4.3
(18)

Feriado Sangrento
Original:Thanksgiving
Ano:2023•País:EUA
Direção:Eli Roth
Roteiro:Eli Roth, Jeff Rendell
Produção:Roger Birnbaum, Jeff Rendell, Eli Roth
Elenco:Patrick Dempsey, Ty Olsson, Gina Gershon, Gabriel Davenport, Karen Cliche, Nell Verlaque, Rick Hoffman, Derek McGrath, Katherine Trowell, Jalen Thomas Brooks, Mika Amonsen, Amanda Barker

Eli Roth é um diretor aclamado por muitos fãs do horror, tanto pelo seu trabalho em Cabana do Inferno (2002) quanto em seu filme mais intenso e famoso, O Albergue (2005). Em 2007 ele participou de um projeto em colaboração com Quentin Tarantino e Robert Rodriguez no filme Grindhouse (2007), que apresentou uma sequência de trailers falsos, e entre estes estava Thanksgiving, que claramente homenageava os slashers dos anos 80 mostrando um assassino mascarado atacando de maneira brutal suas vítimas no Dia de Ação de Graças.

Mais de uma década depois, esse projeto ressurge com uma abordagem mais séria, resultando no longa-metragem Feriado Sangrento.

Iniciamos esse filme com a agitação da Black Friday na noite de Ação de Graças, quando uma loja de departamentos em uma cidade pequena antecipa sua liquidação para o feriado com o intuito de impulsionar as vendas.

O plano do dono da loja, Thomas Wright (Rick Hoffman), é bem-sucedido até que a multidão enfurecida, ansiosa para entrar na loja, desencadeia o caos. Nos primeiros minutos, o filme mergulha em um turbilhão de mortes, brigas e gritos, revelando o pior do comportamento humano e criticando a irracionalidade do consumismo.

Um ano se passa, e Thomas decide reabrir a loja na mesma noite, alegando estar mais preparado e seguro. Contudo, um assassino mascarado como John Carver (símbolo do Dia de Ação de Graças) está determinado a executar um plano de vingança. Todos os envolvidos, direta ou indiretamente na tragédia do ano anterior, estão na sua lista e essa noite irá se transformar em um banho de sangue.

De certa forma senti dificuldade de escrever essa sinopse, pois assim como em Premonição, aqui temos vários elementos e personagens que desencadeiam a desgraça, desde a liquidação mal organizada e sem segurança, a massa de pessoas já em conflito pro lado de fora da loja, ou seja, o grande estopim da tragédia que se apresenta quando Jéssica (Nell Verlaque), filha do dono da loja, resolve entrar cinco minutos antes de o lugar abrir junto com seus amigos adolescentes e muito imaturos, apenas para não pegar fila.

Inclusive saliento que essa tragédia inicial foi um dos pontos altos do filme, trazendo de fato uma tensão. Inclusive se você já foi em um show lotado, com toda certeza irá pensar duas vezes antes de escolher a pista, pois muita gente correndo em euforia pode ser mortal de várias formas.

Quando inicia a jornada sangrenta do assassino temos outro ponto forte do filme, com mortes muito brutais e inventivas, o que não surpreende, dado que Eli Roth já mostrou que consegue chocar quando o assunto é gore.

Por fim, outro ponto que chama a atenção é a máscara de John Carver, que realmente consegue ser impactante e original, soando como um eco dos assassinos mascarados dos anos 80 e tendo sua própria personalidade ao mesmo tempo.

Entretanto, não é só de mortes e máscaras que se resume um bom slasher e é aí que para mim entra o grande erro de Feriado Sangrento. Temos uma escalação de elenco fraca, aliada a personagens bem unidimensionais e estereotipados. Pânico, Sexta Feira 13 e até mesmo A Hora do Pesadelo erraram muitas vezes nesse mesmo ponto, mas pelo menos conseguiram trazer mais elementos às protagonistas. Aqui não teremos outra Sidney Prescott ou outra Nancy Thompson, teremos apenas a Jéssica, ou apenas uma Jéssica qualquer.

Os amigos da protagonista? Mais rasos que um pires, tendo até o clássico personagem do esportista promissor e a amiga riquinha que é uma das atrizes que menos teve expressões faciais no filme inteiro, parecendo estar economizando no botox.

Fora os furos de roteiro que são bem evidentes, com direito a personagens que são esquecidos, assassino que aparece e desaparece mesmo não tendo nenhuma lógica para isso e o clássico momento dos slashers que é quando personagens sofrem ferimentos gigantes e continuam ilesos para dar continuidade no roteiro.

Consegui lembrar de muitas referências a filmes clássicos, como Feliz Aniversário para Mim de 1981 ou Dia dos Namorados Macabro, também do mesmo ano, entretanto essas referências por si só não sustentaram o filme como um todo.

