![]() Alerta Apocalipse
Original:Cold Storage
Ano:2026•País:França. Itália, Marrocos Direção:Jonny Campbell Roteiro:David Koepp Produção:David Koepp, Gavin Polone Elenco:Joe Keery, Georgina Campbell, Liam Neeson, Lesley Manville, Sosie Bacon, Aaron Heffernan, Andrew Brooke, Rob Collins, Darrell D'Silva, Clare Holman, Vanessa Redgrave |

O subgênero “infectados” abrange muito mais que os zumbis romerianos, comedores de carne humana. Enquanto fãs se debatem em discussões intermináveis sobre as criaturas de Extermínio serem consideradas “zumbis” ou “mortos-vivos“, o horror agradece por permitir que todo tipo de ameaça traga possibilidades apocalípticas. Um desses exemplares chegou aos cinemas nacionais em 22 de janeiro, com o cacife de ter no elenco o astro de ação — também romances e comédias — Liam Neeson, além do jovem ator em foco Joe Keery e a requisitada Georgina Campbell, de Os Observadores, Bird Box: Barcelona e Noites Brutais. Trata-se de uma comédia de poucas risadas, com efeitos digitais questionáveis, mas que propõe um inferno claustrofóbico divertido, ainda que não tão inovador.
Inspirado no primeiro romance de David Koepp, roteirista de Jurassic Park, Homem-Aranha e Missão Impossível, Alerta Apocalipse — título nacional que antecipa o subgênero em vez de somente traduzir Cold Storage para algo como “Armazenamento a Frio” — foi filmado há três anos, mas parece que os realizadores não viram um potencial para lançamento antecipado, aguardando o hype da última temporada de Stranger Things, talvez. A campanha de marketing foi intensa, com matérias no cinema e promocionais em eventos, e ela foi ajudada pelas críticas positivas no agregador Rotten Tomatoes, porém a pergunta que você deve estar se fazendo é: será que realmente vale a pena?

Estreando ao lado de muitas produções de horror como O Primata, Socorro! e Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno — sem contar A Empregada, ainda em cartaz —, o filme até diverte levemente fãs de filmes como Zumbilândia e MIB, mas estará distante de qualquer lista que trará os destaques de 2026.
Começa com a informação de que em 1979 uma estação que abrigava experimentos científicos foi destruída e teve seus destroços em queda na Terra, sendo que a maioria deles queimou durante a reentrada ou caiu nos oceanos. Embora a NASA acredite que todos tenham sido identificados, décadas depois a microbiologista Dra. Hero Martins (Sosie Bacon) é alertada pelo morador de um vilarejo no deserto da Austrália Ocidental sobre ocorrências estranhas no local. Ela vai averiguar em companhia do especialista em bioterrorismo da NASA, Robert Quinn (Neeson), e sua parceira Trini Romano (Lesley Manville).
Corpos são encontrados explodidos em telhados, enquanto a Dra. Hero é infectada pelo fungo verde, resultando em sua morte. O material espacial, assim como vestígios do fungo, é recolhido pelo governo para armazenamento em um depósito no Kansas. Anos depois, o local abriga armazenamentos, escondendo em paredes e no subsolo os acessos para o produto perigoso. É lá que trabalha o jovem em condicional Travis, conhecido pelo apelido de Teacake (Keery), funcionário do pouco higiênico Griffin (Gavin Spokes), com intenções de roubar TVs 4Ks armazenadas no local, sem o interesse do rapaz.
Na noite em que a nova funcionária Naomi (Campbell) chega para trabalhar, ambos resolvem investigar um sinal de alerta, sobre mudança de temperatura e dificuldade de contenção. Ao mesmo tempo, um cervo contaminado dá indícios que o fungo já está à solta, infectando quem se aproxima como o ex de Naomi, Mike (Aaron Heffernan), e um gato morto. Enquanto adentram o local perigoso e pouco se impressionam com uma orgia de ratos verdes — uma falha na direção de elenco impressionante —, um infectado Mike e os amigos de Griffin chegam para aumentar a ameaça, exigindo a ação de Robert Quinn, agora com problemas na coluna, com a ajuda de Trini e da atendente “Abigail” (Ellora Torchia).
Provavelmente não assumidas, são evidentes as referências À Volta dos Mortos-Vivos (1985), quando dois funcionários se veem envolvidos com um tonel contaminado e tentam conter a ameaça, até que o governo seja informado. Diferente do muito mais divertido longa de Dan O’Bannon, inspirado em John A.Russo, a ameaça aqui não chega aos níveis apocalípticos, nem sequer sai do local. Se a sensação de claustrofobia merece ser elogiada, ao mesmo tempo não permite que o público entenda o grau da ameaça: cervos, pessoas vomitando gosmas e explodindo não ampliam uma expectativa de necessidade absoluta de contenção.
Com a aproximação de Quinn e a potência de uma determinada bomba, você até acha pelas prévias que o caos será em todo lugar, mas enxergado no prisma dos funcionários do armazenamento. Seria bem mais interessante, principalmente se os efeitos digitais em excesso fossem substituídos por práticos. O caminhar de uma barata, um gato artificial, ratos, movimentação do fungo…nada convence. E há algumas ideias idiotas ali, como mostrar a infecção alcançando o cérebro e dizendo para “buscar pessoas”, numa provável mutação da ameaça.
A química entre Joe Keery e Georgina Campbell é até aceitável, sem destacar as interpretações, cada um com sua chatice: ele por falar demais e ela por ser curiosa ao extremo. Neeson não traz as movimentações exageradas de seus filmes, mas sempre atrai holofotes pelo vozeirão e controle dos ambientes. E os demais são comuns, estereótipos de suas funções no elenco: o chefe pilantra, o ex-marido intrometido, a atendente que quer salvar o mundo…
Alerta Apocalipse pode servir de boa opção para o streaming, para curtir com a família, sem a necessidade da tela grande. É só ignorar seus efeitos, as obviedades do enredo e a pouca ousadia, e você talvez até se divirta sem muito alarde, antes que outra infecção assuma seu lugar.




