![]() A Mão que Balança o Berço
Original:The Hand That Rocks the Cradle
Ano:2025•País:EUA Direção:Michelle Garza Cervera Roteiro:Amanda Silver, Micah Bloomberg Produção:Ted Field, Mike Larocca, Michael Schaefer Elenco:Maika Monroe, Mary Elizabeth Winstead, Raúl Castillo, Mileiah Vega, Nora Contreras, Lola Contreras, Martin Starr, Yvette Lu, Riki Lindhome, Shannon Cochran, Arabella Olivia Clark |
O longa original, lançado em 1992, está entre meus thrillers da era Supercine favoritos dos anos 90. Isso se deve ao elenco envolvido, Annabella Sciorra, Rebecca De Mornay, Ernie Hudson e Julianne Moore, e pela direção competente de Curtis Hanson, além do roteiro tenso, numa atmosfera vingativa absoluta, escrito por Amanda Silver, de Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros, Avatar: O Caminho da Água e Avatar: Fogo e Cinzas, entre outras produções grandiosas. Quando escrevi sobre o original, não foi difícil enaltecer a interpretação magistral de De Mornay na concepção de Peyton Flanders, uma das grandes vilãs do cinema moderno, presente numa galeria com quadros de Annie Wilkes (Kathy Bates, de Louca Obsessão, 1990), Alex Forrest (Glenn Close, de Atração Fatal, 1987) e Catherine Tramell (Sharon Stone, de Instinto Fatal, 1992).
A nova versão despertou em mim sentimentos agridoces. Se por um lado, trata-se de mais um filme oportunista, querendo atrair olhares pelo sucesso do original, por outro, a expectativa era favorável pela presença de duas das atrizes mais promissoras no horror do século XXI: Maika Monroe e Mary Elizabeth Winstead. A primeira tinha feito Macacos Assassinos (2013), Bad Blood (2012), O Hóspede (2014), A 5ª Onda (2016) e Independence Day: O Ressurgimento (2016), mas se destacou pela presença em Corrente do Mal (2014), Observador (2022) e Longlegs – Vínculo Mortal (2024). Já a Winstead apareceu em O Chamado 2 (2005), Premonição 3 (2006), Natal Negro (2006), À Prova de Morte (2007), O Enigma de Outro Mundo (2011), Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (2012), The Returned (2015), Rua Cloverfield 10 (2016), na série Fargo (2017), entre outras produções de outros gêneros. Esse embate proposto em A Mão que Balança o Berço me parecia bastante interessante.
Razoavelmente se mostrou assim. Com roteiro de Micah Bloomberg para a direção de Michelle Garza Cervera (de Huesera, 2022), o filme mostra a advogada grávida Caitlyn Morales (Winstead) em um primeiro contato com a jovem Polly (Monroe) numa representação sobre despejo em Los Angeles. Quando nasce Josie (Nora Contreras), elas se reencontram numa feira e Polly se oferece como babá, tendo experiência comprovada por uma ligação. Contratada para atuar numa moradia nobre, onde Caitlyn convive com o marido Miguel (Raúl Castillo) e a filha Emma (Mileiah Vega), Polly se mostra inicialmente eficiente, escondendo suas intenções vingativas.
Logo, ela começa a trazer problemas para a família Morales, adulterando um ensopado, trocando os medicamentos de Caitlyn e o leite materno. Embora ela perceba algumas atitudes estranhas, como a de convidar uma amiga, Amelia (Yvette Lu), para uma diversão sexual na moradia, é somente quando Emma brinca com fogos de artifício dentro de casa que a relação se mostra complicada. Com a ajuda do amigo Stewart (Martin Starr), ela resolve investigar o passado para entender as ações de Polly, mas a garota está determinada a ferir quem interferir em seus propósitos e corromper o lar, tendo em mentes os traumas causados por Caitlyn.
Não há o amigo Solomon para criar desconforto à vingativa como acontecia no original. E a sedução de Polly é menos intensa do que a Peyton: deixa até uma dúvida se ela pretende provocar Miguel ou a própria Caitlyn, não passando a algo concreto em nenhum momento. Ainda assim, o novo A Mão que Balança o Berço se beneficia pelas boas atuações, principalmente de Mary Elizabeth Winstead. Embora Maika Monroe seja uma boa atriz, alguns de seus papéis não a beneficiam como o deste filme e de Longlegs, fazendo-a ter a mesma expressão de consternação em ambos os trabalhos. O trabalho de direção é bem feito, sem nada de especial e sem também comprometer a narrativa, assim como a trilha. Mas o roteiro pedia um final mais ousado, sem aquela óbvia conexão com a placa “Pare“: nem é preciso muito esforço para saber que ela terá uma grande importância no último ato.
Se A Mão que Balança o Berço original deixou uma marca Supercine pelas exibições na Globo, a nova versão poderia ocupar sem problemas uma Sessão da Tarde. Um suspense morno e bastante óbvio, ele permite que o primeiro seja ainda mais valorizado como representante entre os thrillers significativos de sua época. Enquanto o novo, é apenas bonzinho.