Não direi que temos um filme ruim aqui, há muitos pontos fortes e cenas chocantes para isso, mas para mim é um filme que teria de fato potencial para ser o melhor slasher do ano e sem muita concorrência inclusive, mas que acaba se perdendo ao tentar chocar demais o seu público, esquecendo que para sermos chocados, a empatia pelos personagens é meio caminho andado.

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Média da classificação 4.3 / 5. Número de votos: 18

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8 Comentários

  1. Feriado Sangrento não apresenta nada de novo, não tem nada demais. Três caveiras é uma nota bem justa. Não dá pra dizer que joguei meu dinheiro fora indo assisti-lo, mas no fim eu já estava torcendo para o filme acabar logo. Só me serviu para matar o tempo e perceber que Eli Roth não é dos meus diretores favoritos.

    1. Assisti no cinema e uma coisa que me deixou intrigada era como o assassino era rápido ( quem assistiu sabe quem é) e isso me deixou pensando que existia também outro assassino . Vamos ver o desenrolar na próxima sequência do filme.

  2. A sensação que eu tive assistindo “Feriado Sangrento” foi bem parecida quando vi pela primeira vez “A Casa de Cera”, remake/slasher de 2005. O sadismo envolvendo a história, uma certa despretensão em ser algo além do divertido e um design de produção que fizesse com que ele pelo menos fosse lançado nos cinemas sem ninguém levantar suspeitas de que poderia ser um filme mais do mesmo ou chinfrim, deixando aquela dúvida em seu marketing quanto a depositarmos ou não nosso dinheiro em algo que talvez não valesse tanto à pena. E a diferença entre esses dois filmes é exatamente essa: “A Casa de Cera” é uma produção com nível de ter sido lançada nos cinemas.

    Recebeu por aqui o nome de “Feriado Sangrento”, o que o título original seria “Dia de Ação de Graças” (tradicional feriado americano), a proposta não é apenas trazer um slasher, mas visivelmente homenagear de forma bem humorada esse subgênero do horror. O problema aqui está na grosseria de seus exageros, que se apresenta de forma descontextualizada e fora de tom. As mortes em “Feriado Sangrento” me lembraram bastante a franquia “Premonição”. Não que dentro do slasher não haja exageros, mas é que aqui, olha…cheguei a achar que os personagens haviam enganado a morte no evento da Black Friday.

    O assassino não apenas demonstra amar o gore, como também encontra tempo pra uma parte ensaiada. Muitos slashers não foram feitos para serem levados a sério, mas isso não dá abertura pro roteiro seguir duas narrativas: a descontraída e nonsense e a mais séria e assustadora. Acredito que seja possível ambas caminharem juntas, desde que haja algo que dê liga e se sustente. De qualquer forma o roteiro também acaba culminando no previsível, mesmo que se preocupe em levantar várias suspeitas de quem seria o assassino, fazendo isso de uma forma até bem perspicaz no princípio.

    “Thanksgiving” tem seus momentos, com dois pontos altos: a Black Friday e a cena do jantar de “ação de graças”, mas que não foram suficientes para o filme se estabelecer como longa metragem. Infelizmente a ideia não amadureceu e o que poderia ter sido um “A Casa de Cera” acabou ficando apenas um “Dia dos Namorados Macabro” (2009).

    Para ajudar, o elenco de “jovens” é um amontoado de Paris Hilton que ficou difícil equilibrar a qualidade na atuação. Pareceu que não houve casting. Pra quem reclamou da protagonista da série “Scream” (Netflix), é melhor não reclamar mais. Com um orçamento de US$ 15 milhões (que pra um filme de horror não é considerado tão baixo) daria pra ter se atentado melhor a isso. Mesmo que um bom elenco não mudaria o fato de eu ter conseguido adivinhar quem era o assassino com uns 30 minutos de filme. E nenhum desmembramento mirabolante seria capaz de contornar isso.

  3. Muito melhor do que O Albergue. Um dos melhores filmes de terror desse ano.

  4. De tão genérico parece que foi criado inteiro po AI.

  5. Acredito que pelos personagens e algumas situações serem clichês, foram propositais, eu achei Feriado Sangrento o melhor Slasher de 2023.

    E espero que o filme vire uma nova franquia.

    1. Concordo! Para quem é fâ de terror, pescar as referências deixa tudo ainda mais divertido! Um ótimo filme, que resgata a aura dos filmes passados de slasher. E que serve muito bem para passatempo. A definição de ‘entretenimento’ né, nada mais que isso, que muitos filmes pretendem e muitas vezes não consegue nem isso. Um filme muito bom de terror, coisa que hoje em dia, com os recursos e tecnologia que temos, é rara.

      1. Parabéns ao Eli Roth, essa é a vibe que ele tem que continuar seguindo e nunca deveria ter saido, a do terror. Depois de ter comandado alguns filmes bem fracos nos últimos anos (como o remake de Desejo de Matar) eis que ele retorna ao terror violento característico dele, nos presenteando com um slasher á moda antiga muito do bom e que faz jus ao seu trailer falso de origem. Opinião impopular: Gostei mais desse filme do que Pânico 5 kkkk

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