![]() Nas Profundezas do Solo
Original:Digging Up the Marrow
Ano:2014•País:EUA Direção:Adam Green Roteiro:Adam Green Produção:Cory Neal Elenco:Adam Green, Ray Wise, Will Barratt, Josh Ethier, Rileah Vanderbilt, Kane Hodder, Sarah Elbert, Tom Holland, Mick Garris, Don Coscarelli, Lloyd Kaufman, Tony Todd, Joe Lynch, |
Nas Profundezas do Solo (Digging Up the Marrow, 2014) é um mockumentary (ou falso documentário) que parte de uma premissa muito interessante e criativa: a ideia de que os monstros da ficção são reais, e que os fãs de terror são as únicas pessoas capazes de compreendê-los.
O filme foi escrito, dirigido e estrelado pelo cineasta Adam Green, mais conhecido como o criador da franquia Terror no Pântano (Hatchet). Na trama, Green – que interpreta a si mesmo – é procurado por um sujeito muito estranho (interpretado por Ray Wise, de Twin Peaks), que afirma ter encontrado a passagem para o “mundo dos monstros”.
O homem explica que os monstros vivem em um mundo localizado abaixo do nosso e que, de vez em quando, eles acessam a nossa realidade. Ele quer que Green o ajude a capturar imagens dessas criaturas, uma vez que a proximidade do cineasta com o gênero do terror o tornaria mais suscetível a “compreendê-las”.
Trata-se de uma justificativa bizarra que o protagonista, a princípio, não acredita. No entanto, ele acaba aceitando o convite e é levado até o local de onde os monstros supostamente surgirão. É então que acontecimentos estranhos o fazem questionar se aquela história é mesmo fruto de loucura daquele homem ou se ele está diante de um universo de criaturas fantásticas.
Embora seja uma história inteiramente ficcional, a obra tem suas raízes na realidade. O diretor conta que, certa vez, recebeu uma carta de um fã afirmando que a trama retratada em Terror no Pântano era real e que o personagem Victor Crowley existiu de verdade. O fã pediu que Green entrasse em contato para comprovar a veracidade das informações, algo que o diretor acertadamente nunca fez.
Ainda assim, a ideia de que alguém poderia acreditar que os monstros da ficção são reais foi plantada em sua mente e acabou germinando neste falso documentário. Vale destacar, porém, que, embora Nas Profundezas do Solo seja “inspirado” em uma história real e se apoie na linguagem do documentário, a proposta de Green nunca foi a de realizar um filme que pudesse ser confundido com uma história verídica (como ocorreu com A Bruxa de Blair, por exemplo).
Esse foi o motivo que o levou a escalar Ray Wise para o papel do sujeito excêntrico. Conforme o diretor explicou, por se tratar de um nome conhecido – sobretudo entre os fãs do gênero -, o público prontamente enxergaria a narrativa como ficcional e poderia se divertir com ela. E, de fato, o filme é muito divertido.
É visível o quanto Green se diverte com o absurdo das situações apresentadas. Em determinado momento, por exemplo, o personagem de Wise tenta convencê-lo de que ele está diante de um monstro, quando claramente não há nada ali. Em outro momento, o diretor compartilha sua experiência com outros cineastas durante uma convenção do gênero, o que gera interações hilárias.
No entanto, o filme não está livre de problemas. Diversas escolhas feitas pelo diretor soam um tanto óbvias, como na cena em que ele revisa as filmagens da noite anterior e se vira para longe do monitor justamente quando um monstro aparece. Além disso, há subtramas apresentadas ao longo do filme que não são devidamente desenvolvidas, como a que envolve o porão da casa do personagem de Ray Wise.
Ainda assim, o maior problema de Nas Profundezas do Solo reside no fato de que o filme nunca explora plenamente sua maior qualidade, já que o chamado “mundo dos monstros” jamais é apresentado ao espectador. O que resta é um longa extremamente divertido, com alguns momentos assustadores, mas que nunca alcança todo o potencial que ele próprio sugere.





