terrir” dos anos 80: “Meninas, tenho uma boa e uma má notícia para vocês. A boa é que seus namorados chegaram… a má é que eles estão todos mortos.

Dekker brinca com o gênero fantástico, fazendo uso de toda a fórmula que faz tanto sucesso em toda sua longa trajetória de momentos incríveis. Zumbis, alienígenas e criaturas rastejantes dão o tom da diversão, com diálogos afinados, boas atuações e personagens carismáticos, como se o espectador tivesse seu cérebro dominado pelos vermes e quisesse saber como tudo irá se resolver para aplaudir de pé ao final da sessão. A Noite dos Arrepios teve dois finais diferentes e igualmente interessantes, e é, sem dúvida alguma, uma refeição completa para os amantes do horror dos anos 80, quando cinema e diversão caminhavam tropegamente de mãos dadas.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

6 thoughts on “A Noite dos Arrepios (1986)

  • 12/11/2023 em 11:20
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    Det. Cameron em seu glorioso descanso: fala, cara!
    Pobre policial: Detetive Cameron?
    Det. Cameron: Não. Aqui quem fala é a Brana de Neve.

    kkkkkkkkkkkkkk

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    • Avatar photo
      12/11/2023 em 13:47
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      Sim….e em outro momento, acontece a mesma coisa e ele fala: “Não, é o Batman.”

      😀

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  • 11/11/2023 em 22:02
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    Eu assisti esse filme (ou parte dele) na TV há uns trinta anos. Há umas duas semanas achei no catálogo da darkflix e que filme divertido! Se bem que o final do J.C. deu aquele aperto no coração…

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  • 09/11/2023 em 13:10
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    Assisti a primeira vez em 1990, no festival 25 anos da Globo, passei décadas querendo assistir de novo até que achei o DVD da versátil.

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  • 09/11/2023 em 08:31
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    Cara eu assisti esse filme com uns 8 anos de idade. Perdi várias noites de sono,eu sempre assistia os filmes mas já sabendo que teria pesadelos. E esse junto com Michel Myers e Chuck,foram responsáveis por variossssss pesadelos. A noite dos arrepios continua fresca na minha memória mesmo tendo assisti uma única vez a 30 anos atrás.

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