True Detective – Terra Noturna (2024)

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True Detective - Terra Noturna
Original:True Detective: Night Country
Ano:2024•País:EUA
Direção:Issa López
Roteiro:Issa López, Nic Pizzolatto, Alan Page, Namsi Khan, Katrina Albright
Produção:Layla Blackman, Sam Breckman, Princess Daazhraii Johnson, Cathy Tagnak Rexford
Elenco:Jodie Foster, Kali Reis, Fiona Shaw, Finn Bennett, Isabella LaBlanc, John Hawkes, Diane E. Benson, Aka Niviâna, Tim van Eyken, John Albasiny, Nicholas Goh, Þorsteinn Bachmann, Adam Burton

A antologia policial True Detective da HBO é ao mesmo tempo instigante e um tanto quanto problemática. Depois da incensada e ótima primeira temporada, em que Matthew McConaughey e Woody Harrelson brilharam numa trama investigativa filosófica, houve uma mal avaliada segunda temporada e uma terceira que ninguém deu a menor bola. Esta quarta temporada, que ganhou o subtítulo Night Country, retoma a qualidade da primeira, coloca a série novamente no eixo e ganha ainda mais em suspense e tensão.

Parte desse novo frescor reside na saída do criador e roteirista anterior (Nic Pizzolatto que, com dor de cotovelo, vem fazendo duras críticas a essa nova temporada) e na entrada de Issa Lopez, que além de escrever quatro, dirige todos os seis episódios. Outra parte desse novo viço está na bem urdida mistura de investigação criminal com elementos sobrenaturais, além da sinistra paisagem noturna do Alasca, que torna todos os episódios, no mínimo, angustiantes.

Na trama, uma equipe de pesquisadores de uma instalação cientifica na cidade de Ennis, no Alasca, desaparece misteriosamente no início da temporada noturna que se inicia no Polo. Esse desaparecimento da equipe está ligado a um assassinato ocorrido anos atrás de uma ativista ambiental, que denunciava os maus feitos de uma poderosa mineradora instalada na região. Esse imbróglio começa a ser investigado pela irascível chefe de polícia Liz Danvers (Jodie Foster) e seu jovem mas promissor assistente Peter Prior (Finn Bennett), cujo pai, Hank Prior (John Hawkes), também é policial, trabalha na única delegacia da cidade e foi preterido na promoção para chefe. A investigação começa a tomar rumos inesperados e contará ainda com a ajuda de Evangeline Navarro (Kali Reis), uma patrulheira estadual que faz parte do povo nativo e era responsável pela investigação da morte da ativista, mas foi transferida por se envolver emocionalmente no caso.

Para defender esses personagens, que poderiam cair facilmente no clichê, foi escolhido um time de atores que beira a perfeição. Jodie Foster agarra seu personagem nada simpático e entrega uma interpretação cheia de nuances e camadas digna da excelente intérprete que ela é. A desconhecida Kali Reis está um assombro com uma atuação crua e selvagem, de uma força notável que faz dela a alma da série, enquanto Finn Bennett mescla inteligência e doçura em doses ideais. Para finalizar, John Hawkes confirma mais uma vez seu inegável talento.

Minha percepção é que o roteiro do último episódio, que tenta amarrar a trama, poderia ser mais bem lapidado, pois algumas soluções não convencem totalmente e há pontas soltas que, a princípio, ficaram na conta do aspecto sobrenatural. Além disso, um pouco mais de informações sobre a cultura dos povos originários da região poderia deixar o contexto mais rico. De qualquer forma, esses são pequenos pecados de uma série que, além de perturbadora, é provocativa, já que seu deslinde traz reflexões pertinentes sobre justiça, meio ambiente e empoderamento de grupos marginalizados sem parecer panfletário.

Por fim, vi que há em alguns fóruns de discussão na internet pessoas incomodadas com os fortes e bem desenhados personagens femininos na série em comparação aos fracos ou opressores personagens masculinos, além da solução final considerada feminista… Bem, eu apenas posso dizer a esses “críticos” que sejam bem-vindos a novos e melhores tempos, desejando cada vez mais personagens como Liz Danvers e Evangeline Navarro no futuro!

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Ricardo Gazolla

Formado em Direito e trabalhando no setor privado, apaixonado por cinema desde a infância quando assistiu Os Goonies (1985) na tela grande. Sua predileção pelo horror começou um pouco depois ao conhecer em VHS A Hora do Pesadelo (1984), Renascido do Inferno (1987) e A morte do demônio (1981). Desde então o cinema se tornou um hobby, um vício socialmente aceito, um objeto de estudo, um prazer público e, agora, no site Boca do Inferno, uma forma de comunicação com as pessoas.

5 thoughts on “True Detective – Terra Noturna (2024)

  • 08/03/2024 em 21:41
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    Bem, se o criador críticou e também vários fãs criticaram (só tem 56% de aprovação no Rotten Tomatoes) então essa temporada deve ser uma grande porcaria mesmo. Hoje em dia eu confio mais no público do que nos ditos “críticos”

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    • 12/03/2024 em 20:47
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      Só pra comentar que o Rotten Tomatoes é uma espécie de agregador de críticas, ou seja é um agregador da opinião do que vc comenta ditos “crítico”

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      • 13/03/2024 em 14:40
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        Mas esses 56% que eu estou falando são os usuários do site, ou seja os fãs, a nota dos críticos é alta mas a do público é baixa. É um caso muito semelhante ao Star Wars: Os Últimos Jedi em que os críticos adoraram mas a maioria dos fãs odiou.

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          • 24/03/2024 em 23:47
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            Em alguns casos sim mas se tratando de Os Últimos Jedi eu concordo com eles.

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